<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-4386567014687067531</id><updated>2011-07-30T15:17:33.115-07:00</updated><title type='text'>variedades</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://jbtvariedade.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4386567014687067531/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jbtvariedade.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>José Brasil Teixeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08416937196654251154</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>28</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4386567014687067531.post-135527294683750067</id><published>2009-11-14T06:35:00.000-08:00</published><updated>2009-11-14T06:39:37.140-08:00</updated><title type='text'>Discurso dos 40 anos</title><content type='html'>RELAÇÕES DE CONVÍVIO EM LONGO CURSO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta fala é uma dedicatória aos casais que permaneceram juntos desde sempre, aqui presentes ou não; ao mesmo tempo em que trás uma visão de compreensão aos casais que se dissolveram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  As relações interpessoais começam bem antes do convívio; começam com as relações de cada indivíduo consigo mesmo. E o sucesso ou não, lá adiante, vai depender em grande parte deste fator.&lt;br /&gt;  Os animais têm uma maneira peculiar de levar adiante suas relações, a qual já vem registrada em seu código genético. Assim, emitem mugidos, sibilos, múltiplos sons ou cânticos, mudam de cor, produzem ruídos ou cheiros, executam danças, e mantém comportamentos com inumeráveis maneiras de comunicarem que estão ávidas por uma relação ou outra finalidade instintiva relativa à espécie e a sua preservação. No entanto, cumprido o ato maior que se segue à fecundação, o mais das vezes, são encontros de forma transitiva e efêmera. E, logo a seguir, muitos desconhecem-se e esquecem de que modo estiveram juntos.&lt;br /&gt;  E como será na espécie humana e mais especificamente, como será na nossa conhecida civilização ocidental? Pois, na realidade, muitos exemplos nos dizem, embora nem todos nós percebamos (e ainda bem ),que as nossas preferências pessoais para nos relacionarmos com outras pessoas, desde a simples simpatia até um envolvimento mais profundo e duradouro, depende das vivências prévias dos indivíduos envolvidos, vivências atávicas, muito antigas, reais ou até arquetípicas, com as quais, algumas delas, já nascemos. Dependendo, também, de fatores genéticos de temperamento, bem como da confluência de fatores adquiridos dos envolvidos (tendências de humor, interesses, afinidades, preferências laborais ou musicais,etc.). Além da singular e poderosa importância que exercem os fatores físicos externos, como a beleza física, a altura, a condição social, muitas vezes erroneamente magnificados, mas que na realidade não são desprezíveis, já que grande parte da comunicação inicial entra pelos olhos, antes mesmo de que nossa consciência  perceba. &lt;br /&gt;  Uma relação amorosa comum entre dois desconhecidos começa, conscientemente, em primeiro lugar e muitas vezes, com a intenção de encontro com tal finalidade, uma excitação cerebral prévia. E para isso, a mulher em especial e os homens, que mais recentemente vão mais além da roupa, se preparam externamente garantindo a única e real performance que está mais ao seu alcance naquele momento, qual seja a beleza física do corpo ou da sua imagem. E para tanto malham, se maquiam, se penteiam e usam de outros artifícios comuns e adereços. Mas, na realidade, não é somente às suas expensas que ocorrem as relações duradouras ou até grandes amores, meta comum entre os comuns em geral. Sim, porque a meta mais almejada, normalmente, é viver um grande amor e este, surpreendentemente, começa o mais das vezes por um outro detalhe, quase sempre incontrolado ou inesperado.&lt;br /&gt;  No que diz respeito às feições dos envolvidos, não é incomum que, inconscientemente, alguém escolha outrem por ter semelhança visual com o rosto da mãe (dele) ou do pai (dela). E isto é muito comum que ocorra, para o quê, é consultado o arquivo da memória inconsciente (amígdala cerebral, hipocampo e as diversas prateleiras corticais), movidos que são pelos olhos do inconsciente e que só vêm à consciência anos depois, quando por acaso, folheiam um antigo álbum de família e deparam-se com determinadas semelhanças e surpreendem-se com “acasos”. E nada, como hoje se sabe, é por acaso e sempre tem um ente responsável. &lt;br /&gt;E, a partir daí, é comum também que reconheçam que seu relacionamento com o outro foi, até então, escorado em fortes nuances maternais ou paternais, conforme o caso. &lt;br /&gt;Outros detalhes estão geralmente no fator surpresa do primeiro encontro, no gesto criativo e decisivo que a todos encanta, a gentileza é uma delas, o arrojo é outro; ou no fator invulgar, um gesto de mão que chame especial atenção e que tenha fugido do lugar comum, às vezes uma palavra bem colocada, uma transmissão telepática, uma peça que se encaixe; e até uma gafe que os una inicialmente, é bem possível. Nunca esquecendo do valor eloqüente da rosa certa, dada no momento certo ou no momento inesperado. E muitas outras formas de leitura corporal, como nos ensina a neurolinguística. &lt;br /&gt;E, então, cai-se de amor de forma arrebatada. “E até hoje estamos casados e felizes", muitos dizem assim, não é mesmo? &lt;br /&gt;O início, é um tempo que não ultrapassa os 2-3 anos, em que, no cérebro, quem comanda essa sensação e sustenta essa inicial relação é um neurotransmissor chamado feniletilamida, responsável pelo paixão, pelo grude, pela tesão e pelo maravilhoso furor dos conhecidos “países baixos”.&lt;br /&gt;Passado o início da fervilhante comunhão de vidas, período no qual se sobrevive durante um certo tempo das idealizações em comum e suas buscas, de devaneios e fantasias a respeito de um e de outro, do encanto dos ajustes e gostosos prazeres carnais permitidos, ao mesmo tempo o relacionamento passa a ser abastecido pelo projeto da casa própria para alguns, em relação à profissão para outros ou cai-se direto na constituição da família. E daí, para os filhos se transferem tais projetos depois de ampliados. &lt;br /&gt;Segue-se, então, a transferência de ideais para a criação destes, quando ainda são pequenos e sob a criação e a educação primária, a luta pela formação de uma personalidade que se assemelhe a dos pais em valores éticos e morais. &lt;br /&gt;Além das virtudes próprias e inerentes do casal, os filhos representam uma forte sustentação daqueles dois sobreviventes da paixão inicial, até que eles, filhos,  crescem e migram para longe da tutela. Compreenda-se como um fato que ocorre depois de uma certa idade, em suas libertações.&lt;br /&gt;  No entanto, na cabeça dos filhos, nessa nova e definitiva jornada de afastamento físico, deve ser imprimida a idéia de família, biológica, social e moralmente. Que o convívio no lar lhes deixe de herança, no mínimo, um superego saudável, onde a idéia de que o centro da gravidade, representado por Deus, pela autoridade paterna, pelo amor materno, bem como o valor do espírito de pátria, da família e do trabalho não se desfacele com o advento do inevitável novo modelo de família existente na base da sociedade moderna.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;E o que se faz, então, com o relacionamento de quem fica, a sós e frente a frente, depois de uma certa idade, às vezes numa casa enorme  e desabitada dos filhos que se foram a viver por si?&lt;br /&gt;  Pois, freqüentemente, além das pessoas se acasalarem pelas suas semelhanças físicas com familiares, pessoas se juntam muitas vezes pela necessidade de se completarem nos aspectos mais marcantes de suas personalidades e isso se chama afinidades por caracteres invertidos. E surgem, então, pares compostos, por exemplo, de uma pessoa atabalhoada com um detalhista, de um irritado e explosivo com uma contemporizadora, de uma apressadinha e ansiosa com um descansado, de um angustiado com uma tranqüila, enfim, facetas individuais que se completam. E essa também é uma forma de se viver juntos, muitas vezes mais comum do que se possa imaginar e para tanto basta observá-las. Total, como diz sabiamente Caetano Veloso, “de perto, ninguém é normal!”&lt;br /&gt;  Mas, se à pessoa comum, analisada como um indivíduo com corpo e mente, nos é dado observar que seu psiquismo, fisiologicamente, não suporta a frustração, essa grande inimiga da alma, observa-se que através de sua  providencia consciente, das soluções chamadas esperança e fantasia, ou mesmo às expensas do seu inconsciente, que usa, por exemplo, os sonhos como arma, esse indivíduo busque, não interessa quanto tempo leve e até por toda a vida, a solução destas frustrações, sob pena de se reconhecer um derrotado, coisa que o ego sadio o mais das vezes não admite. &lt;br /&gt;Assim, baseado nisso, numa relação duradoura é necessário que nunca fiquem para trás situações mal resolvidas entre o casal, frustrações de qualquer parte ou porte que possam ser cobradas em momentos até de pequenos desencontros, tão comum;, imputações freqüentes de culpa, que nem sempre está relacionada com o assunto daquele momento.&lt;br /&gt;  O perdão, solução freqüentemente pedida e concedida, somente será solução eficaz mediante uma fórmula de concessão que seja total e irrestrita, envolvendo inclusive o total esquecimento daquilo que se perdoa e que nunca mais deverá ser lembrado, nem de brincadeira. Mas que, cabe ao perdoado nunca confundir essa concessão com permissividade à reincidência. O contrário, é apenas transferir-se o fato desagradável ao subsolo de cada mente e que poderá ser reprisado com características cada vez menos confortáveis, uma vez que a sua causa principal permanece mal resolvida. E este modelo é uma outra freqüente causa de discórdia entre casais.&lt;br /&gt;  Outro simples fato, é que, cada pessoa tem a sua individualidade, sendo esta condição uma só, única e com características próprias. Em outras palavras, um é um e o outro é o outro, o que torna a relação de paridade, díspar, apesar de parecer fácil. O reconhecimento maduro e respeitável das individualidades, passada a insana fase da paixão, é chegado o instante em que os envolvidos acordam-se pela manhã com a singular sensação de ter aterrissado na realidade. &lt;br /&gt;                    E aí que começa a verdadeira vida a dois, que necessita ser levada adiante, sem retrocessos, sob pena de muito sofrimento e dilacerações nos rompimentos drásticos e totais, além da sensação de fracasso pessoal que uma separação acarreta. Finda a paixão aflita e quase irresponsável, aproximar as diferenças através da convergência é a grande missão daí para frente. Começa o amor sereno, sóbrio e interessado, o sentimento comum de doação mais que de pleitos, um sentimento sadio em egos sadios, sentimento construtor, antipolo da destruição e da morte.&lt;br /&gt;  Bastante distinto do que era considerado no passado, quando o sexo em casa era preferencialmente procriativo e o sexo por prazer era feito extra-muros,  o ajuste sexual dos envolvidos é de extrema importância numa relação duradoura. O bom relacionamento sexual dependerá sempre de uma atividade ajustada em sua freqüência, modalidade e derivações, que são peculiares a cada casal e que, quando atingido, se torna um dos esteios do convívio, modulando ou ajudando no seu grau de satisfação geral junto com os outros ingredientes da relação. Excetuando-se o que se possa chamar de desvio de conduta, descontrole de impulsos ou permissividade cultural, um parceiro somente procura satisfação fora de casa, quando sente frustrados os seus impulsos e fantasias provenientes da libido no seio da sua relação preferencial e oficial; ou quando é vítima da, pouco construtiva, vaidade; tornando, assim, a relação, menos estável e menos respeitável.&lt;br /&gt;  Voltando então à postulação anterior, quanto ao que fazer quando os filhos se vão e o casal se vê novamente frente à frente e a sós, vinte, trinta ou mais anos depois, talvez, mas sem o mesmo encanto ou os recursos facilitadores da paixão inicial... por certo terão que buscar dentro de si próprios os sentimentos amadurecidos e armazenados, as boas experiências vividas juntos e que adquirem grande valor se repartido a dois. Valerá, principalmente, a capacidade de amar na sua forma básica, mas também será importante a capacidade de inovar no amor, usando de um artificio poderoso que se chama criatividade que, quando bem usada, é capaz de dar ao habitual o sabor do novo, renovando as sensações e propiciando novas e grandes emoções. E nessa renovação, o sexo e suas variações serve também como grande auxiliar. E coisas como poder tomar banho juntos, por exemplo, ou fazer sexo no tapete da sala, todas são alternativas, iguais a muitas de que a fantasia é rica. E, de novo, a feniletilamida pode voltar a se secretada no cérebro, ainda que transitoriamente.  &lt;br /&gt;                     Ou, de outra forma, a canalização da criatividade, inerente à libido, a mesma que gerou os filhos, que pode ser transformada na criação em conjunto de algo que envolva o trabalho ou o prazer ou talvez os dois, onde as duas pessoas experimentem a sensação de estar indo pra frente, andando a vida de forma paralela e muitas vezes convergente, com objetivos comuns e sentindo-se úteis. São os tão eficazes projetos em comum.&lt;br /&gt;  E assim passará o tempo de forma prazenteira e suportável, até que chegam os netos. Esses sim! Que definitivamente revivem nos mais velhos as sensações de paternidade e maternidade já arquivadas, condição agora mais facilmente executável por não envolver tanta responsabilidade. Mas que, na verdade, dão vida nova às emoções. Uma espécie de providencia da natureza que premia os avós pelo esforço de ter criado filhos com muito mais sacrifício, preocupação e zelo;  e que, agora, nesta condição de avós, é como disse Oswaldo Aranha: "São os netos, como se fossem os filhos com açúcar"!  E, também por isso, muitos casais permanecem juntos e revitalizam suas uniões ao se dedicarem às expectativas depositadas nesses novos filhos.&lt;br /&gt;  Nada desta receita de convívio longevo fugirá dos mesmos motivos que levaram as suas alianças a fazerem sulcos permanentes em seus dedos ou a seus rostos ficarem parecidos pela convivência, já que viveram as mesmas emoções e já que estas nos moldam as feições. Nada que fuja das alianças de suas almas cujos ectoplasmas se continuam; nada, nessa receita fugirá dos motivos que os impedisse de viver algum dia separados e que os fazem freqüentemente morrer quase juntos. Ser, enfim, como diz o poeta Vinícius: “ de preferência, um só defunto, para não morrer de dor”. Recentemente, dois colegas, um nonagenário, por certo com seus 70 anos de vida conjugal e  outro com pouco mais de 60 anos, 40 deles com uma vida  em comum, emocionaram a platéia, em um encontro médico em Bagé, ao falarem das dores de enviuvar...      &lt;br /&gt;                     E os pares idosos ficaram assim porque ganharam com o tempo virtudes que somente a eles é dado desenvolver, como a prudência, a bondade, a amizade, a generosidade, o desprendimento, a tolerância, o entendimento, o companheirismo e uma outra virtude importantíssima que certamente veio desde o início como seu corrimão moral: o respeito entre si, sem o qual relação humana nenhuma sobrevive. E são os mesmos velhos, que quando a saúde física os permite, fazem sexo com igual prazer e com mais freqüência do que nós imaginávamos em nossas mocidades.&lt;br /&gt;  E que, além do mais, exercitam a condição de velhos com resignação e prazer, mas que usam o recurso de se comparar aos seus iguais com igualdade. E assim exercitam suas juventudes de antigamente. Como nós, aqui, hoje!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, então, vocês perguntarão ou exclamarão: com toda essa teoria, a prática para o “negro Brasil” não deu certo!?  Ou a sua teoria na prática foi outra!? - já que me apresento hoje, aqui, e aproveito para lhes apresentar minha terceira esposa, que se chama Leslie.&lt;br /&gt;É verdade: no 1º, no 2º e no 5º ano, eu compareci com  a Ruth. &lt;br /&gt;A partir do 10º ano até os 35 anos, lá em Jurerê, eu compareci com a Nia...&lt;br /&gt;Pois, fui feliz com elas duas, cada uma a seu tempo.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Acontece que ainda não lhes falei sobre os motivos, a meu ver, que dão a solidez necessária à sustentação e a garantia da permanência na relação a dois. Motivos racionais – que resultam em produto sentimental - que dão durabilidade ao acasalamento no longo curso, sem que ele vire uma “aturação” ou uma acomodação feita de retalhos idealizados e não de um conjunto real de fatos positivos. E com cuja explicação deixarei de tomar-lhes a atenção logo, logo, pois já me alonguei demais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes, um breve parêntese sobre minha relação pessoal  atual: &lt;br /&gt;A Leslie é, finalmente, o amor da minha vida! Desde os meus 15 anos, quando passei a idealizar que eu teria que formar um lar que fosse melhor que o que me formou, em uma evolução natural, ela já era a minha companheira ideal. Pois vivi longos anos com as duas primeiras esposas - uma delas, Nia, a quem sou muito grato por ter  contribuído para que eu chegasse a atingir, há vinte anos,  a abstinência total do álcool – pois, procurava nelas, consciente e inconscientemente, a ela, Leslie. E, note-se que na minha relação com a primeira e até quase a metade da relação com a segunda, ela nem nascida era. Nesse meio tempo, Deus a fez nascer, crescer, ser feliz, sofrer, desiludir-se e amadurecer. E me entregou-a em uma idade para que eu possa  ainda dar-lhe uma terminação na criação, guria que ainda é, apesar de já ser avó; é uma grande responsabilidade para mim.&lt;br /&gt; Pois os pré-requistos de que lhes falei lá no início só foram encontrar ecos nela aos meus 60 anos, levados por forças convergentes, que pareceram casuais mas que certamente não  foram, nem todas forças voluntárias e muitas, até, que funcionaram como uma predestinação, que aflorou, vinda quem sabe donde, de  forma   forte e cristalina. Fecha parêntese.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  Assim, pois, atentem ao que segue! A condição mais necessária à duração em longo curso do amor romântico, entre casais, trata-se de uma virtude fundamental, qual seja: a admiração interpessoal. Certamente, mais forte que o amor! &lt;br /&gt;A admiração nascerá do cultivo - em substituição aos valores iniciais menos perenes, desgastáveis pelo tempo, como a beleza física, por exemplo - por virtudes de maior valor frente a uma fase mais madura da relação. &lt;br /&gt; Em um casal, por mais venturosa que tenha sido a sua relação desde um início e por muito tempo, seus membros não conseguirão a infinitude amorosa se não crescerem de dentro para fora, como pessoas humanas, individualmente, e de forma livre e bela, de modo a alimentar a satisfação de novos critérios a que o amor será submetido ao longo de sua existência a dois.&lt;br /&gt; Ao longo do tempo, é necessário, pois, que, passada a fase da avaliação inicial, biológica e ética, de cada par, mesmo na vigência de um bom e importante ajuste sexual, que novos valores sejam acrescentados a cada um, separadamente, para serem submetidos de tempos em tempos, a uma avaliação mais rigorosa da relação. Algo natural da ascendência de nossas mentes em busca do aperfeiçoamento.&lt;br /&gt; Invariavelmente, mais dia, menos dia, em não vendo atendido este imperioso pressuposto, o da necessidade de novos motivos de admiração interpessoal, grandes amores sofrerão desgaste, serão menos felizes ou serão infelizes e até sucumbirão.  &lt;br /&gt; É mais ou menos como captava da vida e transformava em prosa cada vez mais atual Vinícius de Moraes: ”É preciso ter muito cuidado com o corpo, mas também com a mente, pois, qualquer baixo seu a amada sente... e esfria um pouco amor”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes de finalizar, em homenagem a todos os nossos mestres do passado, gostaria de citar breves versos de um professor nosso; cardiologista, psiquiatra e sobretudo poeta; o irriquieto Luiz Guilherme do Prado Veppo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Quando te decidires, segue! &lt;br /&gt;Não esperes que o tempo cubra de flores o caminho.&lt;br /&gt;Nem sequer esperes o caminho.&lt;br /&gt;Faze-o tu mesmo, e parte!&lt;br /&gt;Parte sem lembrar que outros passos pararam,&lt;br /&gt;Que outros olhos ficaram te olhando seguir!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi o que fizemos, abraçando a medicina, até aqui! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E para concluir, aterrissando na congregação em si desta noite, quero dizer-lhes do meu convencimento que, em matéria de tempo, quarenta e seis anos é muito pouco para quem cultiva com esmero os sentimentos de coleguismo e amizade que aqui nos une, nessa festa. E vejam que muitos colegas já estão juntos e assim continuam desde as classes escolares, há mais de cinqüenta anos!&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Celebremos, pois! Um VIVA! a todos nós!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Teoricamente, ainda temos o tempo de uma geração inteira a cumprir. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E a comemorar!  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Recebam um amplexo apertado, um ósculo nas faces de cada um e uma aqui presentes e muito obrigado pela atenção de vocês.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4386567014687067531-135527294683750067?l=jbtvariedade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4386567014687067531/posts/default/135527294683750067'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4386567014687067531/posts/default/135527294683750067'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jbtvariedade.blogspot.com/2009/11/discurso-dos-40-anos.html' title='Discurso dos 40 anos'/><author><name>José Brasil Teixeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08416937196654251154</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4386567014687067531.post-5683598838949829547</id><published>2008-11-29T12:51:00.001-08:00</published><updated>2008-11-29T12:51:40.423-08:00</updated><title type='text'>Istambul</title><content type='html'>Nunca imaginamos que um dia incluiríamos esta cidade em um roteiro de viagem, porque nos parecia tão remota, tão distante, parte dela na Ásia, etc. No entanto, foi uma estada por demais apaixonante pela pluralidade de reminiscências históricas, apresentadas de forma tão farta e com semelhante amplidão cultural; tudo lá é história.&lt;br /&gt;         Quem chega via aérea a Istambul, visualmente se surpreende com as centenas de minaretes que apontam aos céus desde suas mesquitas; numa cidade de 18 milhões de habitantes de maioria muçulmana, religiosos praticantes, imagine-se! A cidade do alto parece um grande paliteiro, mas a primeira impressão foi de que aquelas estruturas fossem antenas de telefonia móvel.... Só depois, em terra, foi que se pode avaliar o quanto o povo cultua sua religião oficial, em toda a sua vastidão, ainda que não seja a única religião, pois com ela convive também a religião cristã ortodoxa.&lt;br /&gt;         Aliás, Istambul, que deriva de Stambo ou todos muçulmanos, foi fundada pelos gregos, como  Bizâncio, aproximadamente, no ano 650 a.C, sendo portanto uma cidade com mais de 26 séculos de existência. Desde sua fundação, foi a capital do florescente Império Bizantino, que entre guerras, destruições e incêndios durou até que Constantino I a declarou capital do Império Romano do Oriente, chamando-a a seguir de Constantinopla. Sua importância sempre se deveu à sua localização geográfica, às margens do Estreito do Bósforo, único caminho de ligação da Ásia com a Europa, lugar estratégico para o conhecido “caminho da seda” e outras especiarias que vinham da China e da Índia para o Ocidente.&lt;br /&gt;         Por sua importância, sempre foi alvo de muita cobiça e conseqüentes muitas guerras, até que no ano de 1453 foi tomada pelos turcos, tendo sido renomeada como Istambul, capital de um império que se fez vasto, o Otomano, tendo permanecido como capital até 1923, quando a moderna República Turca foi fundada pelo General Attaturk, uma espécie de ícone nacional, respeitadíssimo e venerado como líder libertador e organizador da nova nação turca que, no entanto, transferiu a capital nacional para Ankara, mais ao centro do país.&lt;br /&gt;         A Catedral de Santa Sofia, enorme, em estilo bizantino, uma das referências turísticas, de origem cristã, quando da queda de Constantinopla, foi transformada em mesquita, tendo-lhe sido acrescentado quatro minaretes à sua estrutura original, a qual já havia sido incendiada e reconstruída ao tempo de Constantino. Como ficou uma querela entre cristãos ortodoxos e muçulmanos sobre o posse e utilidade do templo, Attaturk a transformou em museu, assim podendo ser usada por todas as religiões. Das ruas brotam extensas muralhas de diferentes datas, desde Bizâncio, em muitos pontos da cidade; existem tantos escombros de valor histórico, que o metrô foi feito de superfície, para não bulir com as relíquias do passado enterradas em seus subterrâneos. Anda-se em uma das suas principais vias, perto da Universidade de Istambul, que data do ano 425 d.C, e encontra-se restos de um arco em homenagem ao Imperador Theodósius, do ano 395 d.C. Outro ponto de visita obrigatória é o Palácio de Topkapi, residência do Sultão Ahmet, quase uma cidade, onde só a cama do seu habitante mais ilustre mede 3 por 4 metros(12 metros quadrados), com vasta habitação para seu harém, intangível e inexpugnável. Mas quem decidia quem dormia com ele era a sua mãe(hehehehehe!). Aliás, em outro castelo, o de verão do Sultão Abdul Aziz , a mãe do sultão tinha seu quarto em situação estratégica, também para controlar as “noras”.... Como se vê, mãe é mãe em todo o lugar... e, da mesma forma, sogra é sogra.&lt;br /&gt;         O Bósforo é um canal que liga o Mar de Mármara ao Mar negro, o qual separa as duas metades da cidade de Istambul, metade na Ásia, outra metade na Europa. Sua travessia antigamente era feita por balsas e desde 1978 foram construídas duas pontes entre os continentes. À propósito, com a queda de Constantinopla e o fechamento do Canal do Bósforo pelos turcos, os ocidentais europeus se obrigaram a  buscar novos caminhos para o oriente, o que propiciou a Colombo e Cabral a nos acharem......&lt;br /&gt;         Em relação ao povo, alguns detalhes chamam especial atenção: o caos organizado de seu trânsito, onde a vaga para estacionar, mas principalmente, para passar e seguir em frente, é sempre de quem bota o bico primeiro, mas ninguém bate seu carro e muito menos se xingam. Outro detalhe é a capacidade de trabalho de todos, tudo é comércio, dia e noite, revezando-se entre o trabalho formal e o informal, o dia inteiro e a noite inteira. Tanto que a tradicional reza nas mesquitas, cinco vezes por dia, foi substituída pelos cânticos religiosos que emanam dos alto-falantes dos minaretes, já que a imensa maioria não pode parar para rezar de maneira formal.&lt;br /&gt;         Encantados por vender, o freguês sempre tem que sair de suas tendas levando algo, não interessa que seja até por menos da metade do preço inicial. E se for uma mulher bonita, então, herança do espírito do sultanato, os vendedores se desdobram em gentilezas, sempre dentro de um absoluto respeito, mas a freguesa tem sair satisfeita. Exemplos notáveis tivemos, desse tipo de proceder gentil e galanteador, num local chamado de “Gran Bazaar”, uma espécie de (super)mercado persa, com 4.400 lojas enfileiradas, uma verdadeira babilônia, luzente de tanto ouro, um verdadeiro fartão aos olhos..... e ao bolso!&lt;br /&gt;         Você quer saber mais, na verdade tem muito mais; pois, dê uma chegada em Istambul, vale a viagem; parece longe, mas não é. Você volta outra pessoa!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4386567014687067531-5683598838949829547?l=jbtvariedade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4386567014687067531/posts/default/5683598838949829547'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4386567014687067531/posts/default/5683598838949829547'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jbtvariedade.blogspot.com/2008/11/istambul.html' title='Istambul'/><author><name>José Brasil Teixeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08416937196654251154</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4386567014687067531.post-7128500255613095627</id><published>2008-11-29T12:48:00.000-08:00</published><updated>2008-11-29T12:49:32.120-08:00</updated><title type='text'>Na Grécia</title><content type='html'>Conhecia a cultura grega antiga e rica como normalmente todos fazemos, desde as salas de aula e depois pela busca de informações que, por se tratar de parte do nosso berço cultural, principalmente na medicina e na política, existe um arsenal farto ao dispor do conhecimento, para quem o busca; mas tudo o que carregava dessa cultura prévia se amplia sobremodo quando se toma contato físico, através de todos os sentidos e muita atenção despendida, ao se conviver mais de perto com os fatos e as circunstâncias.&lt;br /&gt;         A Grécia é um país branco de tanto de mármore, onde essa rocha é farta pela natureza vulcânica de sua formação geológica: coisas comuns, como calçadas de rua, calçamento de praças e muitas coisas incomuns dele são feitas. Montanhas e ilhas que existem em penca são de puro mármore, o que lhe confere um visual surpreendente, até com escadarias em rochas brutas de mármore. Além do que, as cores nacionais são o azul e o branco, motivo pelo qual, principalmente nas ilhas gregas visitadas, as casas, via de regra, são de paredes brancas e as aberturas em azul; pequenos povoados costeiros todos com essas cores claras, o que lhes confere beleza singular. Por ser montanhosa na parte continental, as ilhas da Grécia são também da mesma origem vulcânica, o que lhes dá uma outra característica: um mar de um azul nunca visto antes, o qual bate direto nas rochas que sobem desde suas margens, quase que sem praias, limpo de causar admiração, mesmo nos portos nos quais nosso navio atracava e onde, normalmente, as águas são poluídas; também ali  o mar seguia azul e limpo de se enxergar o fundo. Ilhas pequenas, médias e grandes, com a vida voltada para o comércio turístico, muitas com histórias que envolviam a mitologia, outras com histórias de guerras passadas e famosas para contar; e outros atrativos, tudo novo, tudo emblemático.&lt;br /&gt;         Um país de mais de 2.500 anos, viu florescer no seu seio uma cultura ímpar, com uma antiga crença politeísta, hoje cristã ortodoxa, uma mitologia riquíssima, a qual baseava-se no comportamento comum das pessoas, tendo por isso se incorporado à cultura universal. Uma terra, que depois de sedimentada como nação, foi berço de grandes pensadores, os quais, Platão entre eles, inventaram a democracia através da participação dos homens comuns em decisões comunitárias, tendo suas cidades organizadas em forma de estados. Protagonista de muitas guerras, submetida a grandes vitórias e muitas derrotas, incorporada ao Império Persa e ao Império Romano, quando o Imperador Romano Adriano teve na Grécia seus dias de fulgor, como bom governante. E a Grécia sempre lhe foi grata, erigindo monumentos em sua homenagem. Também, pudera, foi na Grécia que o imperador encontrou o amor de sua vida, um mancebo chamado Antino, que por onde ele passava mandava erigir uma estátua. Era mais ou menos assim, quando o Imperador chegava cansado das conquistas ou da administração daquela parte dos seus domínios, para descansar, sentava no colinho do menino Antino! E virou moda, pois Platão e Sócrates, entre os mais famosos e confirmado por relatos contemporâneos, também cultivavam alunos, aos quais ensinavam e dos quais recebiam como paga o ”bafo no cangote”.&lt;br /&gt;         Na cidade de Atenas, na região da Ática, situa-se uma colina onde se localizam as principais ruínas do tempo de sua formação, as quais quase todos nós conhecemos por fotos, cujo conjunto se denomina A Acrópole, tombada pela Unesco e em atual ritmo de restauração. Todos os templos de mármore, hoje amarelado pelo tempo, o que não lhe retira a suntuosidade. E que deverá virar uma nova e bela atração quando completados os trabalhos de restauro.&lt;br /&gt;         Visitamos, também, um outro santuário dos tempos antigos, em Delphos, um lugar afastado 200 kms de Atenas e onde os deuses, pela altura do Monte Parnaso, moravam mais escondidos e mais perto do céu. Comunicando-se com seus consulentes através de sacerdotes privilegiados, os quais, de sua parte, também não se envolviam com a plebe, dando as respostas dos deuses (misturadas a seu modo) às pitonisas, que eram as interlocutoras. Logo, se as consultas não saíssem de acordo com os desígnios, a culpa ficava por conta da comunicação.&lt;br /&gt;         Aliás, os gregos antigos, além de inventarem os mitos e seus protagonistas, todos vivendo situações do cotidiano e que foram muito bem aproveitadas pela psicanálise atual, para estudos da mente humana normal e seus desvios, também, para seu conforto espiritual, inventaram um deus para cada coisa, certa ou errada: o deus da caça, da guerra, do vinho , da farra, do amor, do erotismo, da colheita, dos mares e por ai se vai. E a cada passo, certo ou errado, sentiam-se benditos por esses deuses. Não deixava de ser uma boa filosofia de vida, sem culpa; o que é um conforto!&lt;br /&gt;         Foi uma viagem que acendeu e incandesceu nossa curiosidade e cultura pessoal, coroada por meu último jantar, na companhia da Leslie, com um prato típico chamado “Mussaka”, cuja receita certamente foi roubada da cozinheira de Zeus, o deus dos deuses, lá deles; degustado em um restaurante ao ar livre “dos deuses”. E muitas outras aventuras.....&lt;br /&gt;www.josebrasilteixiera.com.br&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4386567014687067531-7128500255613095627?l=jbtvariedade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4386567014687067531/posts/default/7128500255613095627'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4386567014687067531/posts/default/7128500255613095627'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jbtvariedade.blogspot.com/2008/11/na-grcia.html' title='Na Grécia'/><author><name>José Brasil Teixeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08416937196654251154</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4386567014687067531.post-6668295161179940735</id><published>2008-10-29T06:36:00.000-07:00</published><updated>2008-10-29T06:37:07.917-07:00</updated><title type='text'>Viajando</title><content type='html'>Logo depois que estourou a crise monetária internacional e que os bancos da Europa e da Ásia entraram em apuros, eu pensei comigo: tenho umas economias, uns euros que havia comprado na baixa e poderia vende-los na alta, como estava a cotação da época, se quisesse. Mas, como o Lula disse que nós estávamos saudáveis, tive um acesso de bondade e resolvi levá-los para o outro lado do Atlântico e deixá-los por lá, em sinal de solidariedade. Na base do, de euro em euro, juntando os meus minguados com os de milhares de japoneses e de alemães que andam soltos por lá, aos bandos, talvez eu pudesse modestamente auxiliar na crise. Em troca, pensei, ganharia um pouco de distração e cultura. Foi o que fiz, convidei a Leslie e  fomos, começando por Madri.&lt;br /&gt;         Partindo pelo aeroporto daquela cidade, um espanto, moderníssimo, com quatro módulos de um 1 quilômetro de extensão, cada um deles do tamanho de Guarulhos, o nosso maior. Tem até trem dentro, para deslocamentos de passageiros em trânsito..... Tudo funcionando nos horários marcados desde aqui, na compra das passagens e por toda a viagem. No caminho, nada de malocas ao longo da expressway de asfalto sem um buraco, “nem pra fazer um chá”, que nos levou à cidade. Uma cidade antiga, que conserva ainda o glamour de Agustín Lara e suas canções, dando a impressão que iríamos encontrar a Sarita Montiel cantando La Violetera num dobrar de esquina; e da extasiante música flamenca.. Casario alteroso, com sacadas de ferro, tudo antigo, mas muito bem conservado, misturado à modernidade e às construções monumentais, como o castelo dos reis atuais, o mais bem conservado da Europa, dizem eles, praças e parques de todo o tipo, com múltiplos chafarizes funcionando, tudo bem cuidado, inclusive pelo povo, pois não há lixo nas ruas, só lixeiras aos montes. Gente cordial, que falam entre si com uma veemência de quem está peleando, jeito deles. Muita polícia nas ruas, podia-se andar de madrugada, numa metrópole que não dorme, sem ter cuidados anormais, sem mendicância ou pobreza escancarada. E, sobretudo, sem nunca termos visto um cachorro de rua, a não ser os de porcelana feitos pela arte de Toledo, famosa por seu artesanato.&lt;br /&gt;         Em um tour nesses ônibus sem teto, tivemos a oportunidade conhecer melhor todo centro de Madri, tirei uma foto segurando as rédeas do Rocinante, o cavalo de Don Quixote, ao lado de Sancho Pança. Visitamos a Plaza Colón, com ele imponente desde o alto de uma coluna de 18 metros de altura, vislumbrando o Novo Mundo. Afinal, foi lá que os reis Afonso e Isabel, conforme ensinou-nos o Padre Germano, decidiram, depois da queda de Constantinopla, pelos turcos, procurar novas rotas pelo ocidente, o que os levou a mandar Colombo mar a fora, descobrindo assim a América. É essa a constatação da história, aproximadamente.&lt;br /&gt;         Digo aproximadamente, por que nenhuma história é bem como se conta; sempre sabemos uma parte da verdade, muita coisa se perde entre um ouvido e outro, entre uma percepção e outra, variando os relatos. E isso eu constatei nos museus que visitamos. Museu não falta em Madri, mas para conhecer tudo tem-se que passar dois dias dentro de cada um; com três grandes dos mais famosos, fora os menores, impraticável. No Museu do Prado, onde estão as obras dos pintores clássicos espanhóis, como Goya, El Greco, Velásquez etc, observei que cada um deles deu uma interpretação artística diferente sobre temas iguais. Por exemplo, sobre o Calvário ou a Morte de Cristo, ou sobre a Anunciação de Nossa Senhora, e outras obras clássicas, cada um pintou seu quadro segundo sua interpretação daquela determinada verdade histórica, muitas delas apenas simbólicas. Se, em uma interpretação pictórica é assim, pontos de vista diferentes, ainda que parecidos, mas nunca iguais e sobre temas iguais, com a história do mundo e das civilizações não pode ser diferente, não só pintadas, mas inicialmente contadas( como na Bíblia) e depois escritas. É na velha base do quem conta um conto etc etc; tudo que temos de informação sobre tudo pode deixar que não foi bem assim. Deve ter havido muito herói que só chegou na hora de desembainhar a espada para o alto, podem crer.&lt;br /&gt;         Um parêntese: Hei! Gorda dos Churros, observei,  também, que as rechonchudinhas quando pintadas nuas, eram as preferidas, mas com a        “ perseguida” sempre escondidinha, como regra. Fecha parêntese.&lt;br /&gt;         Aliás, tem um ditado espanhol que conheço há muitos anos, que diz: Todo és verdad, todo és mentira, según el angulo del cristal com que se mira! Pois, assim é a história do mundo. De lá, eu e Leslie fomos para Atenas, na Grécia e suas ilhas charmosas, depois Istambul na Turquia, mas é outra estória....&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4386567014687067531-6668295161179940735?l=jbtvariedade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4386567014687067531/posts/default/6668295161179940735'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4386567014687067531/posts/default/6668295161179940735'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jbtvariedade.blogspot.com/2008/10/viajando.html' title='Viajando'/><author><name>José Brasil Teixeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08416937196654251154</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4386567014687067531.post-5631033034472439558</id><published>2008-08-16T12:16:00.001-07:00</published><updated>2008-08-16T12:16:59.498-07:00</updated><title type='text'>A Gorda Bela</title><content type='html'>Acuado pela “Gorda dos Churros”, é minha intenção neste artigo fazer uma defesa da maleabilidade da beleza, em especial na defesa das gordinhas, embora delas não tenha nenhuma procuração.&lt;br /&gt;                   A história nos mostra figuras de mulheres eternizadas de várias maneiras pelos artistas; e as artes revelaram através da pintura e, mais recentemente, do cinema e da fotografia, mulheres que representavam o senso comum de suas épocas, ou de suas eras. Mulheres  que os artistas plásticos carregavam no seu consciente e que era produto também do ganho cultural deles, recente e/ou atávico e em um dado tempo. É assim que nas escavações egípcias foram encontradas figuras de mulheres esguias, de longos pescoços e com feições delicadas; já em outras culturas, por exemplo, da África Central, encontramos tribos onde as mulheres  tracionam com argolas seus pescoços na busca da beleza e pureza. Nas idades pré-históricas as mulheres apresentavam-se comumente com cabelos desalinhados e em posturas incorretas e na Idade Média apresentavam-se completamente cobertas, com longas vestimentas aparentemente inexpugnáveis, sendo que de seus rostos aparecia tão somente o entre o queixo e a meia-testa, período em que tanto dava se fossem gordas ou magras aos olhos de seus admiradores, pois que só se desnudavam no escuro, supõe-se.&lt;br /&gt;                   O pavor das gordurinhas a mais, nas moças e senhoras de nossos dias, é de tal monta que criou-se uma grande neurose ocidental em relação a esse odioso detalhe, a ponto de ser um negócio de muita atualidade, que movimenta somas incalculáveis de dinheiro, os regimes neuróticos de emagrecimento, as academias, que assim existem não somente por motivo de saúde, mas para tentar evitar ou combater os temíveis aumentos de perímetros, celulites e depósitos de adiposidades. Sem contar a proliferação, em níveis alarmantes, das cirurgias de lipoaspiração. Um comportamento tão” verdadeiro” e válido quanto o de que um carro novo que, teoricamente, representa parte da retidão de caráter, da personalidade bem formada e plenamente realizada de seu motorista ou proprietário(a).Sem esquecermos o incremento das balanças de farmácia e as de banheiro, as quais, habitualmente, comportam-se como grandes mentirosas, pois que "nunca estão certas". E que são seguidamente evitadas para que se drible a realidade.&lt;br /&gt;                   Artistas como Rembrant, Matisse, Renoir e outros de seu tempo, colocavam nas telas mulheres cuja plástica nada tinha a ver com a das mulheres de hoje em dia e aquilo era, no entanto, extremamente belo, eram as mulheres gordas da moda, extremamente sedutoras e charmosas. E o que é forçoso concluir-se é que eram obrigatoriamente mulheres atraentes e era, por certo, nesta sua robustez que as mulheres colocavam todo  o seu arsenal de persuasão sedutora.&lt;br /&gt;                   Já nos dias atuais, esse poder de conquista de uma mulher, ilusoriamente, é colocado na sua condição de ser magra ou no mínimo de não ser gorda. E assim passam, às vezes, uma adolescência, uma juventude e uma maturidade inteiras, ou até muito mais além no tempo, escravas de uma inimizade com as calorias que se tornam suas ferozes inimigas. Esquecendo-se que, muitas vezes, e é verdade, tem quem as queira redondinhas como são. E não é incomum que esta luta anti-fita métrica se transforme em neurose fóbica, com características de auto-consumismo. E quanta coisa boa carrega junto a gordura no temperamento saudável da pessoa gorda!!&lt;br /&gt;                   Certa vez, no início de sua carreira, Jô Soares, conhecido pela sua condição de excepcional gordo e humorista, fez um regime para emagrecer e perdeu muito peso. Neste período veio ao sul para um show e decepcionou o público pela sua grande inexpressão; o gordo inteligente e bem humorado tornara-se um cara sem gordura e sem graça. Tempos atrás, atendi no consultório, uma mocinha, filha de pai e mãe gordos, que embestou de emagrecer por motivos estéticos, fazendo violento e atentador regime alimentar em busca de uma beleza que, geneticamente, nunca seria a dela. Na época, já magra, portou-se como uma morta-viva, evidenciando estar emocionalmente triste e desconfortada. E só voltando mais tarde a sorrir, depois de recuperar seus preciosos quilinhos, passando a ostentar o viço de uma bela adolescente que era....e gordinha.             &lt;br /&gt;                   A beleza da mulher é proporcional ao charme que ela demonstre ao sentir as emoções, ao se portar, ao conversar, ao olhar, ao caminhar, ao se expressar, ao seu tom de voz, à sua capacidade de sugestão, à sua vibração, ao seu mistério; são detalhes igual a armas que tornam muito potente o seu poder de sedução. São coisas de peso que, asseguro-lhes, não dependem do peso corporal. Conheço várias assim, uma delas trabalha lá, outra acolá etc,etc.....e tem uma que não trabalha, só encanta!&lt;br /&gt;                   Esse é um ponto de vista estético, no entanto, a obesidade como um todo não deixa de se um problema de saúde pública!                                                                                                       www.josebrasilteixeira.med.br&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4386567014687067531-5631033034472439558?l=jbtvariedade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4386567014687067531/posts/default/5631033034472439558'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4386567014687067531/posts/default/5631033034472439558'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jbtvariedade.blogspot.com/2008/08/gorda-bela.html' title='A Gorda Bela'/><author><name>José Brasil Teixeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08416937196654251154</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4386567014687067531.post-5834683936976682345</id><published>2008-07-01T15:47:00.001-07:00</published><updated>2008-07-02T07:10:55.901-07:00</updated><title type='text'>Sócrates</title><content type='html'>O maior filósofo da antiguidade nunca escreveu um livro. Diz-se que não sequer leu ou escreveu e, apesar disso, seus discípulos que foram muitos deixaram para a posteridade o relato de suas doutrinas.Era filho de um escultor com uma parteira e afirmava que sua mãe havia recebido a incumbência de parir não filhos e sim idéias. Mediante perguntas e mais perguntas num severo e ordenado diálogo, Sócrates levava seus ouvintes a descobrir as grandes verdades da filosofia. Um de seus discípulos, Platão,escreveu:&lt;br /&gt;---Dou graças aos deuses por ter nascido grego e não bárbaro, homem e não mulher, livre e não escravo, mas, sobretudo, agradeço-lhes por ter nascido no século de Sócrates.&lt;br /&gt;Como este é um texto de curiosidades e anedotas não nos resta mais do que dissertar sobre o anedotário do filósofo, já que de sua filosofia nos faltaria espaço e competência. Sócrates disse um dia a seus amigos:&lt;br /&gt;---Na minha vida tive que lutar contra três grandes males: a oratória, a pobreza e uma mulher. Porém a reflexão me salvou da primeira, a fortuna da segunda. E quanto a terceira, desgraçadamente, o matrimonio me mantém ligado a ela.&lt;br /&gt;A mulher de Sócrates, Xantípa, era uma mulher de áspero caráter e muito irritadiça e Sócrates dizia que a havia tomado em casamento exatamente por isso, pois, conhecendo seu caráter, havia se acostumado a tolerá-la pacientemente com a idéia de chegar a perfeição no domínio de si mesmo e saber assim tratar com qualquer pessoa de difícil temperamento.&lt;br /&gt;Um dia cansado da falação interminável que lhe movia Xantípa, para não ouvi-la mais saiu de casa e se sentou num degrau da porta. Mas Xantípa irritada por não ter podido desabafar-se com seu marido, se vingou dele esvaziando em sua cabeça um balde de água suja. E Sócrates não mais que isso, disse:&lt;br /&gt;---Depois de tanto trovejar, não me estranha que agora chova.&lt;br /&gt;Seu discípulo Alcebíades lhe perguntou se não se cansava de ter que agüentar sempre os gritos de sua mulher, ao que ele respondeu:&lt;br /&gt;---Estou tão habituado a eles que não me fazem mais efeito que os ruídos de uma roda de carroça.&lt;br /&gt;Um dia que o filósofo estava comendo com um de seus amigos, Xantípa, que estava num dos seus maus dias, jogou no chão os pratos e copos que estavam sobre a mesa.O amigo indignado, se levantou com intenção de ir-se embora, mas Sócrates o tomou pelo braço e disse:&lt;br /&gt;---Porque te indignas?Ontem quando estávamos comendo em tua casa, uma das tuas galinhas subiu na mesa e derrubou todos os pratos de comida. Não nos rimos todos? Pois ri agora também que a coisa é a mesma!&lt;br /&gt;Talvez por isso, quando lhe perguntavam se casar era uma coisa boa,o filósofo respondia:&lt;br /&gt;---Te cases ou não te cases, te arrependerás de qualquer modo.&lt;br /&gt;Um dia Alcebíades tinha que pronunciar um discurso na Assembléia e tinha receio de enfrentar-se com o público. Sócrates então lhe disse:&lt;br /&gt;---Ouve Alcebíades, tens medo de falar com o carpinteiro Aristeu ou com o sapateiro Leandro?&lt;br /&gt;---Claro que não.&lt;br /&gt;---Então, porque te preocupa em falar-lhes quando estão juntos?&lt;br /&gt;Sócrates havia iniciado a ser escultor como seu pai e parece que com certa habilidade, mas abandonou a idéia logo,dizendo:&lt;br /&gt;---Parece-me ser uma grande besteira que um homem perca tanto tempo para dar a um pedaço de pedra o aspecto da figura humana, quando a maior parte dos homens fazem todo o possível para parecer pedaços de pedra.&lt;br /&gt;Em sua vida colocou os maiores esforços para vencer os impulsos da ira. Uma vez um escravo o atiçou sobremaneira e o filósofo lhe disse:&lt;br /&gt;---Se eu não estivesse irritado e colérico, te pegaria.&lt;br /&gt;Um dia encontrou um jovem que lhe pareceu, por sua fisionomia, inteligente, bom e modesto. Parou-o na rua, segundo seu costume e começou a interrogá-lo:&lt;br /&gt;---Onde se encontram as coisas necessárias para a manutenção da vida?&lt;br /&gt;---No mercado, disse o rapaz.&lt;br /&gt;---Muito bem. Mas onde se aprende a ser bom e virtuoso?&lt;br /&gt;---Não sei.&lt;br /&gt;---Pois bem, as duas coisas que te perguntei, a segunda é mais importante que a primeira.Vem comigo e te ensinarei.O jovem, que se chamava Xenofonte, o seguiu e se tornou um dos seus maiores discípulos e que depois da morte de Sócrates escreveu: "Apologia"e "Recordações de Sócrates".&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4386567014687067531-5834683936976682345?l=jbtvariedade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4386567014687067531/posts/default/5834683936976682345'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4386567014687067531/posts/default/5834683936976682345'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jbtvariedade.blogspot.com/2008/07/scrates.html' title='Sócrates'/><author><name>José Brasil Teixeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08416937196654251154</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4386567014687067531.post-4067568289353717528</id><published>2008-07-01T15:45:00.001-07:00</published><updated>2008-07-01T15:45:51.939-07:00</updated><title type='text'>A morte de Sócrates</title><content type='html'>Como todos os grandes homens, Sócrates teve muitos inimigos que não lhe perdoavam a influência cada vez mais crescente que exercia sobre seus discípulos e, em conseqüência, sobre a vida dos atenienses. Acusaram-lhe de delitos contra a religião e de perversão da juventude, o que hoje os historiadores não julgam como fatos comprovados.Tais imputações chegaram até os tribunais do povo e por maioria arrasadora foi, democraticamente,condenado à morte e, comprovava-se assim, que uma injustiça aprovada pela maioria, não deixa de ser uma injustiça, assim como uma estupidez cometida pela maioria não deixa de ser uma estupidez.&lt;br /&gt;                   Uma vez condenado à morte, sua mulher, Xantipa, foi visitá-lo na prisão, chorando. E Sócrates para consolá-la, lhe disse:&lt;br /&gt;        ----Não chores, Xantipa.Os juízes que me condenaram à morte, também eles estão condenados a morrer pela natureza.&lt;br /&gt;                 ----Sim, mas a ti te condenaram injustamente e é isto que me aflige!&lt;br /&gt;                 ----E eu te pergunto, estarias, então, mais contente se me tivessem condenado com justiça?&lt;br /&gt;                   Quando chegou a hora da sua execução, que aconteceria pela ingestão de uma porção de veneno, cicuta, Sócrates, com grande solenidade, falou aos seus discípulos sobre a temperança, a justiça, as virtudes, a liberdade e a verdade. E não esquecendo nada, disse:&lt;br /&gt;                ----No que diz respeito a vós, mais tarde farão também esta viagem, quando a cada um lhes chegue a vez e o momento. Como diria um herói de tragédia, a mim, neste instante em que o destino me chama, com efeito é chegada a hora em que devo banhar-me. Creio, sim, que é preferível tomar o banho antes de tomar o veneno e evitar com isso que as pobres mulheres tenham pena de lavar um cadáver.&lt;br /&gt;                   Platão sobre o fato, narra: "Uma vez que tivesse tomado o banho, lhe trouxeram seus filhos e seus parentes. Falou com eles na presença de Critão, fazendo-lhes recomendações. Logo os dispensou e voltou a ter com seus discípulos. O sol estava já a ponto de ocultar-se e ao voltar do banho e da conversação familiar, sentou-se e a conversa durou então muito pouco, pois aproximou-se o servidor dos Onze, se apresentou e se chegando a Sócrates, lhe disse:&lt;br /&gt;                 ----Sócrates, a ti não terei que reprovar, o que, não sem razão, reprovo a outros que se mortificam e se maldizem quando venho a convidá-los a tomar o veneno por ordem dos magistrados. Tu, pelo contrário, observei repetidas ocasiões desde que estás aqui, que és o homem mais generoso, mais doce e o melhor dos que chegaram a este lugar. Eis porque estou seguro de que não te enfadarás comigo, se não que contra os responsáveis por tua condenação, aos quais conheces muito bem. Por conseguinte e como já sabes, o que venho anunciar-te, aceites o meu adeus e trata de suportar da melhor maneira o que te é inevitável. Dito isso, o arauto virou-se e sem poder conter as lágrimas,se foi.&lt;br /&gt;                   Então Sócrates, dirigindo-se a ele, lhe disse:&lt;br /&gt;                ----Adeus para ti também. Farei tal qual me dissestes. E voltando-se aos discípulos, acrescentou:&lt;br /&gt;               ----Que bondade a deste homem! Viram? Durante todo o tempo em que aqui estive veio ver-me com freqüência para conversarmos.Sim, é um homem excelente de todo o modo. Agora mesmo, vejam a generosidade com que por mim chora! E acrescentou:----Então Critão, obedeçamo-lhes! Que me tragam o veneno se está triturado. Se não,que o triturem...&lt;br /&gt;              ----Mas, Sócrates!--argumentou Critão: --Se não me engano o sol ainda está sobre as montanhas e não terminou de ocultar-se! Ademais, sabidamente os outros não bebem o veneno senão muito tempo depois que os convidam a fazê-lo e só depois de haverem comido e bebido copiosamente. Inclusive alguns, só depois de terem um gozo íntimo e derradeiro com uma pessoa de sua escolha. Não te apresses, pois, que todavia há tempo.&lt;br /&gt;             ----Natural é -retrucou Sócrates- que as pessoas a que te referes&lt;br /&gt;se conduzam dessa maneira, já que assim acreditam estar ganhando alguma coisa. No que a mim toca, natural é também que eu não faça como elas, posto que creio que nada ganharei bebendo o veneno um pouco mais tarde. Ao contrário, me tornaria ridículo frente a mim mesmo apegando-me à vida e tratando de economizar uma coisa que já não me pertence. Obedece-me, pois, sem contrariar-me.&lt;br /&gt;                   Ouvindo Critão a estas palavras, fez um sinal a um dos escravos que estava junto a ele e que dentro em pouco trouxe o responsável que lhe ministraria o veneno, o qual o trazia triturado em uma taça. Ao vê-lo, Sócrates disse:&lt;br /&gt;              ----Vamos ver, amigo, diga-me o que devo fazer, pois que aqui és o senhor das coisas.&lt;br /&gt;             ----Uma vez que tenhas bebido, deves unicamente passear até que sintas peso nas pernas e então, depois, deitar-te e o veneno desse modo operará por si mesmo. E dito isso lhe entregou a taça.&lt;br /&gt;                   Com serenidade perfeita, Sócrates a pegou sem tremer, sem mudar de cor ou de semblante e olhando de cima como de costume, lhe perguntou:&lt;br /&gt;              ----Diga-me, é permitido verter um pouco deste líquido para  algum deus?&lt;br /&gt;              ----Nós trituramos exatamente a quantidade que deves beber.&lt;br /&gt;              ----Entendi, disse Sócrates. Mas, ao menos se pode pedir aos deuses que facilitem a passagem deste mundo ao outro.Pois bem, tal é a minha súplica e oxalá me atendam!&lt;br /&gt;                   Apenas dito isso, levou a taça aos lábios e entornou-a até a última gota com uma tranqüilidade e calma perfeitas.&lt;br /&gt;                   Ainda segundo Platão: "Até ali todos os discípulos havíamos sido capazes de conter as lágrimas à custa de grande esforço, mas ao vê-lo beber e logo que terminou, já não fomos donos de nós mesmos. Ao que me tocava, deixei correr à torrente as minhas e cobrindo a cabeça comecei a vertê-las sobre mim mesmo, pois não era a desgraça do condenado, senão a minha, que lamentava, ao ver-me privado de um companheiro tal qual ele. Por certo, já antes de mim,Critão, impotente de deter seu choro, se havia levantado disposto a sair, enquanto Apolodoro, que desde antes não havia deixado de chorar um só momento, se pôs a gritar de tal modo que seu pranto e lamentações partiam o coração de todos os presentes, menos de Sócrates, que nos disse:&lt;br /&gt;             ----Mas o que lhes ocorre? Vocês são o que não há...!Se, precisamente, mandei embora as mulheres, foi para evitar seus lamentos exagerados e porque ouvi dizer que era melhor, para o momento, palavras de bom augúrio.Portanto,tenham calma,sejam valorosos!&lt;br /&gt;                    Ouvindo estas palavras, todos sentiram vergonha e deixaram de chorar. Ele,de sua parte, se pôs a andar e quando declarou que suas pernas pesavam, se deitou de costas, como o homem lhe havia recomendado.Então, o que lhe havia dado veneno, começou a tocar-lhe com as mãos a cada momento, examinando seus pés e suas pernas e logo beliscando um pé, perguntou-lhe se sentia algo. Sócrates respondeu que não. Em vista disso, fez o mesmo com a parte baixa das pernas e, subindo depois, fez compreender aos presentes que começava a esfriar-se e a tornar-se rígido e declarou que quando o frio alcançasse o coração, Sócrates morreria. Já a parte correspondente ao baixo ventre estava quase gelada, quando Sócrates, descobrindo o rosto que havia coberto, disse,e estas foram as suas últimas palavras:&lt;br /&gt;              ---Critão, devemos um galo a Esculápio. Não te esqueças de lhe pagar esta dívida!&lt;br /&gt;             ----Assim será feito. Vê se tens mais algo mais a dizer-nos.&lt;br /&gt;                   A pergunta de Critão ficou sem resposta. Logo ele teve um sobressalto e o homem então o descobriu totalmente. Seus olhos estavam imóveis.Vendo-os, Critão os fechou, assim como a boca.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4386567014687067531-4067568289353717528?l=jbtvariedade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4386567014687067531/posts/default/4067568289353717528'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4386567014687067531/posts/default/4067568289353717528'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jbtvariedade.blogspot.com/2008/07/morte-de-scrates.html' title='A morte de Sócrates'/><author><name>José Brasil Teixeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08416937196654251154</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4386567014687067531.post-2409832619790534945</id><published>2008-04-22T14:27:00.000-07:00</published><updated>2008-05-07T08:37:28.303-07:00</updated><title type='text'>Se pensa que sabe? Engano Seu</title><content type='html'>A propaganda é um ser que emana de alguns homens criativos e que, pelo seu poder de convencer pode ser chamado de voraz e fantástico. É na sua prática onde se encontra um indiscutível substrato para criar e donde surgem prodigiosos produtos de extrema originalidade. O que provam freqüentes obras de arte no ramo, espalhadas ao nosso julgamento crítico e à nossa absorção; geralmente visuais ou auditivas, as quais podem até ir além da capacidade de vender ou divulgar algo, apenas encantando-nos, chegando perto de serem admiradas como sendo o produto em si.&lt;br /&gt;Modernamente, são poucos os ramos da atuação humana onde de maneira quase tão perfeita se posse mostrar a criatividade da mente como na propaganda!&lt;br /&gt;Ela vem associada à mídia, que a veicula, sua maior e mais fiel aliada, a qual a sustenta. E, ao mesmo tempo que dela se alimenta, é o arcabouço nervoso que leva o impulso aos mais longínquos receptores, tornando-se irresistível ao que se propõe. E dizer que tudo começou com o cocorocó da galinha; seguindo-se, depois, o antigo "reclame". E hoje comanda o mundo, queira-se ou não.&lt;br /&gt;Ao final desta cadeia está o consumidor, nós em última análise. Como nunca se ouviu falar que um produto faça propaganda dizendo-se ruim, tudo de que ela fala passa a ser bom. E não tem essa de que só o produto melhor tem maior convencimento. Mas, se é fato que todos são bons, a verdade é que mais da metade do que é veiculado não resiste a uma crítica mais acurada. Acontece que a propaganda, além de convencer-nos, ainda vem retirando de nós, como público consumidor, a capacidade crítica de julgar, pois ela é que sabe. Um produto bem veiculado, basta estar ao alcance que vende mesmo; seja para você, sua mulher ou seu filho, em ordem crescente de persuasão.&lt;br /&gt;Assim, se você pensa ser o que mamãe idealizou, um camarada dono do seu nariz e com opinião definida, engano seu. Você é e gosta do que mídia empurra em sua cuca vulnerável, ao charme do pingo disso, do chips daquilo, dos sandys e jrs da vida, kellys, ratos e tudo mais. De tudo que acontece e se move no Big Brother, um programa quem em nada colabora com a cultura ou movimenta o intelecto do humano assistente, sobrevivendo em audição apenas porque explorou os sórdidos sentimentos imperceptíveis do espectador. Além do quê, satisfez a vocação ao “fresteio ou voyaerismo ” de muitos. Uma mídia que vive até do charme- é possível? - de um candidato a presidente da república, nada lhe escapa. Salvo alguns consumidores heróis e restantes, que usam de desconfiança, convencimento prévio e determinação para escapar dessas. Se não, crããã, óh!.&lt;br /&gt;Ademais, como ciência viva, a propaganda cria coisas rapidamente finitas, transitórias, para que logo ali um novo apelo tenha lugar. Com músicas, artistas, tudo que se compre ou admire e até alguns valores morais é o que acontece, não é mesmo?&lt;br /&gt;Então, o gosto que uma pessoa tem por alguma coisa, na verdade, quase sempre não lhe pertence. E, ademais, prepare-se para substituir logo ali aquilo que você, originalmente, ainda gosta, para adotar aquilo que a propaganda entenderá que é o melhor você.&lt;br /&gt;Esta é a sua especialidade, é uma ciência bem estudada que gosta por você. E você, um consumidor sem cérebro, é apenas uma simples pessoa-objeto. E para tal, a propaganda conhece as emoções e a fisiologia do comportamento humano muitíssimo melhor que o próprio dono.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4386567014687067531-2409832619790534945?l=jbtvariedade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4386567014687067531/posts/default/2409832619790534945'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4386567014687067531/posts/default/2409832619790534945'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jbtvariedade.blogspot.com/2008/04/se-pensa-que-sabe-engano-seu.html' title='Se pensa que sabe? Engano Seu'/><author><name>José Brasil Teixeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08416937196654251154</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4386567014687067531.post-4592179918342942802</id><published>2008-04-22T14:26:00.000-07:00</published><updated>2008-05-07T08:49:30.858-07:00</updated><title type='text'>Gingle bells, é Natal!</title><content type='html'>Esta crônica, pela data que se comemora nso dias próximos ao Natal, se possível deverá ter o caráter de um presente, talvez não tão enfeitado como o leitor merece, uma vez que o papel que tenho para sua decoração é o papel branco da folha em frente, o qual tratarei de encher com um pouco de idéias pessoais, íluminadas, tomara, pelo saber e os sentimentos do milenar aniversariante, se não for muita pretensão deste que aqui maltraça.&lt;br /&gt;Desde pequeno aprendí com duas posições familiares que o Natal tinha duas correntes, uma mais contemplativa e outra mais infantilmente participativa, talvez resumindo uma das coisas que o decorrer da vida me ensinou, ou seja, que cada um sente a data de uma maneira particular, a maioria confraternal.&lt;br /&gt;Sem sombra de dúvidas, no mundo ocidental e cristão, nenhuma data é tão tradicional como essa e se para uns ela tem mais significado pelas trocas materiais, para outros é comemorado de forma espiritual. E pra outros, ainda, é uma data de festas, ainda que para todos essa seja a data maior festa da família. E esse é o grande significado do Natal no dias de hoje, a reunião dos distantes e a aproximação dos mais próximos, numa troca de afeto, pois é data de se desfazer pequenos e até grandes desencontros das relações humanas. Por isso, é comum ouvir-se pretensões de filhos e daqueles separados pelas circuntâncias da vida, a prometerem reencontrar-se no Natal, como se o fim do ano fosse o única data que não adimite o distanciamento. Talvez, em uma percepção que diz que nenhuma separação é definitiva até o próximo Natal. E é por ele e para ele que as pessoas passam todo ano se preparando de forma material e espiritual, mas, principalmente, se preparando para as trocas de afeto em família que ocorrem com certeza nesta ocasião, cheias de sentimentos positivos, convertidas em beijos e abraços. E se o Natal se transformou na sua arte, que, dia- a- dia, o torna mais belo e brilhante, mercê até da competição natural da alma humana, como ocorre em determinadas cidades e regiões e pelo mundo afóra, e se se transformou também comercialmente, não perdeu, no entanto, a essência da comunhão espiritual, uma vez que tudo isso é visto e participado, ainda e cada vez mais, em famíla, numa confraternização que é quase universal.&lt;br /&gt;Mas, se a época e feita de tudo isso, é feita também de expectativas, às vezes até de longa duração; expectativas baseadas no real e também no fantasioso, sobre o Natal e seus envolvimentos. E se também é uma data carregada de emoções, estas podem surgir de todos os tipos. E muitas surpresas com frequência nos esperam.&lt;br /&gt;O homem são é um projetista da sua vida, saiba disso ou não; e por tal, idealiza fatos e age sobre eles que, em particular, por sorte de uns e também por infelicidade de outros, é no Natal, no fim do ano e nesta época de festas que é feito um balanço das realizações de cada um. E muita constatação triste daí se extrai. Por outro lado, as chamadas depressões mascaradas, com as quais a pessoa convive razoávelmente bem durante o ano, nesse período se agudizam e os seus portadores despencam. E choram tristes na noite em que todos estão felizes, sem motivo aparente; isolam-se e por incrível que possa paracer, esta é uma época de mais suicídios explícitos decorrentes da depressão.&lt;br /&gt;Bem como, é uma época de muitos acidentes, os quais, ao serem analizados mais profundamente, nada mais são que suicídios velados, como adolescentes desvairados que se atiram à velocidade desenfreada e acabam, sem se darem conta, encontrando a morte. Habitualmente, nessas ocasiões, e quem trabalha ou já trabalhou em serviços de emergencia sabe muito bem, é que acontece esse pico de ocorrências. E, embora as depresões entrem em ebulição de forma marcante, se constituem em exceções.&lt;br /&gt;Mas é uma época, de outra forma, em que os otimistas e os equilibrados fazem seus planos para atravessar a ano seguinte; há os que os conseguem realizar-se, para sua felicidade e dos seus, como há os que não desanimam frente ao insucesso e humildemente, verificam suas falhas e reunem forças para começar tudo de novo, em um ciclo normal da existencia e seu " tropeça, cai e levanta".&lt;br /&gt;Como se vê, é uma época de fortes emoções e muita brotação de retomadas. E por ser assim é que as pessoas lotam estradas, aeroportos e rodoviárias, buscando os seus afetos, com quem efetuarão trocas e onde o presente é só o símbolo, a materialização do sentimento de amor. E se os natais de hoje, pela importância comercial, reverencia, aparentemente, menos diretamente a figura do homenageado, por outro lado, ganha em tributo e fortalecimento a entidade que, além de ser a célula de uma sociedade sadia, é o berço onde melhor pode vicejar o espírito do prórpio cristianismo, a família.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4386567014687067531-4592179918342942802?l=jbtvariedade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4386567014687067531/posts/default/4592179918342942802'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4386567014687067531/posts/default/4592179918342942802'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jbtvariedade.blogspot.com/2008/04/gingle-bells-natal.html' title='Gingle bells, é Natal!'/><author><name>José Brasil Teixeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08416937196654251154</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4386567014687067531.post-5559224455239805249</id><published>2008-04-22T14:25:00.000-07:00</published><updated>2008-05-07T08:57:25.070-07:00</updated><title type='text'>Dois pra lá, dois pra cá</title><content type='html'>Agradeço de todo o coração a oportunidade que esta crônica me dá para dizer o que segue: se um dia eu fosse entrevistado por algum veículo de comunicação ao vivo e perguntado, em matéria de criação, qual a pior coisa feita na Brasil nos últimos 35 anos, eu diria sem deixar cair a bola “---O rock brasileiro; desafinado, sem melodia, sem harmonia, de conteúdo duvidoso, sem inspiração, de poesia dúbia e escassa, ruidoso, barulhento e audiologicamente nocivo”. Com todo o respeito às exceções, bem como à maioria dos de mau gosto.&lt;br /&gt;E, por outro lado, esta é uma opinião que direcionou a minha atenção para uma novela que vinha sendo veiculada por aqueles dias. A qual reacendeu-me o prazer de ouvir boleros, mambos, chá-chá-chás e outros ritmos caribenhos e centroamericanos. Além, é claro, do prazer de ver reativada, ao menos na tela, a dança de par em toda a sua sensualidade e romance.&lt;br /&gt;Você se lembra da dança de par? Se fazia tempo que não via, ligasse a TV à noitinha, ou aos doimngos a à tardinha, pois até o Fautão a está estimulando como verdadeira raridade. E, por favor, não procure aclarar suas memórias assistindo bailes contemporâneos, pois os magros de hoje são uma negação neste quesito; ainda que assim nem tanto sejam as magras, uma vez que as "pobres de par" chegam a dançar umas com as outras, à espera de atitude máscula.&lt;br /&gt;Aos que são ou foram do ramo, vou tentar trazer lembranças de 50 anos atrás, falando de orquestras, cantores e conjuntos que animavam bailes, noites afóra, clubes a dentro, na Bagé daquele tempo.&lt;br /&gt;Lá por 1960, o conjunto mais freqüente a embalar as reuniões habituais dos sábados era o do IMBA (Profª Geoconda Figueiró, Terezinha Figueiró, o Moreno na bateria, o Prof. do Acordeón,[que ainda dá aulas]etc). De vez em quando, vinha de fora o “Santa Cecília Serenaders”, lembram. E para bailes mais encorpados, tipo Exposições(3-4noites) vinham Sylvio Mazzuca, Waldir Calmon, Norberto Baldauf, Orquestra Tabajara e outras do padrão. Sem deixar de citar os cantores solistas: Lucho Gatica, Gregório Barrios, Jamelão, Nelson Gonçalves, precursores do romantismo hoje remanescente em Júlio Iglesias e em poucos mais. Esqueci alguém? É possível. Isto sem falar nas orquestras portenhas, as “típicas” castelhanas, Donato Raciatti, Héctor Varella, Mário Raciatti e outros, com seus bailarinos(as), os quais aqui vinham aprender alguns passos com o então Tenente Segredo e sua bela Magda.&lt;br /&gt;Diferente de hoje, quando os jovens ficam num canto a espera de melhores oportunidades em bailes de pouco romantismo, que me afugentaram dos salões por começarem quase às 2 hs da manhã e acabarem cedo. Naquele tempo, quando aos primeiros acordes, no máximo depois de um minuto, o Oriovaldo Álvarez, lembram?, o famoso Vadinho, já falecido, dançando na ponta dos pés para aumentar a estatura, abria o baile fazendo uma volta inteira bem por fora para mostrar a cara e o par, como um costumeiro deflorador dos salões. Depois dele, a ordem era cada um buscar seu par ou fazer uso bailante do seu cativo.&lt;br /&gt;A dança é um ato biológico de que muitos animais, insetos e vertebrados, fazem uso para demonstrar sua disposição sexual nos períodos apropriados. E que o homem adotou como arte, social e culturalmente permitida, mas que, marcadamente, manteve as características de origem primitiva. A dança de par que os ambientes dos clubes propiciavam, então e que em muitos lugares ainda é, a exemplo de outras culturas, traduzia-se em uma forma socialmente aceita e musicada de aproximação, para comunicação entre homens e mulheres, seguidamente em tom romântico. E onde muitas vezes a sensualidade se fazia presente, com a permissão moral da sociedade da época. Sem deixar de reconhecer, em estágio um pouco mais avançado, a existência de um certo grau de erotismo entre alguns casais. E foi assim que nasceu o “bate coxas”, o “cruza coxas”, o “entre coxas”..... e outros. Quê saudade!!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4386567014687067531-5559224455239805249?l=jbtvariedade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4386567014687067531/posts/default/5559224455239805249'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4386567014687067531/posts/default/5559224455239805249'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jbtvariedade.blogspot.com/2008/04/dois-pra-l-dois-pra-c.html' title='Dois pra lá, dois pra cá'/><author><name>José Brasil Teixeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08416937196654251154</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4386567014687067531.post-1804616353180599532</id><published>2008-04-22T14:24:00.000-07:00</published><updated>2008-05-07T09:14:12.950-07:00</updated><title type='text'>Considerações sobre a riqueza</title><content type='html'>A riqueza, vista como ausência de carências e, muito além disso, como sinônimo de fartura e até felicidade correlata, é uma condição que conduz a muitos enganos. Esteja-se incluído na sua graça ou fora dela. É uma circunstancia sobretudo polêmica e indutora de erros, tanto para quem a contempla ou como para quem a vive, sempre repleta de caminhos que perigam levar ao desvirtuamento. Além de ser uma condição que desde os tempos bíblicos induz a errôneos preconceitos, basta ver o que lá está escrito, de que é mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no reino de Deus. No entanto, pelos grandes riscos que oferece, a riqueza é também uma geradora de formidáveis virtudes em quem a possui e, como a pobreza, é cheia de preocupações.&lt;br /&gt;O pobre muitas vezes enxerga o rico com desprezo, desde que seja visto como um espelho da sua incapacidade de sê-lo, mas também vê a ele e/ou à sua riqueza como um paradigma fundamental, um objetivo fantasioso de vida a ser alcançado, num ato muitas vezes fora da sua realidade, por um erro de avaliação de suas reais possibilidades. Além de ver, na riqueza, a chance de ter uma felicidade que muitas vezes habita-lhe o entorno em profusão e que não percebe. Uma ilusão, um engano, pois se só os ricos fossem felizes, esta sensação, que é patrimônio humano de um estado de espírito especial e que habita, ocasionalmente ,em todos nós, não existiria nos pobres que não os invejam. E esta, a inveja, muitas vezes é uma dos pecados que a riqueza faz brotar em quem a admira a ponto de embriagar-se. E que, de sua parte, leva ao desprezo como um subproduto.&lt;br /&gt;O valor anormal e desviado que o pobre dá à riqueza e às coisas materiais, pode levá-lo a um caminho inidôneo e sem escrúpulos para alcançar fragmentos desta riqueza e, porisso, a entregar-se ocasional ou regularmente aos descaminhos, como ao furto e roubo, bem como a outras maneiras pouco ortodoxas de apropiação, como pedir emprestado e não devolver. Um outro defeito gerado no pobre pela riqueza alheia é o consumismo, ou seja, o hábito de possuir coisas que são características de quem as pode adquirir sem esforço. E pior que isso, muitas vezes em detrimento de coisas que fazem parte do seu mundo mínimo necessário, coisas como o pagamento do aluguel da casa em que mora, da alimentação, do vestuário e da escola necessária aos filhos. Em troca de um conforto caro e fora da sua primeira linha de necessidades.&lt;br /&gt;Em compensação, é no pobre onde mais claramente nasce a noção do valor do dinheiro. Sempre que possui um meio, é ele muito melhor pagador que o rico(os médicos sabem disso) e neles a gratidão é mais expontânea, bem como a noção de poupança é mais clara e evidente, por provável pressão da necessidade. E, também, o pobre tem condições de mostrar muita dignidade com essas coisas, experimentando uma felicidade que não sabe muito bem definir.&lt;br /&gt;E o rico? Este, se já nasceu assim, vem ao mundo sem conhecer muitas coisas da vida real e da vida de relação. A humildade é uma delas, esta uma virtude da introspecção e do ato de pedir, inclusive perdão, o que para quem tudo tem, ou pensa que tem, às vezes torna-se difícil. Este tipo de rico, que se pode chamar de circunstancial, facilmente torna-se um perdulário, arrogante, com luxuria e pouco caridoso. Além de, por não ter noção exata do ato de ganhar e juntar, poder tornar-se um esbanjador. Ainda que, em numerosos deles, a fartura não lhes faça muita diferença ou lhe modifique a personalidade e a conduta previamente bem estruturada em boas virtudes.&lt;br /&gt;No entanto, se se trata de uma riqueza adquirida com um longo e pesado esforço de anos de trabalho honesto, como muitas vezes acontece, as virtudes que brotam se sobressaem aos defeitos e estes não se tornam tão prejudiciais aos indivíduos em questão e nos circunstantes. Caridosos, por terem provavelmente conhecido a carência, mas com muito apego ao patrimônio e ao dinheiro, por saberem o preço que têm, podem, entretanto, se tornar avarentos.&lt;br /&gt;Ainda que, de um modo geral, nos ricos, por terem mais evidencia que o despossuído, os defeitos aparecem mais claramente, muitas vezes como um preço pago à sua notoriedade e outras vezes por ocorrência do sentimento de inveja e até de maledicência.&lt;br /&gt;Como se vê, a riqueza ou pobreza são duas condições ao redor das quais gravitam muitas virtudes e outros tantos pecados capitais, ao mesmo tempo que se constata que ambas tiram o sono de quem delas padece. E, na verdade, tanto a riqueza quanto a pobreza tem suas necessidades administrativas e o convívio com elas depende demais da capacidade do indivíduo e seu íntimo. Ademais, errou o ex-Pres. Fernando Henrique quando disse certa vez que ser rico é muito chato. Ou ele quis enganar o eleitorado ou não se deu conta que chato mesmo é ser incompetente para viver qualquer vida, independente de sua regência material.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4386567014687067531-1804616353180599532?l=jbtvariedade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4386567014687067531/posts/default/1804616353180599532'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4386567014687067531/posts/default/1804616353180599532'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jbtvariedade.blogspot.com/2008/04/consideraes-sobre-riqueza.html' title='Considerações sobre a riqueza'/><author><name>José Brasil Teixeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08416937196654251154</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4386567014687067531.post-6970937449777849139</id><published>2008-04-22T14:23:00.000-07:00</published><updated>2008-05-07T11:27:41.305-07:00</updated><title type='text'>Os ídolos doentes</title><content type='html'>O que seria de nossas mentes se não fossem eles e que estranho mecanismo cerebral do qual se formamos ídolos! Será o mesmo no qual se formam os deuses? Os ídolos, talvez, tenham um fascínio mais particular, produtos da idealização terrena do homem e são, principalmente, a complementação deste. Ao contrário dos deuses, mais distantes.&lt;br /&gt;Caminhando pela mente de todos nós, é possível que encontremos um ídolo correspondente, instalado no inconsciente e envolto em um crepúsculo e que clareia à aproximação. E o que é mais surpreendente, é que o ídolo assume a nossa cara, veste-se como nós gostaríamos de fazê-lo e porta-se do nosso jeito e gosto. Além do mais, ele escreve as nossas poesias, aquelas que nunca dissemos, expressando uma rebeldia ou uma paixão que em nós sempre foi silente. Ou compõe de forma admirável e vibrante as canções guardadas dentro do nosso peito. O ídolo em questão é bem falante e convincente; e o que é melhor, o ídolo é con-quis-ta-dor, acreditem! Além do mais, o ídolo se veste bem, é bem apessoado, é virtuoso, culto, educado ou largadão. Mora com a família ou se apartou dela; tem filhos, com quem mantém trocas de afeto e respeito, um verdadeiro paizão. E tem uma bela mulher, que fala pouco, é carinhosa, companheira, que passa muito bem as suas camisas, que é amante fogosa e que, também, é qui-tu-tei-ra. E é cheio de amigos, dos quais sua casa vive cheia e que lhe admiram; e aos quais lidera, dá conselhos e que muitas vezes dele até dependem. O ídolo pratica esportes, qualquer esporte, nos quais é sempre goleador, cestinha, pole position e melhor tempo; é musculoso, veloz, salta com vara e é ginasta, o ídolo carrega até a tocha. E além do que, canta e encanta.&lt;br /&gt;Mas, sobretudo, o ídolo sabe muito bem mexer com as coisas que nós, comuns, temos alguma dificuldade em fazê-lo; ele sabe mexer com as emoções, com todas elas, as mais variadas, principalmente com as nossas. O ídolo sabe chorar! E mais, o ídolo sabe sentir de modo certo aquilo que é de chorar e o faz com o mais profundo pesar. Amor e ódio, estes sentimentos que nos são tão fundamentais, ele os maneja com a mais perfeita maestria, com força, livremente, sem crimônia e na frente de todos. Ele é livre, não tem inibições, até rock canta com sua banda e tira a roupa no palco, coisa que escandalizaria a qualquer mãe, pois até isso ele faz! O ídolo é portador de uma esperança sempre viva, bem como dos sentimentos mais honestos. Mas, dependendo da mente que o abriga, ele pode ser tudo, englobando o bem e o mal.&lt;br /&gt;Psicológicamente, nossa principal relação com o ídolo se dá por transferência e projeção. Desta forma, o idólatra, por consegiur realizar apenas parte de suas intenções reais ou suas fantasias, deixa a realização do que for incapaz ou impossibilitado aos cuidados do ídolo, no qual se projeta. Mas, como os ídolos são exímios produtores de emoções e como de emoções todos nós vivemos, às vezes fica muito variável a cara do ídolo; porque podem ser variáveis as nossas sensações individuais.&lt;br /&gt;No entanto, nestes últimos 50 anos e talvez desde sempre, o que os idólatras em sua prática não perceberam ou admitiram, é que alguns ídolos foram mais reais que a idealização ou que o frenesi que deles emanou; e foram falíveis e vulneráveis. Não raras vezes o ídolo, por seu sucesso, objeto da veneração, adoece e por tal adota condutas autodestrutivas, porque a imagem de si próprio se fragmenta. Não percebendo que sua figura cativante diante da massa admiradora adquire uma responsabilidade de vulto; e a trai com condutas distorcidas e destruitivas que vão também servir de exemplo, o uso e abuso das drogas entre elas. Marylin, Elvis, Elis, Renato Russo, Cazuza, Raul Seixas, Cássia Eller, são alguns entre tantos; e outros que escaparam da fatalidadeq ue deram um péssimo exemplo perdendo-se no labirinto do sucesso e traindo a saudável liderança. E o pior, desavisada e perigosamente, em um mecanismo permissivo, viraram estrelas no céu onde se constituem em um paradigma para a juventude vulnerável.&lt;br /&gt;Não teriam tal fim se se espelhassem em Nelson Gonçalves, que foi um drogado da pesada, pediu socorro, libertou-se e fez um sucesso cristalino, verdadeiro e puro, até os 80 anos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4386567014687067531-6970937449777849139?l=jbtvariedade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4386567014687067531/posts/default/6970937449777849139'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4386567014687067531/posts/default/6970937449777849139'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jbtvariedade.blogspot.com/2008/04/os-dolos-doentes.html' title='Os ídolos doentes'/><author><name>José Brasil Teixeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08416937196654251154</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4386567014687067531.post-8922194473055276947</id><published>2008-04-22T14:22:00.002-07:00</published><updated>2008-05-07T13:07:47.562-07:00</updated><title type='text'>Osama  bin Laden, de anticristo a pró-homem</title><content type='html'>Das muito mais de mil guerras que são contadas na hsitória, ocorridas desde sempre até o presente, todas tiveram seus críticos e seus analistas. De todas elas, nunca se ouviu falar de ter havido somente vitórias e boas colheitas do lado vencedor, sem nada a perder, de imediato ou mediatamente. Com a guerra para alcançar Ossam bin Laden não será diferente.&lt;br /&gt;Em princípio, se a eventual humildade do povo americano tivesse entendido que a sua pátria, representada pelas armas, antes de 11 de setembro, já havia cometido atentados bem piores contra populações civis, mesmo sob o clamor arrazoado pelo horror que de lá despencou, teriam poupado o seu presidente da parte que lhes coube, qual seja a pressão popular ao olho por olho. Tivesse sido assim e teriam aproveitado a dor para colher mudanças, exercendo um aconselhamento sóbrio à uma tomada de modificações, à uma verdadeira revolução no estilo global americano oficial, mudando de comportamento e com forte influência sobre a cultura do americano comum, diminuindo-lhe as rejeições ao Tio Sam, no terceiro mundo.&lt;br /&gt;Esta guerra tem algumas peculiaridades: em princípio, lembremos a declaração inicial do Presidente Bush, na manhã do atentado, que foi por demais belicosa. Contrariamnete, ao tom mais brando adotado no discurso na noite daquele mesmo dia, bem em oposição à imagem de cawboy que atira e depois confere, que dele emanava. Dando, inclusive a impressão que ao correr dos dias reconsideraria o ímpeto inicial de ir à luta. A esse tempo, as pesquisas populares revelavam, entretanto, que o povo desejava um resgate cruento de sua alma ferida, a ponto de ter-se claro que, mesmo o governo tendo conseguido provas pouco convincentes e impublicáveis sobre a participação de Osama bin Laden, o presidente elegeu-o como o alvo principal, sob o protesto inicial apenas dos islâmicos viventes em paises ao redor de seu pressuposto esconderijo.&lt;br /&gt;Outra peculiaridade desta guerra é que ela, dada à quase inofensiva afegã, é travada de forma praticamente unilateral, resultando aos americanos, assim, todo o saldo moral e todo ônus que dela restar.&lt;br /&gt;Entretanto, se o atentado às torres gêmeas surpreendeu e uniu o mundo ocidental e, ad initium, proporcionou a adesão maciça ao redor dos Estados Unidos, com apoios oficiais, hoje, passados alguns dias do começo das hostilidades, incluindo pelo bombardeio de civis, o quadro pode ser visto de forma diferente pelos mesmos governantes aderentes, mas principalmente por seus povos, os quais evocam a paz. Incluindo, há que valorizar-se a forma exata como é visto o Sr. Osama bin Laden: se para o ocidente, em termos não exatamente absolutos, ele possa ser visto como um anticristo, no oriente próximo, médio e extremo, no cerne dos povos de fé islâmica, que equivale a um sexto da população do planeta, o mesmo tem sido evocado como um pró-homem de destaque invejável e quase ímpar.&lt;br /&gt;Pois, é esta população nada pequena que será certamente afetada e envolvida neste transcurso, um sério incômodo ao governo americano, mesmo depois, se sagrar-se um vitorioso. Já que está aparentando ser esta uma guerra contra um homem só, que será de conquistas pobres e de resgate incompleto, já que o terror é apátrida.&lt;br /&gt;Afinal, neste embrólio poderão beneficiar-se os palestinos com o apoio recebido de Bush para a criação do Estado Palestino, o qual, se foi dado agora, pergunta-se: Porque não veio antes? É possível que o horror do dia 11 de setembro em Nova York tivesse sido evitado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4386567014687067531-8922194473055276947?l=jbtvariedade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4386567014687067531/posts/default/8922194473055276947'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4386567014687067531/posts/default/8922194473055276947'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jbtvariedade.blogspot.com/2008/04/ossama-binladen-de-anticristo-pr-homem.html' title='Osama  bin Laden, de anticristo a pró-homem'/><author><name>José Brasil Teixeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08416937196654251154</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4386567014687067531.post-278913690162100419</id><published>2008-04-22T14:22:00.001-07:00</published><updated>2008-05-07T13:52:39.189-07:00</updated><title type='text'>Tempos depois do crash em Nova York</title><content type='html'>No dia da atentado em New York, em 11 de setembro de 2001, fui argüido da minha impressão sobre tudo aquilo; as coisas ainda estavam transcorrendo, muitas emoções em jogo, achei que qualquer coisa que dissesse seria diferente do que pensaria a respeito no dia seguinte, dias e tempos depois. O pânico de uns, a supresa de outros, os desejos de revide que afloraram, o desepero, a tristeza, o medo, a dor e a aflição são emoções que empanam o julgamento e a visão clara daquilo que é e foi real, bem como o entendimento das entrelinhas.&lt;br /&gt;O sábio tempo e seus efeitos nestas horas é muito útil; o próprio discurso do presidente americano, que teve um tom pela manhã, naquele dia, com promessas de revide de nível belicoso, teve um outro mais moderado, na noite de então&lt;br /&gt;Entender tudo era o desejado, desde os fatos e os símbolos, até as causas e suas evidências. A verdade é que os Estados Unidos, que participaram de duas guerras mundiais, nunca foram vítimas de uma espoleta se quer que rebentasse em solo americano. Este desábito pelo risco, associado aos repetidos sucessos em campanhas bélicas, fizeram do povo americano uma gente desacostumada ao que significa um conflito direto, uma agressão à sua integridade territorial, especialmente com derrotas. Além do que, ser cidadão em um país líder mundial em produção, economia e avanço tecnológico, de uma nação bem armada, de um império de muitos braços, incluindo os direcionados ao universo cósmico, mas, sobremodo, de uma nação rica e, por tal, poderosa, fez do americano um indivíduo portentoso, indiferente ao mundo externo que de regra culturalmente sempre ignorou, um arrogante circusntacial com explicado orgulho.&lt;br /&gt;Pois, foi exatamente no orgulho onde o eficiente terrorismo, condenado pelo horror gerado por sua covardia, mirou e acertou. Principalmente, por ser aquela uma nação onde o emblema da sua soberania bélica passou a ser a possibilidade do programado e discutivel programa antimíssil, preconizado pelo atual presidente, naqueles dias.&lt;br /&gt;Pois, um país com tal status defensivo foi atingido, sem aviso e sem defesa, aos olhos do mundo, em seu perfil carismático: nas torres gêmeas. Símbolo do progresso econômico do mundo moderno, localizadas em uma cidade considerada o umbigo cultural do ocidente, por um grupo alucinado de suicídas modestamente armados de facas e estilites. E usando os aviões nacionais transformados em armas mortais, matando muitos civís à bordo e milhares em terra. E em outro local, naquele que deveria ser a área mais segura da terra , o Pentágono, foi atingido com extrema facilidade. Em outras palavras, fosse aquele mapa americano um organismo vivo, teria tido rompida a silhueta da sua cara, bem como a imunidade física teria sido posta em grave risco.&lt;br /&gt;Baseado no quê, passadas as emoções, e anos mais tarde, a primeira coisa que os americanos pensam, hoje e daqui em diante será a constatação de que a sua suposta invulnerabilidade não existe. E, sem dúvida, concluirão que existe um mundo com alguns loucos, é verdade, além dos limites americanos, mormente, de seus limites culturais que carecem de algum tipo de consideração mais igualitária, principalmente com melhor distribuição do ser, do ter e do saber.&lt;br /&gt;Ouve-se, outrossim, com frequência e com justeza, que os terroristas atingiram preferentemente populações civís. Sei que os atingidos são nossos aliados econômicos  e até culturais, mas por acaso não foram os americanos que semearam exemplos neste particular quando bombardearam duas cidades japonesas? E as bombas de napalm sobre aldeias civís, no Vietnã? E as escolas com crianças, no Iraque? E no Sudão, uma fábrica. Atos que a TV não mostrou. E é claro, depois, em todas as vezes, foram pedidas desculpas....&lt;br /&gt;Nada justifica se o que houve naquela ocasião foi revide, mas talvez o passado explique. Existem antecedentes que devem vir ao campo da análise da consciência nacional, com humildade, para a boa reformulação que deverá haver da alma americana, em inevitável recomeço; antes de tudo, uma mea culpa é um gesto de honestidade. Primeiro, é preciso que seja esclarecida uma pergunta: porque aqueles atentados foram perpetrados contra aquele país e não contra um outro? Salvo insânia e fanatismo, não existe ação, mesmo cumulativa, sem reação e quase tudo tem motivo. E há que buscá-los além do que parece! Para começar, nenhum país com características imperiais fica muito rico sem que outros envolvidos não tenham alteradas para pior suas condições de crescer, até de forma grave e até gerando miséria humana. Sendo que, no caso, os americanos comuns, por óbvia alienação, disso nada sabem. Acrescente-se, aqui, que a maioria do povo americano não conhece o mapa do mundo. E estas tem sido ações que em alguns países podem gerar pequena insatisfação, em outros não geram reação alguma ou, então, o fazem de forma cruenta.&lt;br /&gt;Some-se como agravante, neste caso, que seu presidente assustou e atiçou o mundo com suas ações iniciais, como no caso da reativação da corrida nuclear, a negativa de proteger o ambiente ao não firmar o protocolo de Kioto, gerando repulsa universal, e uma retirada do seu país, na companhia de Israel, da conferência antiracista, que naqueles dias transcorria.&lt;br /&gt;Por outor lado, tem-se como boas constatações que, ao longo da história, o homem vem evoluindo no avanço de sua condição de civilização e no aprimoramento do convívio internacional, sempre respaldado no bem, pretensão maior da humanidade, salvo exceções. E que, embora proporcionalmente à densidade demográfica, existam cada vez menos conflitos, muitos avanços humanos fizeram-se às custas e em meio a estremecimentos, inclusive cruentos.&lt;br /&gt;Desta forma, com esta assertiva, no infortúnio daqueles dias em Nova York, foram criadas condições dolorosas para mudanças, as quais deveriam começar pelo povo americano ao perguntar-se sobre todas os questionamentos sugeridos pela dor que sentiram, mesmo que indo de encontro o seu próprio cerne. E que uma alternativa de guerra naquele momento iria empanar este amadurecimento. Pois, deu no que deu, os americanos estão novamente em um outro Vietnã, do qual não sabem como sair. Como já se pensava imediatamente ao atentado: aquele país nosso irmão nunca mais vai ser mais o mesmo. Pelo menos, não deveria! Mas, será que mudou alguma coisa?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4386567014687067531-278913690162100419?l=jbtvariedade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4386567014687067531/posts/default/278913690162100419'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4386567014687067531/posts/default/278913690162100419'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jbtvariedade.blogspot.com/2008/04/dias-depois-do-crash-em-nova-york.html' title='Tempos depois do crash em Nova York'/><author><name>José Brasil Teixeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08416937196654251154</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4386567014687067531.post-3647961706797148621</id><published>2008-04-22T14:21:00.000-07:00</published><updated>2008-05-07T14:01:58.345-07:00</updated><title type='text'>Estágio de civilização</title><content type='html'>Ao transformar o homem primitivo de errante, pela necessidade de buscar sua sobreviência na caça, em formações humanas sedentárias, acampadas à beira das lavouras, a agricultura criou o embrião das civilizações. Era a aproximação das pessoas e suas conseqüências, inclusive a formação da família.&lt;br /&gt;De lá para cá, o homem portou-se sempre segundo uma evolução bilógica interada com o ambiente natural e social, com sua maturação atrelada às descobertas simples, que durante milênios foram precárias, rudimentares. Até um ponto em que ele foi capaz de criar civilizações,  algumas evoluídas ao seu tempo, porém de maneira esparsa e transitória. Ao contrário do mundo atual, com uma civilização global, graças ao saber adquirido desde o Iluminismo aos nossos dias, sempre mais abundante.&lt;br /&gt;Passo seguinte às formações sociais iniciais, foi a evolução natural da noção de propriedade, no homem, sinônimo errôneo de poder, seguido das disputas para a sua manutenção e/ou conquista de novas áreas. E, assim, formou-se a conseqüente e gradativa geografia mundial, balisada pelas migrações dos homens primitivos, negróides, caucasianos e mongolóides, os quais espalharam-se pelo mundo também à guisa de acomodação e sobreviência às diferentes idades climáticas da terra. Mas, sobretudo, ao longo do tempo e analisando-se a longa história do mundo e sua formação geopolítica, chama a atenção o volume de guerras provocadas para este mistér, de que o homem foi autor. Já há algum tempo contava-se 1300 delas e certamente não foram contadas as pequenas, nem suas conseqüências.&lt;br /&gt;Durante toda a pré-história foi assim; na história antiga e na nossa era não foi diferente, sendo marcante o fato do conhecimento acumulado e as grandes descorbetas servirem quase sempre aos propósitos belicosos de suas nações de origem. A tal ponto ascendeu esta assertiva que a própria evolução da tecnologia bélica, hoje, tornou-se uma verdadeira guardiã da paz, mesmo que com uma segurança tênue.&lt;br /&gt;No século XX não foi de outra forma; talvez tenha sido o século mais mortífero se juntarmos os números das grandes guerras e das menores. Entretanto, foi deste ápice que nasceram, também, decisões moduladoras nas relações dos países, como o Tratado de Versailles, a Liga das Nações e mais tarde a ONU, verdadeiros superegos da consciência civilizada mundial que cresceu em grau de eficiência ao correr do tempo, de cima para baixo, protegendo os direitos dos povos civilizados e os direitos humanos, ainda que com certas limitações. E o mundo, por estas entidades maiores, ficou mais civilizado e razoavelmente normatizado, inclusive submetendo, quando necessário, alguns de seus infratores à tribunais especiais.&lt;br /&gt;É de notar-se, entretanto, por obra de novos tempos e da aproximação física em densos conglomerados humanos, com cruentos desdobramentos, que o estágio de civilização atual de pouco humanismo trouxe uma nova classe de armas a serem usadas nos embates internacionais, na missão de provocar a sucumbência da humanidade, bem como dentro de cada nação, em suas unidades e no seio das sociedades, com evidente migração da cruência dos campos de batalha para sítios ao alcance geral, salvo guerras de exceção esparsas e comparavelemente pouco significativas.&lt;br /&gt;Assim, um trânsito como o brasileiro que, com todas as suas circunstâncias corrigíveis, seja no aspecto estrutural como humano, que mata 60.000 pessoas por ano e que inutiliza definitiva ou temporariamente outros tantos indivíduos, equivale nada mais do quase ao número de baixas americanas em quase dez anos da guerra do Vietnã. De outro lado, a insegurança pública a que somos submetidos hoje em dia, em qualquer aglomerado humano, desde os mais singelos, além de ceifar vidas em números alarmantes, dignos de estudo sério e urgentes providências, vem encurralando verdadeiros exércitos humanos desarmados e indefesos contra um mundo de temor e grades nem sempre eficientes.&lt;br /&gt;Da mesma forma, quando a medicina e todas as ciências biológicas afins, vêm travando e vencendo uma antiga batalhe contra o câncer e doenças no passado consideradas de curso fatal, aumentando a sobrevida da população, uma outra enfermidade, fruto da aproximação e da condensação humana, a Aids, já matou mais que muitas guerras juntas, em cujo combate se debatem os sanitaristas contra o desconhecimento e descaso cultural humano. Não bastassem estes exemplos, há que fazer-se as contas de quantas pessoas sucumbem por ano vitimadas pelo uso de drogas, de maldito uso atrelado ao perfil da nossa civilização.&lt;br /&gt;E por fim, a incompetência e o descaso conducional dos governos da maioria dos povos que somados à corrupção aprimorada quase peculiar criam uma conseqüência principal que é a miséria de muitos, a qual mata mais que todos os enfrentamentos. Pra quê guerra?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4386567014687067531-3647961706797148621?l=jbtvariedade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4386567014687067531/posts/default/3647961706797148621'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4386567014687067531/posts/default/3647961706797148621'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jbtvariedade.blogspot.com/2008/04/estgio-de-civilizao.html' title='Estágio de civilização'/><author><name>José Brasil Teixeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08416937196654251154</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4386567014687067531.post-2900640672148487260</id><published>2008-04-22T14:20:00.001-07:00</published><updated>2008-05-07T14:10:55.229-07:00</updated><title type='text'>Abre a cortina do passado....</title><content type='html'>As nossas memórias, talvez porque possamos ruminá-las, redigerí-las e por conseqüência, realimentar-nos das emoções que lhes acompanham, boas ou más, constituem-se na mais fantástica capacidade da nossa engenharia eletroquímica cerebral. Em constante estudo pela emergente e atual neurociência, a memória acompanha a evolução das espécies sobre a terra, a qual concedeu-nos um cérebro avançado, e que acabou criando este ser controvertido e perfeito que é o homem. As memórias estão, também, intimamente relacionadas às emoções por mecanismos específicos, o que é fácil de perceber-se, pois quanto mais forte for a emoção com que vivenciamos um evento, dito inesquecível, maior a sua fixação nas estruturas cerebrais específicas, resultando em um substrato a que nos referimos como sendo “uma lembrança”.&lt;br /&gt;O que é ser poeta! Ary Barroso referia-se, em sua “Aquarela” emblemática, ao ato de lembrar-se de algo como se abríssemos a cortina do passado; pois é o que vou tentar fazer com vocês.&lt;br /&gt;Dependendo do angulo que se olha, trinta anos pode ser ou não ser pouco tempo. Por exemplo, não seria pouco se tivéssemos que esperar de forma angustiada que um tempo passasse. No entanto, para quem tem uma vida normalmente cheia de boas e normais vivências, trinta anos parece nada. Sendo que, para quem tem uma boa memória, torna-se um tempo preenchido. E quem tem mais de quarenta e me lê, vai concordar comigo.&lt;br /&gt;Neste mes de junho, completaram-se 38 anos da conquista, pelo futebol brasileiro, do tricampeonato mundial de futebol, em 70 no México. Das copas vencidas pelo Brasil, a de 58 foi vibrante, mas é remota na distância do tempo e as comunicações ainda eram precárias. Lembro-me bem da escalação do time feita pelo dorminhoco Feola: Gilmar, DeSordi (Djalma Santos) e Bellini; Nilton Santos, Zito e Orlando; Garrincha, Didi, Vavá, Pelé e Zagalo. Bem como, lembro-me da última partida, com a dona da casa Suécia, a qual, depois dos primeiros lances irradiados por Mendes Ribeiro, eu, naquele dia um guri muito ansioso, desisti de escutar e fui para o fundo pátio; guiando-me na vitória apenas pelos fogos de artifício que ouvia em meio ao silêncio pré-eruptivo que tomava conta da cidade. Já a de 62 não teve o mesmo gosto; sem Pelé, ídolo maior de todos nós. Lembro e alguns também, das caminhonetes Kombi com emblema da CBD que passaram por Bagé, rumo ao Chile, levando alguns membros da delegação e a rouparia; mas teve pouca emoção para mim. Quanto a de 94, esta foi a que teve menos gosto, pois foi ganha nos penaltis e porque o adversário errou a cobrança.&lt;br /&gt;Mas, a Copa de 70 não, esta foi emoção pura, proporcionada pela maior seleção de futebol que jamais se viu, com arte e desenvoltura. Dela, lembro dois lances cruciais: o gol do Clodoaldo, desempatando contra a seleção do Uruguai, nosso algoz em 50, que por ali ficaram. E o outro, a emoção apreensiva do gol de empate da Itália ao final do primeiro tempo, na final no Estádio Azteca, uma lembrança emocionada e angustiante. Saliente-se que, naquela copa, a televisão já proporcionava imagens e por tal, lembro de todos os gols feitos, principalmente o gol emblemático da vitória, pelo espírito esportivo, pelo companheirismo estampado e que foi proporcionado ao capitão Carlos Alberto Torres, quando Pelé rolou-lhe a bola à direita, na entrada da área. E, depois, foi a vibração que se assistiu, de brasileiros e mexicanos que adotaram o time brasileiro. O Brasil era, então, um país mergulhado em um estranho regime de governo, mas não foi só por isso que vibrou tanto. Toda a nação brasileira e quem ainda vive se lembra, goste ou não de futebol, sentiu-se envolvida.&lt;br /&gt;Passados alguns anos, visitei a cidade do México. Uma capital de muita altitude; tomei Tequila, um tiro de pontaria, visitei segundo eles – o “edifício mais alto do mundo”( pela altitude da cidade), com 12 andares, assisti ao balé folcrórico do México, um espetáculo inesquecível, estive na Serra Maestra, de onde um dia descera Pancho Villa, herói nacional, conheci os murais da universidade nacional, pintados por Diego Rivera, a Catedral de Guadalupe e, entre outras coisas, visitei o Estádio Azteca. Entrei, analisei, admirei, mas, senti quase nada, lembro bem.&lt;br /&gt;Nada no México me dizia a mesma coisa em emoção, só mesmo aquela da TV, anos antes; só aquela, única, a de 21 de junho de 70, compartilhada com toda a nação, até hoje inesquecível pela lembrança visual e vibração. E, sobretudo, um outro time, imbativel de cima a baixo e de frente a fundos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4386567014687067531-2900640672148487260?l=jbtvariedade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4386567014687067531/posts/default/2900640672148487260'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4386567014687067531/posts/default/2900640672148487260'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jbtvariedade.blogspot.com/2008/04/abre-cortina-do-passado.html' title='Abre a cortina do passado....'/><author><name>José Brasil Teixeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08416937196654251154</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4386567014687067531.post-8310251517512678469</id><published>2008-04-22T14:19:00.000-07:00</published><updated>2008-05-07T14:19:52.741-07:00</updated><title type='text'>A seleção do insólito</title><content type='html'>Não sou comentarista por absoluta incapacidade de sê-lo, nem mesmo sou um treinador anônimo, como há tantos Brasil a fora, sou apenas um médico; alguns me chamam, também, de escritor, outros de colunista, pois assino aqui e acolá algumas opiniões. Mas, gosto mesmo é de minha página na internet:www.josebrasilteixeira.med.br; acho que sou mesmo é um observador, os comportamentos e suas variações me atraem, despertando curiosidade e crítica. Por isso, enchergo e me atrevo aqui a opinar além das quatro linhas que limitam o momento do futebol brasileiro de alguns anos para cá e as verdadeiras circunstâncias que o escalam e, ao mesmo tempo, driblam a escalação da nossa seleção, influindo no seu rendimento. Lamentavelmente, são muitos os fatores, quase todos eles sem relação direta com a competência dos atletas, mas atingindo-os diretamente.&lt;br /&gt;É escusado dizer, quem observa a natureza sabe, que todas as coisas que emanam dela e dos homens são cíclicas, que, obedecendo a tal alternância, seríamos e seremos campeões de tempos em tempos, desde que preenchidas as exigências mínimas do esporte e da competiçãoe que nunca nos faltaram, classificando-nos para a disputa. E que seria monótono se fôssemos sempre nós os ganhadores, o que levaria a Copa do Mundo à sucumbência. No entanto, os maus desempenhos, as derrotas e até as vitórias pouco convincentes, por seus insólitos e estranhos motivos, merecem análise.&lt;br /&gt;Nós brasileiros, os que conheceram as seleções desde 1958 até 1970, por culpa do desempenho dos homens de então, da organização extra-campo, seus dirigentes e o próprio futebol que lhes era básico, acostumamo-nos com resultados e com desempenhos, pois são coisas que podem ser analisadas isoladamente, os quais elevaram o nosso limiar de exigência, refinando nosso gosto e expectativa. Algo, assim, como um gaúcho montar em um cavalo crioulo de bom trote e depois, ao montar em um jumento, sentir a diferença.&lt;br /&gt;Observe, de há muito que a seleção brasileira não tem mais aquela performance, em todas os sentidos, mas principalmente na segurança que tem transmitido a nós, torcida brasileira. A própria seleção que venceu a copa dos Estados Unidos não nos permitia uma previsão de vitória a cada jogo, como tivemos um dia em um passado conhecido. A ponto de vencermos a Itália, a mesma que foi derrotada em 70 por quatro a zero, daquela vez nos pênaltes e com a colaboração marcante de Roberto Baggio, não é verdade? E por que?&lt;br /&gt;É sabido que os demais países aprenderam, e muito, a jogar um melhor futebol às nossas custas, mantendo durante muito tempo muito respeito pelo futebol canarinho. Aprendizado este que foi feito às custas da importação dos nosso atletas, desde que o Didi foi para a Espanha e que teve ao longo do tempo, entre boas e más consequências, a promoção da mercantilização de nossos atletas e do próprio futebol, retirando-lhe a voluntariedade. O que faz, a par da desorganização das convocações, com que os jogadores que estão no exterior e que, insistentemente, têm sido a base senão a totalidade das equipes, não tenham já o mesmo entusiasmo que os de antanho e nem a mesma honra ao vestir a camiseta. Na verdade, quando para aqui vêem, agem como os filhos que visitam a casa da mãe depois de algum tempo, entendendo que podem dormir até mais tarde, tomar café na cama, agir com pouca responsabilidade e, de preferência, fazer pouco ou quase nada.&lt;br /&gt;A falta de datas disponíveis para que os convocados pudessem estar a disposição para repetidos treinamentos, o que qualquer treinador entende que assim deva ser, conseqüente a má administração da cartolagem, é outra causa da crônica falta de tic-tac que sofre nossa equipe nacional. Fruto também da desorganização das federações que metem-se em compromissos sub-entrantes, em um calendário consumista, às vezes como caça-níqueis. Sem falar na figura de um treinador investigada  e sob suspeita e da atual Copa América, organizada sob tensão, desconfirmada e confirmada de afogadilho, jogada mediante vigilância, com relutâncias, desistências e competidores tampão. Convenhamos, o atleta é um artista, cujas intuição e criatividade, virtudes básicas, ficam atingidas sob este estado psicológico.&lt;br /&gt;Entretanto, a influência maléfica promovida pelos cartolas chegou a um nível que é o mais grave de tudo, também a moral de alguns dirigentes foi envolvida e exposta com muitas manchas. O que, inevitavelmente, contagiou alguns jogadores e ex-jogadores, que deu lugar à criação de duas CPIs no Congresso Nacional e outros tantos inquéritos com graves acusações. Com brigas e bate-bocas públicos de dirigentes comprovadamente de mau caráter, com ex-jogadores e jogadores estrangeiros condenados, até mesmo da seleção, envolvidos com problemas legais. E, pergunta-se, será que tal ambientação de péssima qualidade ética e de crônica duração, de ocorrência repetitiva, não perturba o rendimento dentro de qualquer campo? O que qualquer um sentiria se, ao disputar qualquer prova, soubesse que seu pai ou superior é um imoral, na iminência de condenação?&lt;br /&gt;O nosso futebol deveria ter sido sanado de forma mais basal, abrangente e eficiente antes de ser entregue ao nosso querido Felipão, que declinou do convite maligno na primeira oportunidade, mas que aquieceu na segunda vez. Aliás, já deve ter tido algum arrependimento, concluindo, é claro, por aguentar, dada a sua garra. Mesmo assim, o resultado de dois a zero contra o Perú, na Copa América, quando escrevi esta crônica, havia sido um bálsamo para o técnico merecedor, mas era enganoso, pois sucumbimos logo ao bom futebol permitido à Honduras; sendo que, contra o Paraguai, só os gols convenceram. Há, pois, muito mais a fazer, a começar pelo antes.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4386567014687067531-8310251517512678469?l=jbtvariedade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4386567014687067531/posts/default/8310251517512678469'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4386567014687067531/posts/default/8310251517512678469'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jbtvariedade.blogspot.com/2008/04/seleo-do-inslito.html' title='A seleção do insólito'/><author><name>José Brasil Teixeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08416937196654251154</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4386567014687067531.post-4404544800159637688</id><published>2008-04-22T14:18:00.000-07:00</published><updated>2008-05-07T14:28:16.761-07:00</updated><title type='text'>Tribunais arbitrais</title><content type='html'>Tempos atrás, ZH publicou a notícia de um cidadão com muitos irmãos, mecânico de profissão, cujo pai veio a falecer deixando como herança a ser dividida uma velha caminhonete “Brasília”. Dada a sua aptidão, mas antes, talvez, dada a sua confiabilidade, foi eleito pelos demais para resolver da forma justa a   avença, para o que marcou data a ser efetivada sua sentença. Quando então, reunida a irmandade em sua oficina, entregou a cada um dos herdeiros diversas peças do veículo depois de desmontado, aos quais, individualmente, caberiam na sua justiça e direito. Em uma situação de limitadas expectativas, embora surpresos, os irmãos não puderam contestar a forma da partilha, uma vez que haviam escolhido uma pessoa julgada capaz e de sua confiança para tomar a decisão, restando perplexos, mas satisfeitos.&lt;br /&gt;Em geral, mesmo aqueles que incidem no drible às regras ou contratos mas, em especial, os homens comuns e socialmente alinhados, tendem a optar por um juízo, preferencialmente livre e de acordo, em eventuais situações de controvérsia. Ao qual respeitam em seu veredito superior e legal, quase sempre inquestionável. É o que comumente se observa nos resultados emanados da justiça comum.&lt;br /&gt;Tem sido assim desde as tenras contendas e disputas entre irmãos, onde pais e mães, com pressuposta justeza, são indicados em tribunais primários para mostrar caminhos e dar soluções; foi assim quando escolheram o bíblico Salomão para mediador; igualmente, com os caciques e com os mais velhos das tribos, todos fazedores de leis, respeitadas por nascerem da eminência da sabedoria. Sempre figuras com algo em comum, o saber e a confiança das partes, que desde o início do mundo, desde que a inteligência é guia e desde que a controvérsia é usual, têm modulado e conciliado as relações sociais; são os chamados árbitros.&lt;br /&gt;A arbitragem, e dentro dela a conciliação, imitando a conduta natural em sua expressão humana  e social, existe desde muitos anos no cerne das sociedades, seja inserida na justiça ou de forma extrajudicial. No segundo caso, desde milênios; no primeiro, desde que as sociedades se organizaram de forma mais civilizada. No Brasil, em particular, a arbitragem como forma de resolver pendências existe na lei de forma adormecidadesde 1916; no entanto, foi depois de promulgada a Lei nº 9.307, de 23/9/96, de autoria do Senador Marco Maciel, que foi regulamentada e estimulada a possibilidade da formação de tribunais extrajudiciais de arbitragem e mediação para resolver pendências destinadas a arrastarem-se na justiça oficial.&lt;br /&gt;A Lei, em seu artigo 1º, bem define muito de si e o seu alcance: ”As pessoas capazes poderão se valer da arbitragem para dirimir litígios relativos a direitos patrimoniais disponíveis.” O que abrange um campo muito vasto das relações sociais, comerciais e trabalhistas. E mais, podendo as partes valer-se de árbitros ( juizes não togados) de sua livre escolha, sendo que (art. 13): ”Pode ser árbitro qualquer pessoa capaz e que tenha a confiança das partes”. E ainda, no art.18: ”O árbitro é juiz de fato e de direito e a sentença que proferir não fica sujeita a recurso ou à homologação pelo Poder Judiciário.”&lt;br /&gt;Assim, de 1996 para cá, aos poucos vieram se organizando pelo país os tribunais arbitrais, com finalidade de colocar em execução o que diz a Lei 9.307. Já se tem notícia de sua formação em grandes centros; aqui no Estado são conhecidos os tribunais já estabelecidos em Santa Maria, Passo Fundo, Cachoeira do Sul, bem como em outras cidades ao norte do Rio Grande; assim como, estão em fase de diplomação e organização instituições de árbitros em Pelotas, Livramento, São Gabriel e Bagé. Em grupos formados por pessoas ilibadas e capazes de mostrar confiabilidade, com conhecimento em determinadas ou em várias áreas técnicas, como advogados, engenheiros, arquitetos, contadores, médicos, professores e representantes de outros segmentos da sociedade civil organizada, aglutinado-se como juizes não togados de formação específica para atuarem em tribunais arbitrais de suas regiões. Cuja conseqüência objetiva será a celeridade de sentenças sigilosas, com baixo custo e, na prática, gerando um descongestionamento dos tribunais oficiais. Tribunais arbitrais  de decisões extrajudiciais que uma vez estabelecidos estarão servindo e  transformando a cultura do público usuário em área muito significativa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4386567014687067531-4404544800159637688?l=jbtvariedade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4386567014687067531/posts/default/4404544800159637688'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4386567014687067531/posts/default/4404544800159637688'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jbtvariedade.blogspot.com/2008/04/tribunais-arbitrais.html' title='Tribunais arbitrais'/><author><name>José Brasil Teixeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08416937196654251154</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4386567014687067531.post-3609448546324034816</id><published>2008-04-22T14:17:00.000-07:00</published><updated>2008-05-07T14:59:42.189-07:00</updated><title type='text'>Mudar sem mudar</title><content type='html'>O funcionamento universal e a biologia humana com sua conseqüente fisiologia, são regidos por ciclos independentes de ações que os interrompa, sob pena de grandes desacertos. São os ciclos das plantas, das marés, dos planetas, das estações do ano, das aves de arribação; é o ciclo menstrual, o ciclo do humor, do sono e todas as alternâncias de um dia inteiro, anos a fio, que ocorrem em várias fases, mas que possuem uma em especial, entusiasmante, a qual chamamos de fase do recomeço.&lt;br /&gt;Filosoficamente, poderia ser possivel aos pensadores interpretar tais alternancias e repetições como uma oportunidade que a natureza oferece a si própria e a seus membros de, em nova oportunidade e a cada vez, aperfeiçoar o funcionamento unitário dos seres em geral, o que nem sempre ocorre. Em especial com o homem, de quem a inteligência que possui deveria reger a evolução individual em busca da perfeição, carregando a sociedade.&lt;br /&gt;Sem saber desta deliberação cósmica, atávica, biológica, íntima e imperceptível, alheio aos motivos, o homem adora começos e fins, fins e recomeços. Adora ponto e nova linha, chegada e partida, pouso e decolagem, dormir e acordar, tudo por que esses são fragmentos oriundos do seus muitos relógios e ampulhetas internos e que nele são arquetípicos.&lt;br /&gt;Embora já tenha acontecido há alguns dias, recém tenho a oportunidade de falar a respeito , o fim de ano é assim, com o mesmo valor psicológico de um ponto e de um novo prágrafo aberto, tão a gosto de sociedade ocidental. Desta vez, em especial, acrescido para muitos do peso inédito que trouxe junto, a troca do século e do milênio. Uma polêmica que a muitos fez esquecer que a recente troca festiva foi muito menos comemorada que há um ano, onde um maior volume de vibração e graça foram gastas naquela virada; no ciclo anterior.&lt;br /&gt;E aqui ofereço uma versão privada e modesta sobre a contagem do tempo, válida para mim, inútil para quem não concorda e que leva ao desencontro as opiniões. Qualquer dos mais comuns contadores de tempo, relógio e calendário, são baseados em dados que antecedem a sua invenção, nascidos de uma circunstância de passagem contínua e de periodicidade fixa, a marcha do tempo. São contadores onde o tempo tem um começo, que possui frações que, também, existiam antes e independentes de serem reconhecidas; a existencia cósmica e os ciclos do tempo. Assim, baseado em parâmetros universais existentes desde sempre, uma hora começa com o primeiro minuto, que começa com o primeiro segundo, seus milésimos etc. E esta hora vai terminar em 59 minutos, 59 segundos, seus milésimos etc; sendo que o segundo seguinte pertence à hora seguinte. Com os dias é mesma coisa, terminando em 23 horas, 59 minutos etc etc. Seguem-se os meses da mesma forma e o ano será composto de 11 meses, 29 dias, 23 horas, 59 minutos, 59 segundos etc. Nossos relógios não começam na hora 1(um) depois da meia-noite, começam no primeiro segundo depois dela e assim por diante. Nossos séculos e milênios da mesma forma deveriam ter começado no primeiro minuto do ano zero. E, ainda que seja aceita a alegação de que naquela época não se conhecia o zero, quando este foi inventado deveria ter oportunizado a correção do calendário. Assim, na contagem do tempo e não na convenção, o milênio e seus desdobramentos trocaram em 2000. E mais, se o nascimento de Cristo é o marco inicial da nossa era, com o argumento alegado ele teria nascido, então, com um ano de idade. Ou o completou ao fim de 12 meses? Ou, quem sabe ele, em realidade, não possuia os conhecidos 33 anos ao ser condenado e sim, pelas contas correntes, 32 anos?&lt;br /&gt;Mas, deixa para lá e que cada um fique com sua vã verdade; vã em comparação com as verdades dos fatos que tangem o homem. Este, desde o fim do ano anterior e na virada dele, tradicionalmente, aproveitou como de hábito a passagem e o novo parágrafo para uma retomada, eminentemente, empírica. É o que se vê ao almejar uma vida nova para si e para todos em seu entorno. São comuns planos para que uma redenção aconteça em um borbulhar de esperanças e expectativas e em um espoucar de boas e voluntariosas intenções, muitas vezes deixando transbordar rasgos de solidariedade. Nos dias e noites de comemoração, é reconfortante perceber-se pensamentos onde a tão necessária bondade revigora e as boas expectativas se sobressaem aos retrospectos. Pois, é triste ver-se que tudo é efêmero por ser insólito e que 10 dias depois de feitas as promessas e passada a retomada, com poucas exceções, tudo parece permanecer exatamente igual ao ontem. Ou não?&lt;br /&gt;E, embora a saga humana seja de superação e evolução em direção ao infinito, constata-se que, destarte o avanço da civilização alcançada pela humanidade como um todo, o individuo comum não evolui, pois ainda se desconhece, se desnorteia, se perde, se neurotiza, se violenta e violenta a sociedade. Mesmo com os rasgos anuais de boas intenções.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4386567014687067531-3609448546324034816?l=jbtvariedade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4386567014687067531/posts/default/3609448546324034816'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4386567014687067531/posts/default/3609448546324034816'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jbtvariedade.blogspot.com/2008/04/mudar-sem-mudar.html' title='Mudar sem mudar'/><author><name>José Brasil Teixeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08416937196654251154</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4386567014687067531.post-3869261080779373398</id><published>2008-04-22T14:16:00.000-07:00</published><updated>2008-05-07T15:09:06.862-07:00</updated><title type='text'>Uma análise da mitologia</title><content type='html'>Ainda que sem muita profundidade e desenvoltura, fazendo-se uma dissecção do conhecimento usual das circunstâncias míticas correntes ou passadas dos povos, nas mais variadas culturas, em especial na mitologia grega, mais próxima do ocidente, mais rica e mais conhecida, tem-se a impressão que em cada ser mitológico, por sua função ou feitos, encontramos uma característica: uma projeção da alma humana.&lt;br /&gt;A mitologia é uma manifestação cultural encontrada em todas as civilizações, gerada habitualmente pelo desconhecimento dos fenômenos e pela conseqüente necessidade de justificá-los, além de suplementar com façanhas o que cresce na fantasia coletiva. É, assim, um recurso psicológico bem mais coerente e mais próximo do funcionamento da mente humana do que o entendimento dos fatos desconhecidos e seus movimentos, quando acreditados como se fossem milagres. É, pois, uma projeção mais próxima daquilo que o homem faria se fosse um deus e foi para resolver um sentimento de medo e desconhecimento, que um dia foi criado o dragão e bem depois o seu matador. Sendo, então, universal, a mitologia cria, de forma muito parecida entre os mais diferentes afloramentas culturais espalhados sobre a terra, seres míticos muito semelhantes entre si em suas características e atribuições, evidenciando nas muitas observações, que a essência da alma humana é muito igual nos longinqüos e diferentes pontos onde os seres mitológicos recebem origem e cultivo. E, mesmo variando a intensidade das crenças e adorações com a maturidade das culturas, ainda, na atualidade, no âmago das sociedades média ou muito aculturadas ainda se encontra uma necessidade íntima do psiquismo humano de se refugiar na fantasia que habita além do real.&lt;br /&gt;O embrião que deu origem ao ser humano sempre trouxe dentro de si e com espetacular potencial de germinação, em primeiro lugar, o sentido da vida e da morte, seguido do sentido do bem e do mal, esses os mais poderosos ícones da nossa razão vital. Nossas vidas, embora não tenhamos a plena consciência disso, debate-se entre a luta contínua desses antagonismos, desde o primeiro choro à expiração. E, neste caminho, deparamo-nos com as virtudes e os defeitos à nossa feição; a bondade, a justiça, a coragem, a solidariedade, o amor e outros, todos sentimentos de vida; e o ódio, a raiva, a traição, a mentira, a covardia, a violência, a guerra e outros, todos sentimentos de morte, os quais poderemos adotar e incorporar. Associado com as reações do homem ao ambiente, dotado deste arsenal de adjetivos, virtudes e defeitos, e as perturbações que lhe são inerentes, proporcionam ao homem a felicidade e a paz, bem como os desvios e as doenças, com seus sofrimentos. Pois tais circunstâncias são o que dão razão e dinamismo às nossas vidas, criando dentro do homem, preferencialmente, uma busca de harmonia, buscando algo que lhe explique as incompreensões, que justifique e abençoe suas ações, que dê razão à escuridão e que seja luz ou âncora na angústia do caminho; fazendo para isso uso da criação mitológica como um recurso fisiológico, escorado no coletivo.&lt;br /&gt;A mitologia grega possui tantos deuses e deusas, maiores ou menores, simples ou complexos, quantas são as facetas da intimidade da alma humana, boa ou má, mórbida ou saudável. Mitos, qual projeções claras de todos os sentimentos comuns, positivos e negativos, de forma tão lúcida que a psicanálise foi buscar nos personagens dessa mitologia os parâmetros explicativos para as diversas síndromes que acometem o comportamento humano.&lt;br /&gt;Na mitologia brasileira, apenas como exemplos, temos o boto cor-de-rosa a simbolizar o ideal da fertilidade e o negrinho do pastoreio, que personifica o repúdio íntimo do gaúcho em relação ao sentimento de maldade e injustiça.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4386567014687067531-3869261080779373398?l=jbtvariedade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4386567014687067531/posts/default/3869261080779373398'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4386567014687067531/posts/default/3869261080779373398'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jbtvariedade.blogspot.com/2008/04/uma-anlise-da-mitologia.html' title='Uma análise da mitologia'/><author><name>José Brasil Teixeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08416937196654251154</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4386567014687067531.post-189225292117450227</id><published>2008-04-22T14:15:00.000-07:00</published><updated>2008-05-07T15:14:37.626-07:00</updated><title type='text'>As ferramentas do homem</title><content type='html'>Eu sou um ”cromagnone” sentado em frente à minha caverna, onde habito com a tribo. Doem-me as costas devido aos últimos esforços: ---"Aquela pedra era muito grande", penso eu. "De mais a mais, já estou com muito tempo de vida e até hoje, desde criancinha, o trabalho é sempre o mesmo. Tem que existir uma maneira de facilitar as coisas quando se precisa mover pedras daquele tamanho!!".&lt;br /&gt;Assim ele sentia o despertar das descobertas, a necessidade e a dúvida, era o perceber que não sabia algo, era o início dos quesitos necessários à criação e à ciência.&lt;br /&gt;O mesmo pensou o seu antepassado e outros um pouco mais para trás, que traziam, à cada geração, um amadurecimento cerebral que redundou em que, daquela data em diante, depois de ver aliviada sua dor lombar e voltando ao trabalho, o "cromagnone inventasse a alavanca, ao tentar mover um obstáculo com a ajuda de um pedaço de madeira. E, mais adiante, um filho seu descobriu o apoio para a alavanca do pai e então patentearam o fabuloso invento, que reduzia o trabalho, anulando uma de suas principais forças, a resistência, multiplicando a sua própria força, a motriz. Um verdadeiro espanto. Depois veio o macete, inicialmente de pedra e mais tarde de ferro. A pinça, a roda, esta fantástica descoberta que aliviava os animais depois de domesticados e que de sua parte já haviam aliviado outros homens. Inventaram a roldana, outro fantástico redutor de resistência e de esforço; depois veio o emprego dos ventos para impulsionar a vela no seu uso pela navegação, eliminando ou reforçando os remos. Tudo isso havia sido descoberto até 6000 ou 7000 anos atrás.&lt;br /&gt;Mas, observe bem, desde as descobertas iniciais do "cromagnone" e seus sucessores, todas foram imitações da natureza. Pois nós temos em nossos braços duas naturais alavancas, que se apoiam nos nossos pés através da coluna vertebral; temos macetes nos nossos punhos e temos pinças, que são os nossos dedo indicador e polegar em situação de preensão e que auxiliaram valiosamente na evolução, não é verdade?&lt;br /&gt;Mas, todas as invenções do homem, mesmo as mais antigas, foram inventadas com intenção de diminuir o trabalho; observe, desde a alavanca. E que culminou com a máquina a vapor, pouco mais de 200 anos atrás, marco inicial da revolução industrial, economizando tanto trabalho a ponto de economizar também homens nas minas de carvão da Inglaterra, uso inicial da palavra desemprego.&lt;br /&gt;Há que se observar-se, no entanto, que, historicamente, alguns inventos do homem, a maioria deles, são produto da necessidade da sociedade e da racionalidade de seus inventores, sucedendo-se à essas circunstancias no ambiente do homem. E este, quando do seu advento, já possui uma certa adaptação prévia, uma filosofia de convívio com os efeitos do invento, sanadas todas as arestas envolvidas na sua implantação. Pois, com a automação atual, embora ela tenha sido lançada há mais de 40 anos, ainda não se criou completamente uma filosofia de convívio capaz de absorver o seu impacto. Confia-se que o breve tempo devolverá ao homem a inspiração e criatividade, movido pela necessidade ou algo assim, semelhante ao sábio princípio da homeopatia," simila, simílibus, curantur". Do qual ele possa lançar mão para anular os malefícios, mas, menores que os benefícios, e resolver o desemprego causado pela automação na sociedade.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4386567014687067531-189225292117450227?l=jbtvariedade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4386567014687067531/posts/default/189225292117450227'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4386567014687067531/posts/default/189225292117450227'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jbtvariedade.blogspot.com/2008/04/as-ferramentas-do-homem.html' title='As ferramentas do homem'/><author><name>José Brasil Teixeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08416937196654251154</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4386567014687067531.post-5266242871498171571</id><published>2008-04-22T14:14:00.000-07:00</published><updated>2008-05-07T15:48:18.653-07:00</updated><title type='text'>A emoção de se matar</title><content type='html'>Há tempos entendo as formas pelas quais o ser humano sucumbe na sua existencia: refiro-me sómente às formas genéricas envolvendo doenças adquiridas às expensas de comportamentos; sem dúvida, às vezes verdadeiros suicídios dissimulados. Mas, dando atenção ao que se vê e ouve nos noticiários de todos os dias, é forçoso admitir-se que esse léque se abre de forma mais ampla. Sobre a criança de um modo geral, exercem grande atração alguns elementos naturais como a água, o fogo, a terra, o vento, alguns de maneira quase hipnótica; e a esses ela se entrega em um ralacionamento inocente sem medidas que avaliem o grau de risco.Quando gurí, fugiamos para tomar banho nas pedreiras que existiam nos arredores da cidade e, movidos pela curiosidade, nos banhávamos às escondidas dos incomodos bons sensos de nossos pais. A grande curiosidade era sentir a água geladinha mergulhando à fundo.Vez por outra, no verão, era uma pescaria que também tinha seus riscos,"tira as botas e as bombachas para entrar no bote!" diziam-nos apreensivos os mesmos pais,, os quais um dia também haviam se arriscado. Até que certa vez morreu um nosso conhecido. Para nós uma comoção ainda inocente e de bom proveito para quem aprendia com fatos traumáticos.&lt;br /&gt;O risco faz parte da vida e existem aquelas pessoas que se arriscam, como os profissionais, para que outras pessoas sintam, nas suas expectativas individuais, o suspense e a emoção tão necessários ao equilibrio emocional. Assim é, como exemplos, a Esquadrilha da Fumaça que,em consequência de muito treino e de estudos científicos, sabem que se estiverem sempre afinados, suas chances de erro chegam quase a zero. Houdini, um mágico americano dos anos 40, fazia coisas inacreditáveis e prendia o fôlego de multidões com suas peripécias minuciosamente calculadas; e mesmo assim numa última vez, vítima de um pequeno erro, morreu afogado no fundo do mar, dentro de uma caixa de madeira envolta com grossas correntes.&lt;br /&gt;Mas, o que me moveu a fazer esse comentário foi a notícia daquele menininho de 8 anos que morreu no poço dum elevador, no Rio. Como se pode observar, as crianças na "hora de sestia" de seus pais ou na simples ausência destes, em cidades grandes, experimentam brincadeiras diferentes daquelas do meu tempo de gurí, certamente de menor risco.E como sempre foi, parece que tal exerce uma atração mórbida, quase hipnótica, pois nesse caso dava para notar que um dos meninos, companheiro do acidentado, referia-se ao fato com sendo uma coisa que deveria ser evitada dalí em diante, como demonstrava sua cara de assustado; já outro, sem disfarçar uma ponta de orgulho por estar vivo, dizia na TV:--Foi emocionante!!&lt;br /&gt;Com o conhecido "surf ferroviário" praticado desde alguns anos nos trens da Central do Brasil ocorre o mesmo, com igual risco e as mesmas ocorrências de morte de seus adeptos e nem porisso a sua prática declina.&lt;br /&gt;Até parece que as pessoas, por viverem num centro mais populoso, possuem valores diferentes dos nossos em relação à vida, conformes que ficam com a brevidade e transitoriedade dessa. Na realidade, assim não é, mas a maior verdade é que essas pessoas de perpectivas nebulosas não querem atravessar sua existência sem sentir emoções, sejam quais forem; e são essas, as emoções, que garantem a sensação de estar vivo e se rendem ao poder sedutor que elas exercem na valorização das próprias vidas. E se entregam ao êxtase, com um risco incalculado, para não correrem outro risco, o de viverem em branco suas faltas de oportunidade com emoções mais saudáveis.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4386567014687067531-5266242871498171571?l=jbtvariedade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4386567014687067531/posts/default/5266242871498171571'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4386567014687067531/posts/default/5266242871498171571'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jbtvariedade.blogspot.com/2008/04/emoo-de-se-matar.html' title='A emoção de se matar'/><author><name>José Brasil Teixeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08416937196654251154</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4386567014687067531.post-1501180052459614511</id><published>2008-04-22T14:12:00.000-07:00</published><updated>2008-05-07T15:58:21.595-07:00</updated><title type='text'>A gorda bela</title><content type='html'>Porque será, realmente, que a beleza deva estar restrita a 90 cm de busto, 90 cm de quadrís, tanto de coxas e cintura de pilão, além de todo o conjunto ser encimado por um rosto harmônico, enigmático, misterioso etc.? Certamente, é por mera convenção cultural dos nossos tempos, posto que aprendemos desde pequeno que a beleza é uma mulher assim, não é verdade? Levado, por certo, pelas imagens que aprendemos desde a tenra infância, que a beleza é aquilo que nos é chamada a atenção, acrescida das emoções que as imagens trazem na sua companhia. E só por este conceito já se vê que a definição de tal virtude corre o risco de ser um tanto maleável.&lt;br /&gt;É minha intenção neste artigo fazer uma defesa da maleabilidade da beleza, em especial na defesa das gordinhas, embora delas não tenha nenhuma procuração...... e, ao final, será que consigo?&lt;br /&gt;A história nos mostra figuras de mulheres eternizadas de várias maneiras pelos artistas, e as artes revelaram através da pintura e mais recentemente do cinema e da fotografia, mulheres que representavam o senso comum de suas épocas, ou de suas eras; mulheres que os artistas plásticos carregavam no seu consciente e que era produto também do ganho cultural deles, recente e/ou atávico e em um dado tempo. É assim que nas escavações egípcias foram encontradas figuras de mulheres esguias, de longos pescoços e com feições delicadas; já em outras culturas, as negras da África Central, encontramos tribos onde as mulheres tracionam seus pescoços na busca da beleza e pureza; nas idades pré-históricas as mulheres apresentavam-se comumente com cabelos desalinhados e em posturas incorretas e na Idade Média apresentavam-se completamente cobertas, com longas vestimentas, aparentemente, inexpugnáveis, sendo que de seus rostos aparecia tão somente o espaço entre o queixo e a testa, período em que tanto se dava se fossem gordas ou magras aos olhos de seus admiradores, pois que só se desnudavam no escuro, supõe-se.&lt;br /&gt;O pavor das gordurinhas à mais nas moças e senhoras de nossos dias é de tal monta que criou-se uma grande neurose ocidental em relação a esse odioso detalhe, a ponto de ser um negócio de muita atualidade movimentar somas incalculáveis de dinheiro, os regimes neuróticos de emagrecimento e as academias, que assim existem não somente por motivo de saúde, mas para tentar evitar ou combater os temíveis aumentos de perímetros, celulites e depósitos de adiposidades. Um comportamento tão verdadeiro e válido quanto a de que um carro novo representa parte da retidão de caráter, da personalidade bem formada e plenamente realizada de seu motorista ou proprietário(a).Sem esquecermos o incremento das balanças de farmácia e as de banheiro que comportam-se como grandes mentirosas, pois que "nunca estão certas". E que, ou são visitadas amiúde ou são seguidamente evitadas para que se drible a realidade.&lt;br /&gt;Artistas como Rembrant, Matisse, Renoir e outros de seu tempo, colocavam nas telas mulheres cuja plástica nada tinha a ver com a das mulheres de hoje em dia e aquelas eram, no entanto, extremamente belas, eram as mulheres gordas da moda, extremamente sedutoras e charmosas; e assim eram também as matronas descritas por Guy de Montpassant em seus livros, gordas com cara redonda e brilhosa, engorduradas como se houvessem passado a noite inteira fritando bife. E, o que é forçoso concluir-se, é que eram obrigatoriamente mulheres atraentes e era, por certo, nesta sua robustez ,que as mulheres colocavam todo o seu arsenal de persuasão sedutora.&lt;br /&gt;Já nos dias atuais esse poder de conquista de uma mulher, ilusoriamente, é colocado na sua condição de ser magra ou no mínimo de não ser gorda. E assim passam, às vezes, uma adolescência, uma juventude e uma maturidade inteiras, ou até muito mais além no tempo, escravas de uma inimizade com as calorias que se tornam suas ferozes inimigas. Esquecendo-se que, muitas vezes, e é verdade, tem quem as queira redondinhas como são. E não é incomum que esta luta antifita métrica se transforme em neurose fóbica, com características de autoconsumismo. A anorexia nervosa é excesso doentio dessa neurose. E quanta coisa boa carrega junto a gordura no temperamento saudável da pessoa gorda!! Certa vez, no início de sua carreira, Jô Soares, o qual já era conhecido pela sua condição de excepcional gordo e humorista, não sei se por motivos de saúde ou não, fez um regime para emagrecer e perdeu muito peso. Neste período veio ao sul para um show no Teatro Leopoldina, em Porto Alegre, deixando naquela oportunidade, decepcionado o público que lotava a casa, pela sua grande inexpressão; o gordo inteligente e bem humorado tornara-se um cara sem gordura e sem graça. Tempos atrás, atendi no consultório, uma mocinha, filha de pai e mãe gordos, que embestou de emagrecer por motivos estéticos, fazendo violento e atentador regime alimentar em busca de uma beleza que geneticamente nunca seria a dela. Quando da consulta, magra, portou-se como uma morta-viva, evidenciando estar emocionalmente triste e desconfortada. E só voltando mais tarde à sorrir depois de recuperar seus preciosos quilinhos, passando a ostentar o viço de uma bela adolescente que era....e gordinha. Ou ainda, os leitores já imaginaram a Claudia Gimenez magra? Será que teria a mesma graça? Certamente que não, e assim por diante.&lt;br /&gt;A beleza da mulher é proporciaonal ao charme que ela demonstre ao sentir as emoções, ao se portar, ao conversar, ao olhar, ao caminhar, ao se expressar, ao seu tom de voz, à sua capacidade de sugestão, à sua vibração, ao seu mistério; são detalhes iguais a armas que tornam muito potente o seu poder de sedução. São coisas de peso que, asseguro-lhes, não dependem do peso corporal. Conheço várias assim, uma delas trabalha lá, outra acolá etc,etc.....e tem uma que não trabalha, só encanta! Tchan,tchan,tchan,tchan....&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4386567014687067531-1501180052459614511?l=jbtvariedade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4386567014687067531/posts/default/1501180052459614511'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4386567014687067531/posts/default/1501180052459614511'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jbtvariedade.blogspot.com/2008/04/gorda-bela.html' title='A gorda bela'/><author><name>José Brasil Teixeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08416937196654251154</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4386567014687067531.post-4087405105291373920</id><published>2008-04-22T14:11:00.001-07:00</published><updated>2008-05-07T16:08:48.799-07:00</updated><title type='text'>Vocação para cover</title><content type='html'>Há muitos anos atrás, mais de trinta talvez, fui passar alguns meses nos Estados Unidos e lá instalei-me como quem fosse morar ; ou seja, decidida e lentamente passei a viver em um condomínio junto com outras pessoas com a mesma intenção transitória, todas elas de distintas nacionalidades. Nas ruas e nos supermercados, prestava atenção a todos os detalhes que, afinal, fariam parte de minha nova vida a partir dali e uma das coisas que inicialmente me chamou a atenção foi que lá tinha de tudo que um dia eu já tinha visto, convivido ou consumido por aqui, a ponto de que quando escreví uma carta a familiares relatei que lá só faltava a cachaça, o fumo em rama, a erva mate e a linguiça artesanal, dessas nossas que saem das tradicionais matanças de porco. Saudosismo tupiniquim!&lt;br /&gt;Entretanto, chamou-me particular atenção, e sobremodo, as coisas com as quais passei a conviver e que eram novidades inexistentes ou muito raras no Brasil. As quais, depois de minha volta ao fim de dezoito meses e ao longo de muitos anos, muito lentamente eu as via, lançadas em forma de progresso, ao entrarem em uso por aqui. E foram centenas destes avanços, que lá existiam àquela época e que eu desconhecia.&lt;br /&gt;Falando de objetos domésticos, por exemplo, no apartamento simples mobiliado em que morava, o mesmo era equipado com forno micro-ondas e fogão elétrico. O carro da moda, mais de trinta anos atrás, era o Toyota Corolla e os japoneses acabavam de enfrentar a indústria automobilística americana. Ouvia-se falar em freios ABS e Airbag. Nos hopitais por onde andei, todos eles eram providos de investigação por Tomografia Computadorizada e os estudos e pesquisas eram financiados pelo próprio hospital, principalmente no maior deles(mas não muito grande), dentro de sua estrutura. E em particular, na área da medicina, foram muitos os avanços, que eu só veria por aqui muitos anos depois, ou mesmo alguns que ainda não ví. Naquele tempo, as previsões meteorológicas apresentavam-se com a maior credibilidade possível e as pessoas planejavam-se baseadas em seus dados; e outra coisa que me chamava a atenção era pontualidade das programações da TV, permitindo que se acertasse o relógio em seus começos e seus finais. Na mesma televisão, as convenções políticas apareciam em forma de grandes epopéias consagradoras, com balões multicoloridos jogados em grande profusão do teto de grandes ginásios, igualzinho como muito tempo depois passou a ser aqui; claro, com o desconto da falta de autenticidade.&lt;br /&gt;E já que estou falando de TV, muito tempo depois de meu retorno e depois que novamente voltei lá, anos mais tarde, presenciei um programa chamado "Late Show", tarde da noite, feito por um apresentador muito bem humorado,David Lettermann, sem barba branca e com peso normal, acompanhado por um conjunto musical com o qual interagia durante a apresentação, baseado em entrevistas com pessoas interessantes e tendo ao fundo um painel com uma vista noturna da cidade de Nova York. Voce já viu algum programa aqui no Brasil semelhante a esse? Pois, preste a atenção.&lt;br /&gt;Ainda da primeira vez, presenciei nos jogos preferidos das multidões, o Football, que é completamente diferente do nosso, aquelas menininhas abanando chumaços coloridos feitos de papel na abertura das partidas e depois colocadas ao longo das laterais dos campos, conhecidas como "cheer-leaders" ou animadoras de torcidas. Chamavam especial atenção, as quais só recentemente apareceram por aqui em cópia de gosto duvidoso.E mais, existiam parques aquáticos com toboágua e tuboàgua, piscina com ondas etc. E tudo o que se encontra hoje como lançamentos nos maiores parques de diversão brasileiros já existia por lá, naquele tempo.&lt;br /&gt;Não bastasse todas essas novidades e muitas mais, ainda pagava-se as contas pelo correio de forma confiável, entregando direto ao carteiro; usava-se correntemente caixas automáticos em bancos, observava-se que remédios que eram usados no Brasil, lá eram proibidos; tomava-se refrigerante e cerveja em lata e nas "stores" vendia-se camisinha lubrificada e/ou com sabor. Há mais de trinta anos atrás, pode? Pode.&lt;br /&gt;E como se não bastasse tudo aquilo, a cultura geral do americano nos oferecia, ainda, todos os domingos, ao vivo ou pela TV, apresentações de pastores inflamados invocando e ameaçando o seu público com o fogo de Satanás e aprisionando fiéis em verdadeiras multidões, prendendo-os pelo temor de um deus que, certamente, não é mesmo meu e talvez o seu, de amor, justiça, bondade e serenidade.&lt;br /&gt;Depois, de volta ao Brasil, ao longo de muitos anos em que aquelas práticas foram sendo introduzidas, algumas que não chegaram até os dias de hoje em nossa cultura de absorção passiva e desnuda de criatividade, é que pude ver o quanto nós somos um quintal onde a patuléia imita, usa de segunda mão e até serve de caldo de cultura em experiências e procedimentos onde os rigores da lei americana não permite avaliação, por deletéreos. Vide inseticidas que lá são obsoletos ou banidos.&lt;br /&gt;Mas, o que mais impressiona é que somos assim por sermos ainda submissos, culturalmente. E somos assim por não termos a cultura da instrução, do ensino e da curiosidade científica, entre outras causas. Por sermos pobres por que, inicialmente, quando éramos colônia, formos roubados e até hoje não tivemos capacidade de desnudar nossas riquezas de forma séria, sóbria e usufrutável, como soi ser a uma grande nação e seu povo supostamente soberano. E conformados com a dimensão nacional. Estamos, somente, engatinhando em pesquisa e ciência para poder acompanhar o que os tempos modernos se nos apresentam. E por tal, somos obrigados a absorver culturas mais evoluídas, em tudo, desde a música, em quase todas as tecnologias, no conhecimento, no parâmetro monetário, no comércio de "chapéu na mão " que nos é próprio, na medicina, na indústria farmacêutica, enfim, em quase toda a tecnologia. E será assim por muito tempo!&lt;br /&gt;E, olhando-se bem, a globaliação, boa em muitos aspectos e péssima em outros tantos, é assim mesmo: inexorável, inevitável, sem recuo, mas desequilibrada. Com alguns países sendo mais promotores e outros sendo muito mais absorventes, como quem recebe um pão duro de esmola e sai quieto, pois quem sabe manda e quem não sabe é mandado. No tocante ao Brasil, nesse particular, é difícil não compará-lo ao que segue: em muitos casos nos parecemos a um grande mangolão dotado de algumas potencialidades, mas que ainda come pela mão dos outros.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4386567014687067531-4087405105291373920?l=jbtvariedade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4386567014687067531/posts/default/4087405105291373920'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4386567014687067531/posts/default/4087405105291373920'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jbtvariedade.blogspot.com/2008/04/vocao-para-cover.html' title='Vocação para cover'/><author><name>José Brasil Teixeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08416937196654251154</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4386567014687067531.post-7275106800802068275</id><published>2008-04-22T14:09:00.000-07:00</published><updated>2008-05-07T16:22:11.309-07:00</updated><title type='text'>O Admirável Drácula</title><content type='html'>O cérebro humano possui algumas peculiaridades relacionadas, principalmente, à mente que nos dirige e que dele próprio emana, as quais se tornam verdadeiramente interessantes ao serem analisadas. Assim, à observação científica e até à leiga, a mais acuradaa mente humana deixa a impressão que as emoções, por exemplo, que possuem cada uma seu sitio anatômico e funcional especial em cada cérebro, as mesmas e seus núcleos de funcionamento, sejam elas emoções agradáveis ou não, não devam permanecer sempre inativas. Daí, advém a necessidade humana de sentí-las e exercitá-las todas, de maneira real ou sublimada e fantasiosa. Entre as mais comuns estão a felicidade e o prazer, o medo, ódio e tristeza e até mesmo, o prazer mórbido proporcionado pela violência, o qual é exercitado a cada cena violenta que presenciamos em um filme, por exemplo.&lt;br /&gt;Em especial, em relação ao medo, a mais antiga das emoções na nossa formação animal, entre outras coisas, ele incita o homem aos mais estranhos desafios a vencer, o que explica a maioria das empreeitadas humanas, históricas ou até não, como é o caso da valentia diante da morte em uma batalha ou como é o caso do  "bung-jump", " paragleider" e outros aparentes absurdos. Pois, as pessoas submetem-se a essas e outras surpreendentes façanhas obedecendo ordens de um comando interno insubmisso, muito mais antigo que a sua capacidade de compreensão e que tem afloração ocasional e espontânea. Existe uma necessidade imperiosa para que o ser humano experimente esta e outras sensações; não que o medo a uma situação de insegurança seja salutar e recomendável, como procurar expôr-se ao medo de um assalto ou sequestro, por puro gozo. Apenas sabe-se que a fisiologia cerebral necessita da convivência com algum tipo genérico medo, algumas vezes mistificado ou até desqualificado como perigo mortal, mas para cumprir sua existência no cérebro, sua eficiência e finalidade. O que, aliás, explicaria o enorme sucesso nos parques de diversão das brincadeiros onde a sensação de medo é a atração principal, como os trens-fantasma e outras formas semelhantes de êxtase, como "loopping", barco viking etc.&lt;br /&gt;Tais sensações e outras semelhantes, tornam-se tão marcantes na vida de qualquer pessoa que a sua memorização se faz perene, em especial na vida da criança. Para tal, basta que, depois do ocorrido e como experiência, se pergunte a uma delas o que viu em uma tarde passada em um parque com tais características. Ela, além de contar que onde mais se impressinou foi exatamente onde o medo foi dominante, ainda terá uma versão cheia de interpretações pessoais e até muito mais rica que a realidade; ou seja, contadrá uma verdade acrescida de suas sensações íntimas, seus matizes e a sua caracterização própria do medo.&lt;br /&gt;Pessoalmente, lembro-me do dia, hora, local, cidade e a idade com que assití a "O Fantasma da Ópera". Bem como, ainda hoje guardo resquícios das sensações produzidas pela representação de Herbet Loom, a simpatia despertada pelo personagem e até sinto uma certa melancolia por saber que aquele medo foi falso. E pelas suas emoções( a movimentação interna e vivificante que o medo me assegurou, via toda uma preparação corporal pela adrenalina circulante e a sensação expectante) cuja realidade foi falsa, mas cujos efeitos, então, não. Algo tão genial e permanente que várias décadas mais tarde encontrei a sua reencenação com contornos renovados em uma das atrações da Universal Studios, em Orlando, com renovadas e melancólicas emoções.&lt;br /&gt;Depois desta primeira, jamais esquecerei as outras várias vezes em que tive encontros de emoções semelhantes na minha infância em contato com as obras macabras de Vincent Price, em especial em "A Mosca da Cabeça Branca", onde ao final a mosquinha fatídica gritava:---"Help, Cecil, help, Cecil... " antes de ser morta. Alguém lembra?&lt;br /&gt;Quanto mais retrocedermos na hisória da humanidade mais encontraremos circunstâncias criadas pelo prórpio homem para exercitar suas sensações de medo. E a mitologia grega está cheia delas: por exemplo, a lenda do rei Minos, que cobrava um dízimo em forma de heróis jovens e belas mulheres aos seus vizinhos, os quais encerrava em seu labirinto, guardado por um touro bravio e devorador, chamado Minotauro; é apenas uma entre centenas delas com o mesmo significado. Chamando a atenção que a maioria delas, para sua elaboração e preservação na crença pública, moladava as suas formas de acôrdo ao grau de desconhecimento fático geral a que a sociedade era envolta. Ademais, não havia diferença entre as sensações oriundas do mistério e da mística causadas pelo medo ao minotauro no tempo da mitologia grega daquelas emoções provenientes do medo aos modernos discos voadores ou ETs, por exemplo.&lt;br /&gt;Sendo de ressaltar que os efeitos atrativos do medo e do macabro sobre as pessoas sempre mostrou-se de forma peculiar, dando idéia de que algumas delas possuem maior afinidade, seja por desafio, seja por prazer de conviver com a morbidez ou pelo fascínio exercido pelo êxtase do risco.&lt;br /&gt;Enfim, parecendo que existem determinados tipos de personalidade nos quais esta proximidade exerce um encanto muito especial. Explicando, talvez, por que alguns artistas de cinema ou teatro desempenharam e outros que ainda o fazem tantos papéis com este tipo de tema durante suas vidas. Como foi o caso de Bella Lughosi, Peter Cushing, Christhofer Lee, o citado Vincent Price e outros, que se notabilizaram representando papéis em filmes de terror, em especial sobre O Drácula.&lt;br /&gt;O Conde Drácula, que dá título a esta crônica, foi uma obra escrita pelo inglês Bram Stocker no fim do século XIX, parece-me que em 1897, cujas características do personagem mórbido e terrífico e o enredo todos conhecem. E baseado nele pergunto: Como um personagem tão maléfico e aparentemente repulsivo poderia despertar tanta atração na mente coletiva da humanidade ? A ponto da obra que lhe deu vida ter sido encenada tantas vezes e com tanto sucesso, no teatro e no cinema, em mais de 200 grandes encenações durante o decorrer do século XX? Não restam dúvidas, este fenômeno cultural vem comprovar uma fisiologia cerebral aparentemente bizarra, mas corrente. Temos que admitir que tal fascínio está ligado a um exercício inerente à mente humana na sua aproximação compulsória e prazeirosa com os riscos e os medos. Facilitado, é claro e muitas vezes, pela sublimação e pela fantasia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4386567014687067531-7275106800802068275?l=jbtvariedade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4386567014687067531/posts/default/7275106800802068275'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4386567014687067531/posts/default/7275106800802068275'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jbtvariedade.blogspot.com/2008/04/o-admirvel-drcula.html' title='O Admirável Drácula'/><author><name>José Brasil Teixeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08416937196654251154</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4386567014687067531.post-3438874278770192364</id><published>2008-04-22T14:07:00.000-07:00</published><updated>2008-05-07T16:36:14.358-07:00</updated><title type='text'>A herança do futuro</title><content type='html'>Quando falamos de civilizações no sentido dos diferentes povos que já existiram no mundo, e o produto de sua criação inteligente, falamos da cultura que os mesmos desenvolveram e desfrutaram, algumas já totalmente conhecidas, outras até inimaginadas. Ao seu tempo, o que uma determinada civilização possuia, traduzido em patrimônio transmissível e perene, era o que o conjunto de seus membros conhecia, associado à forma de imprimir de alguma forma este conhecimento para transpor o tempo. Em outras palavras, de modo a ser perpetrado tão longe quanto pudesse ser a resistência ao esquecimento. Dependendo do quanto esta ou aquela cultura fosse importante às culturas seguintes, fazia-se uma continuidade quase que material, um transporte ancestral do conjunto de sabedorias à civilização que se seguia, do que, no caso da lingua latina, nós e outros povos somos um exemplo. Não havendo a transmissão por alguma forma de continuidade, quando da sucumbência de determinada civilização as características culturais eram soterradas ou obscurecidas. E a transmissão do conjunto de conhecimentos, então, passava mais tarde a ser iluminada pela luz da determinação em buscas arqueológicas, paleontológicas, espelológicas, historiográficas, antropológicas etc.&lt;br /&gt;E, da mesma maneira que encontramos vínculos no exemplo da ligação linguística, estas ciências vêm sabendo decifrar e até interligar outras formas de comunicação deixadas por seus autores. Assim, através destas armas do homem atual, movidas, principalmente, pela vocação da curiosidade, em associação com um conhecimento técnico todo particular, vem sendo exposta uma gradação cultural do homem através dos tempos, desde as cavernas e grutas onde viveu há milênios como em sítios arquelógicos disseminados onde deixou incrustrado o seu saber e a sua cultura, nas mais variadas formas, desde riscos, rabiscos e desenhos rudimentares, aparentemente, sem significado, a majestosos templos e obras ainda enigmáticas, mas não menos belas.&lt;br /&gt;Que, ao analisá-los nos, convencemos que neste tema tão valioso e, sobremodo, tão significativo para a história da humanidade é que o homem, através das mais variadas formas de simbologia, mostrou como ele era e o limite onde chegava o saber da sua civilização a cada tempo. Todas elas, as civilizações, cujas informações nos chegaram e nos chegam a cada dia um pouco mais, deixaram à mostra aquilo que despontava ao longo do seu tempo como o ápice de suas culturas, incluindo seus valores morais. Visto que, por certo, usavam seus conhecimentos para o bom uso e o bom convívio de sua sociedade e suas castas, sendo que a maioria delas foram soberanas na sua geografia, durante séculos e milênios. Como foi o caso da civilização egípcia, cujos dados descobertos remontam 7 mil anos antes da nossa era.&lt;br /&gt;E, tendo sido tão superiores, é de se perguntar por que motivo, gradativamente e num momento dado, cada uma destas civilizações foi desaparecendo? Genericamente, poderia-se-ia dizer que todas desapareceram, ou por problemas de modificação do ambiente, onde viscejavam o misto de fantasia e a realidade, representado pela submersa Atlântida, que estaria aqui enquadrada, como também aquelas um dia localizadas no Oriente Médio, pela aridez em que se transformou aquela região. Bem como a sua participação em guerras, as conquistas e os massacres a que foram condenadas outras civilizações dizimadas, como ocorreu com os incas no Perú, nas mãos de Francisco Pizarro e com os aztecas do México, nas mãos de Hernan Cortez; e outros motivos específicos que ocosionaram os circusntanciais declínios.&lt;br /&gt;Neste particular, o das características ambientais, é de se comentar que houve um tempo que deve ter sido um verdadeiro paraíso a região onde, parece, foi o berço da humanidade, no Oriente Médio. Onde se conhece por Mesus Potamus ou Mesopotâmia, entre o Tibre e o Eufrates e seus arredores, tendo sido o berço propício a que muitas civilizações seculares ali se desenvolvessem. Os sumérios, os assírios, os fenícios, não nesta ordem no tempo, ali floresceram, tendo, inclusive, estes últimos, desenvolvido um alfabeto que mais tarde foi a base do alfabeto grego, com o qual ainda nos comunicamos e do que, ainda, nos valemos, mesmo que escassamente. E, observa-se também que, estas e outras mais, invariavelmente, foram civilizações ricas; este um detalhe quase sempre presentes em suas existências nos quatro cantos do mundo. Sim, por que tivemos povos evoluídos, onde a exploração do trabalho braçal era marcante, alguns com um patrimônio ainda em fase de descobrimento por nós. Como é o caso, também, no norte da China, no norte da Europa, na Indochina, onde hoje é o Vietnã, na Malásia, na Tailândia e por aí a fora.&lt;br /&gt;A verdade é que, embora existam causas genéricas e/ou específicas a cada uma, para seus declínios e sucumbências, existe uma causa que é comum a todas as civilizações e que independe de qualquer outra causa, que é a filosófica transitoriedade e finitude dos atos terrenos ligados ao homem; excetuando-se, até aqui, a sua permanência sobre a terra. Assim, obedecendo ao ciclo da existência humana e universal, que a tudo alterna e levando-se em conta que o tempo em sua constância implacável faz com que, em relação à existência, um milênio seja igual a um fragmento, é inevitável concluir-se que, o que somos hoje, a civilização ocidental que nos é próxima, será tornada arcaica pela ação do tempo e estará envolta em meio a um variável obscurantismo. E um dia será estudada pela curiosidade quem sabe de um novo Champolion, encobertos que estaremos por uma crosta espessa que só o tempo dirá de que.&lt;br /&gt;E então, fruto da verdade de que a ciência é, sempre foi e sempre será, alimentada pela ignorância que é posta às claras a cada descoberta, seguindo o axioma de "quanto mais sabemos, menos sabemos" tivemos, a cada descobrimento, acelerado mais e mais a sua própria sede de saber. E daqui a mil anos será constatado pelos descobridores de nossas ruínas que o século XX, e agora o XXI, foi o período mais luminoso da história do mundo até então em matéria de conhecimento e avanço científico e tecnológico da humanidade, ainda que não em seu todo geográfico, mas desde os seus primeiros passos, mesmo que tenha sido também o século mais mortal.&lt;br /&gt;E aqui cabe um exercício de imaginação: no futuro, entre as possíveis dunas ou, quem sabe, entre as densas matas que cobrirão todo o planalto central da terra brasileira (sujeito à consulta, por que é possível que Brasil assim não mais se chame), depois que os arqueólogos e seus trabalhadores levarem anos escavando, será exposto, afinal, uma obra monumental que fora conhecido à sua época como "praça do três poderes". Em cujo interior, depois de penetrarem em suas entranhas, encontrarão algo que poderá ser considerado como um banco de memória daquele povo não bem conhecido. E, entre "papirus" e disquetes decodificados, encontrarão informações suficientes para afirmar que aquela civilização, apesar da adiantada situação tecnológica e científica que desfrutava, sem evoluir em suas almas, possuia os mesmos defeitos morais descritos em documentos semelhantes, de cinco ou dez mil anos antes. É o homem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4386567014687067531-3438874278770192364?l=jbtvariedade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4386567014687067531/posts/default/3438874278770192364'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4386567014687067531/posts/default/3438874278770192364'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jbtvariedade.blogspot.com/2008/04/herana-do-futuro.html' title='A herança do futuro'/><author><name>José Brasil Teixeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08416937196654251154</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4386567014687067531.post-7048931848429721668</id><published>2008-04-22T14:06:00.000-07:00</published><updated>2008-05-08T05:19:10.717-07:00</updated><title type='text'>Conto de amor</title><content type='html'>Embora o destino seja conseqüência das nossas ações no dia- a- dia e ao longo da existência, excetuando-se, é claro, as circunstâncias transcedentais e supercondicionadas, e para que a vida não corra o risco de se tornar tão calculada ou a gente tão calculista, ou que tudo ocorra quase que só sob nosso estrito domínio, algumas coisas, felizmente ao nosso romantismo e encantamento, escapam à vontade mais consciente. E algumas delas, literalmente, caem do céu no lugar exato em que qualquer um de nós se encontra, eventualmente.&lt;br /&gt;Foi assim com o romance de Marc e Jolie, cujos requisitos e entorno não deixavam nenhuma margem à previsões favoráveis, nem mesmo ao pensamento mais imaginativo, de que um dia iriam se encontrar em circunstancias promissoras de envolvimento e amor. Ele era de outro estado e casado; e, embora sua esposa e filhos pequenos morassem fora dali, era ainda alguns bons anos mais velho que Jolie. Ela acabara de sair de uma relação que lhe deixara marcas e mantinha uma retração preventiva que já durava algum tempo e mesmo que se reconhecesse vocacionada no que fazia, no início resolvera seguir sua profissão apenas para escapar mais rápido do controle econômico dos pais. Os quais também viviam em outra cidade e, ademais, porque queria crescer por si própria.&lt;br /&gt;Não era de se prever, então, que eles viessem a se envolver mais firmemente, pois os anteparos eram espessos, os emocionais inclusive, sendo que, talvez o fato de coexistirem em ambientes próximos e que no começo nada mais fez do que colocá-los frente a frente ,tenha sido a obra mais casual e decisiva da história.&lt;br /&gt;Recém formada enfermeira, acabara de ser admitida para trabalhar no hospital onde Marc já exercia a mesma profissão há mais tempo e, embora desempenhassem funções em setores diferentes e distantes fisicamente dentro da estrutura, encontravam-se algumas vezes na cantina da casa, onde foram apresentados por colegas comuns. Nesses primeiros e rápidos contatos, quase sem palavras, não seria possível que os olhos eloqüentes de Jolie escapassem à sensibilidade de Marc. Mas, foi uma solenidade de inauguração, ali dentro mesmo, que os colocou sentados lado a lado por mais tempo; o suficiente para que ela notasse detalhes no semblante dele: como o embraquecer bem marcado de suas têmporas, igualmente como com seu bigode bem aparado e espesso, olhos escuros como os dela, perfil adunco, cara máscula confiável, além do quê, sua experiência na profissão gerava comentários e boas informações sobre sua competência. Aquele estava sendo o primeiro momento decisivo, o mais animal deles onde é feita a análise do macho pela fêmea e vice-versa. Pois, assim se olharam sem saber. Ela com cabelos negros de longos caracóis que, repuxados para trás, mostravam insinuante, exclusivo e num conjunto de especial beleza, seu rosto de olhos escuros e graúdos, liso, moreno, simpático e sério,  de sorriso encabulado, encimando soberano seu corpo alto e magro.&lt;br /&gt;Olharam-se então de forma diferente, definitivamente. E, à partir daquele dia, seus pensamentos mais que seus corpos passariam a se buscar e se encontrar com mais freqüência que o comando simples do acaso pelos corredores da profissão. E, se é verdade que quanto mais profunda a relação, mais demoradas e constantes são as descobertas que culminam no conhecimento, eles naquele dia haviam começado a se buscar de forma amorosamente garimpada. Seria esse, com certeza, o termo exato, porque o tempo lhes reservava uma relação rica.&lt;br /&gt;Marc viajava com freqüência, aos fins de semana, para visitar a mulher e os filhos. Era bem casado e vivia a dar cuidados de pai aos seus dois menores, carinho e respeito de esposo à sua mulher, em uma relação que, por ser sólida e estável, não lhe motivava senão que admiração, assim como pela estrutura de família que haviam construído. Mesmo assim, de forma consciente ou não, se permitiu amadurecer a maneira de olhar para Jolie, de cujos olhos, quando se cruzavam, se tornava cativo de forma inevitável e, sem misturar com o afeto que dedicava à estrutura do lar, aos poucos se viu impelido a se aproximar de forma decisiva dela, convidando-a enfim para saírem juntos e conversarem fora do trabalho.&lt;br /&gt;Nesse mesmo dia, Jolie, como num gesto de honestidade sentimental, embora sem entrar em detalhes que lhe pareciam até desnecessários, manifestou de forma breve que havia sido ferida no peito recentemente e carregava, ainda, algumas cicatrizes. Mas nada que demonstrasse que não seria muito bom se prosseguissem investindo em si próprios como dois. O suficiente para que Marc entendesse que o progresso da aproximação, ao menos a do coração, teria que ser cuidadosa e paciente; mas, como sabia muito bem lidar com feridas....E como, no seu pensar, em um dado momento da vida, quem tem mais dá para quem mais precisa, aquele talvez fosse um momento para exercer tal princípio, algo como o gosto por dar, mais do que por receber e acabar assim provocando no outro coração a mesma reação. E receber, também, de preferência como se nada houvesse dado. Era um jeito seu e assim resolveu investir com toda a sua imaginação na conquista do coração de Jolie, sem aceitar a hipótese de fracassar. Nesse dia trocaram carícias e trocas de um afeto ainda inibido e, em uma aproximação encabulada, deixando aos poucos seus corações à possibilidade do amor. A sensação inicial, ao menos para ele, era a de retomada de uma prática antiga e adolescente com gosto de romance pela primeira vez, depois de tanto tempo. Para ela, ainda com medo de novos estilhaços, estava decidida a investir e a se empurrar se preciso fosse, restando-lhe uma sensação de que se veriam novamente, embora ela soubesse da sua condição civíl. O que fazer, pensaria mais tarde. Total, tinha a coragem de achar que, o mais das vezes, é melhor arrepender-se do que se faz do que de não ter feito....&lt;br /&gt;Passados alguns dias, viram-se novamente e acabaram cedendo aos anseios profundos do corpo, amando-se de forma lenta e ansiada, calculada e impulsiva, fogosa e terna, num misto de maravilha e inexperiência íntima, que seria amadurecida aos poucos e ao longo de outras vezes. As quais aconteceriam a cada quinze dias, depois desta inicial. Ela amou e passou a deixar-se amar com entrega total, aos poucos se manifestando com sons e sinais que só o amor percebe, onde lhe vibrava o prazer mais profundo, tão profundamente necessário à sua satisfação plena e ao cabo de alguns meses haviam quase se completado como amantes.&lt;br /&gt;Jolie deixava transparecer que havia sido criada com princípios éticos de uma certa rigidez e que balizavam seu comportamento diante da sociedade. E por tal, o fato de Marc ser casado impedia totalmente, em primeiro lugar na sua cabeça, que a sua ligação com ele pudesse vir à tona, ganhar o mínimo conhecimento público e verbalizou desde o início que não queria prejudicá-lo nesse particular. Mesmo porque, não apreciava confusões, mormente desse tipo ou mesmos seus riscos.&lt;br /&gt;Por isso, no trabalho, trocavam nada mais do que meros cumprimentos formais, ficando o resto de sua comunicação, no intervalo de seus encontros ocasionais, à cargo do olhar e da fantasia traduzida por eles. Muito pouco, pensava Marc, para alimentar uma experiência tão efervescente, já quase uma paixão, achava. E logo ele que era o casado, mas ao mesmo tempo o mais impetuoso e menos cuidadoso; por certo um comportamento a ser corrigido. Como o inchaço dos corações estivesse cada vez mais a ponto de explodir, tiraram dois dias fora da cidade, onde puderam se dedicar a si próprios com toda a liberdade e nesse tempo completaram-se da forma a mais carinhosa e afetiva possível; experimentaram coisas e vivências que temperam o amor, jantaram com velas, dormiram juntos por noites inteiras, amaram-se ao amanhecer, se possuíram tão mais profundamente que cada vez mais chegavam ao âmago do coração de cada um, com um prazer longe de ter par em qualquer idealização.&lt;br /&gt;Marc por esse tempo havia ganho uma bolsa oficial de pesquisa para desenvolvê-la dentro do hospital onde trabalhava; bolsa que tinha pedido dois anos antes e somente agora conseguira e como Jolie necessitava de uma complementação que lhe desse melhor condição de vida, incluiu-a como auxiliar de pesquisa naquele novo trabalho. O que daria continuidade à sua intenção de fazer por ela o que pudesse por mero prazer de vê-la melhor, ao mesmo tempo que tê-la como auxiliar era uma forma de poder conviver em público mais facilmente e ajudá-la a crescer profissionalente, uma vez que ela também se interessava pelo tema proposto. Além do quê, criariam algo em conjunto, com o significado aproximado e projetado de criar um filho, porque não? O entusiasmo dos dois passou a ser maior, não só entre si, mas pela nova atividade, que assim permitia liberdade até um limite além. Estudavam juntos numa sala que conseguiram para desenvolver a sua função e encontravam-se ocasionalmente para o amor em um hotel da cidade, onde Marc morava.&lt;br /&gt;Certo dia ele resolveu inovar na forma de se comunicarem e num fim de semana em que não se veriam, deixou à ela uma carta de amor, assim: "Jolie, os dias que já nos sucederam e o passado pequeno mas vibrante que já temos, os momentos juntos, os encontros desfrutados, o prazer conseguido, a declinação harmônica dos verbos conjugados por nossas almas, tudo isso quer me parecer que foi movido por alguma forma de sentimento positivo e sadio, o qual nos impulsionou nesta direção. É bom que se possa perceber assim e sentir desta maneira, porque acredito que desse modo adquire-se crédito com as circunstâncias que nós mesmos manobramos e crédito com o nosso íntimo; pois só quem age de modo construtivo e correto colhe seus frutos sadios, pela vida toda e no amor também. É difícil um outro pensamento me surpreender a mente em qualquer momento do dia em que eu não esteja pensando em ti e de forma arrebatadora de preferência, mas penso sempre de bem. E para a tua imagem reservo, privadamente, um carinho especial, quando não, sonho contigo, às vezes dormindo, outras acordado, vendo na tua companhia até aqui uma injecção de vida, uma sacudida energizante, um motivo a mais nesta fase que considero a mais pradutiva da minha vida. O entusiasmo, Jolie, é um conjunto vibrante de ações, sensações e reações do corpo e da mente no sentido mais favorável da vida em geral e por detalhes em particular. É o que sinto no momento, regularmente e, preferencialmente, sem paixão, que é um sentimento perigoso.Com toda essa circunstância afetiva que nos cerca, quero que me entendas ao dizer que, embora eu imagine algumas desventuras que a vida te aplicou(ou é a gente mesmo que se permite assim?), pouco importa. Tenho convicção de que desejo fazer de ti uma mulher feliz, de todas ou de algumas formas, enquanto eu puder, completando o que possa te faltar, principalmente na alma e no peito; sem te pisar, sem permitir fantasmas que te assustem e, ainda, exorcizando os que te restem. Tudo com muito respeito à tua figura de mulher; respeito, aliás, que é o melhor cimento para se viver longamente a dois e mais todo o carinho que me enche e que aprecias.&lt;br /&gt;Vamos crescer juntos também nessa fase científica que nos aproxima, sem esquecer que é através do crescimento do indivíduo, inclusive dele dentro de uma relação como a nossa, que se enriquece a própria relação, embora as nossas limitações circunstanciais. Quanto a essas, é bom sabermos exatamente onde trilhamos, a escolha foi mútua junto com seu fardo e não posso ser teu se não for incompletamente, o que fazer? Tenho me perguntado e perguntado a Deus, com quem converso com freqüência e de quem, tenho certeza, me viestes, se um adultério fútil e puramente carnal possa ter a mesma condenação desta minha circunstância, que assim sou pelo afeto criador que por ti sinto? Poderá ser diferente o que Deus considera amor e respeito, boa intenção e propósitos dignos dentro de uma relação, do que o que temos mostrado um pelo outro? Pois, embora não tenha dupla personalidade, tenho condições emocionais de ser um, o Marc que te envolve, abriga e protege, diferente do outro, o Marc que edificou e escora com amor uma família. E, perguntarão, é certo, até quando ou, como podem? Pouco importa, desde que seja muito forte o que nos movimenta, impulsiona e o que valha a pena, isso é o muito importante: o valer à pena. E que possamos cuidar desse amor sem fenecer e que assim dure enquanto tivermos por essa relação aconchegante, os cuidados especiais de verdadeiros enamorados.&lt;br /&gt;Quanto aos riscos minha cara,&lt;br /&gt;me expresso em versos:&lt;br /&gt;Devo dizer-te que um amor&lt;br /&gt;como o de nossa sorte,&lt;br /&gt;precisa de gente como nós&lt;br /&gt;que tenha peito forte; &lt;br /&gt;E muita força,&lt;br /&gt;para vencer as curvas&lt;br /&gt;que assustam o amor,&lt;br /&gt;e até espantar a morte.&lt;br /&gt;E viver num mundo palpitante sem ser venal,&lt;br /&gt;não ter medo de fantasmas de que a volta é farta,&lt;br /&gt;senão o amor se assusta, foge e passa mal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E as gentes maldicentes, minha amada? Cuidemo-nos de não atiçá-las, o que mesmo assim será pouco. Inevitavelmente, seremos sussurrados em pés de ouvido malversantes até que se cansem, sabes porque? Por que personificamos a emoção que não sentem por si próprios, nós vivemos o amor vibrante que eles um dia fantasiaram ter e que, tão somente, a nossa arte de amar construiu, com coragem. Riscos, melhor não tê-los, é verdade! Mas, convenhamos, fica meio insosso e depois, o que contar pros filhos? E como dispensar aquela gostosa taquicardia?&lt;br /&gt;E por fim, escrevo enquanto escuto o som das músicas que já temos na memória; assim como ando caminhando, compassadamente, e me esquivando de quem atrapalha os pensamentos. Espero que me tenhas entendido na boa intenção de te falar ao me abrir, esperando ver-te linda e bela ao meu lado enquanto palpitarmos, assim, como nesses dias. Lembrando sempre que o que nos diferencia dos infelizes e dos insensíveis, é a capacidade de se viver de afeto, feito nós. Do teu, Marc.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4386567014687067531-7048931848429721668?l=jbtvariedade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4386567014687067531/posts/default/7048931848429721668'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4386567014687067531/posts/default/7048931848429721668'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jbtvariedade.blogspot.com/2008/04/carta-conto-de-amor.html' title='Conto de amor'/><author><name>José Brasil Teixeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08416937196654251154</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4386567014687067531.post-568666072918434495</id><published>2008-04-22T14:03:00.000-07:00</published><updated>2008-05-08T05:34:42.764-07:00</updated><title type='text'>O bem e a promoção da vida</title><content type='html'>É preciso, sim, olhar-se para o umbigo, pois a introspecção nos traz, por certo, grandes respostas. O que pode parecer um mistério ou uma realidade inatingível, na verdade não o é, e o universo individual encerra um cosmos privado repleto de soluções ao homems e não todas elas a um menor ou a um maior esforço. Em outras palavras, as forças e as respostas necessárias a todos os questionamentos ao nosso trânsito terreno nos são intrínsicas.&lt;br /&gt;A nível prático pessoal, pois, pode-se dizer que uma vida mal sucedida está por trás do desconhecimento deste precioso cabedal. Por outro lado, que o seu manejo mais assíduo e destro pode conduzir à felicidade e à realização. A observação simples nos coloca frente a algumas pessoas que, mesmo sem aprendizado específico, tornam-se melhor sucedidas, despontando e diferenciando-se da maioria de seus pares, quase sempre tendo encontrado, junto, um viver feliz. É assim, mesmo quando, muitas vezes, trata-se daquelas cujo ambiente, nosso grande substrato e poderosa influência na formação social das individualidades, é adverso, é penoso e com barreiras aparentemente intransponíveis. Basta uma observação, por superficial que seja, para verificar que a história que se ocupa dos bem sucedidos, notáveis ou até ignotos, mas bem realizados, está repleta de quem fez bom uso do seu próprio íntimo. Ou seja, no seio de uma família, no bairro, nas sociedades, das mais simples às mais elaboradas, encontraremos aqueles cujo segredo muitos creditam à singeleza da sorte; quando a realidade é bem outra.&lt;br /&gt;O uso destas forças íntimas é uma prática que pode ser aprendida, basta que algumas virtudes, entre elas o bem conhecer-se, a acuidade, a disciplina, o saber da vida e a determinação façam parte do arsenal pessoal. E a prospecção e os resultados serão bem sucedidos. É notável, entretanto, observar que algumas pessoas já nascem com esta capacidade, ou a desenvolvem com espontaneidade, o que chamamos de aptidão, como na arte. E o esgrimar estas potencialidades de forma mais intensa e acurada, ou até desordenada, é o que cria, conduz e qualifica o destino do homem, seja bom ou mau.&lt;br /&gt;À observação da alma humana é facil perceber que o bem e o mal, filosoficamente, formam a base destas forças íntimas, as quais povoam o nosso universo pessoal. Em cuja opção e uso nos foi permitido ser livre; nascendo desta batalha ancetral, a mais remota e difícil delas todas, a principal essência da vida humana. Sendo cristalino o entendimento que, se o mal, em todas as suas formas, é nocivo e até incompatível com a perpetuação da vida, o bem, suas nuances e a sua principal prática, a bondade, a promovem e a mantém de forma indefinida. Assim, é possível afirmar que, se o mal fosse sempre e historicamente bem sucedido, a vida como a entendemos estaria extinta. E, ocasionalmente, é assim; e que a continuidade dela é prova cabal de que o bem quase sempre se sai melhor da disputa. Aliás, o que trás um alívio ao observador.&lt;br /&gt;Cumprindo uma natural transcendência, este bem buscado do íntimo se transmite a outras áreas da atuação humana. A criação inteligente é uma das forças virtuosas destas entranhas, a qual é acionada pela tendência da batalha ancestral subjacente, entretanto, podendo seu fruto adquirir qualquer dos nortes. No entanto, tendo o bem a prevalência clássica, assim vem sendo e sempre será com a sua transmissão à criatividade humana. Temos, então, que o bem, extraído do homem, pode ser aplicado nas mais variadas formas e atividades com destinação humanística coletiva; a ciência é uma delas. E, embora os extravios de objetivos, o século XX, e,prosseguindo no XXI,  um século dos maiores avanços, foi pródigo em desenvolver uma atividade científica que, destarte as mortandades, acabou por promover a vida em qualidade e duração, concedendo-lhe maiores garantias.&lt;br /&gt;Assim, o avanço do conhecimento humano contemporâneo, através das ciências biológicas e a da tecnologia associada e além destas, chegou a níveis luminares em muitas áreas. As descobertas da alma humana, cujo domínio desvendou a origem dos milagres e de obscuros mistérios, permitindo a análise da mente em toda a sua profundidade, propiciou um conhecimento basal ao autoconhecimento e à felicidade; novas teorias nos inseriram de forma real no funcionamento do universo e na exploração objetiva dos espaços cósmicos; inumeráveis avanços, sempre além da imaginação, trouxeram maior conforto ao homem; e o que ele pode, então, quando entra no reino das comunicações, este um movimento crescente e contínuo, sem estática!? Enfim, muito mais há por vir e o nosso destino é o infinito.&lt;br /&gt;Pois, analisando-se o que ocorreu com a arte de prevenir e de curar males do corpo, cujo conhecimento dos últimos 60 anos já foi todo revisto e substituido, vê-se que, por mais que os nossos gênios do passado pudessem idealizar, veremos que suas projeções não poderiam emparelhar com o grau, a especialização e o conseqüente benefício à humanidade atingidos pela canalização que o bem, voltado ao homem, que temos nos dias atuais.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4386567014687067531-568666072918434495?l=jbtvariedade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4386567014687067531/posts/default/568666072918434495'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4386567014687067531/posts/default/568666072918434495'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jbtvariedade.blogspot.com/2008/04/o-bem-e-promoo-da-vida.html' title='O bem e a promoção da vida'/><author><name>José Brasil Teixeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08416937196654251154</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry></feed>
