Nunca imaginamos que um dia incluiríamos esta cidade em um roteiro de viagem, porque nos parecia tão remota, tão distante, parte dela na Ásia, etc. No entanto, foi uma estada por demais apaixonante pela pluralidade de reminiscências históricas, apresentadas de forma tão farta e com semelhante amplidão cultural; tudo lá é história.
Quem chega via aérea a Istambul, visualmente se surpreende com as centenas de minaretes que apontam aos céus desde suas mesquitas; numa cidade de 18 milhões de habitantes de maioria muçulmana, religiosos praticantes, imagine-se! A cidade do alto parece um grande paliteiro, mas a primeira impressão foi de que aquelas estruturas fossem antenas de telefonia móvel.... Só depois, em terra, foi que se pode avaliar o quanto o povo cultua sua religião oficial, em toda a sua vastidão, ainda que não seja a única religião, pois com ela convive também a religião cristã ortodoxa.
Aliás, Istambul, que deriva de Stambo ou todos muçulmanos, foi fundada pelos gregos, como Bizâncio, aproximadamente, no ano 650 a.C, sendo portanto uma cidade com mais de 26 séculos de existência. Desde sua fundação, foi a capital do florescente Império Bizantino, que entre guerras, destruições e incêndios durou até que Constantino I a declarou capital do Império Romano do Oriente, chamando-a a seguir de Constantinopla. Sua importância sempre se deveu à sua localização geográfica, às margens do Estreito do Bósforo, único caminho de ligação da Ásia com a Europa, lugar estratégico para o conhecido “caminho da seda” e outras especiarias que vinham da China e da Índia para o Ocidente.
Por sua importância, sempre foi alvo de muita cobiça e conseqüentes muitas guerras, até que no ano de 1453 foi tomada pelos turcos, tendo sido renomeada como Istambul, capital de um império que se fez vasto, o Otomano, tendo permanecido como capital até 1923, quando a moderna República Turca foi fundada pelo General Attaturk, uma espécie de ícone nacional, respeitadíssimo e venerado como líder libertador e organizador da nova nação turca que, no entanto, transferiu a capital nacional para Ankara, mais ao centro do país.
A Catedral de Santa Sofia, enorme, em estilo bizantino, uma das referências turísticas, de origem cristã, quando da queda de Constantinopla, foi transformada em mesquita, tendo-lhe sido acrescentado quatro minaretes à sua estrutura original, a qual já havia sido incendiada e reconstruída ao tempo de Constantino. Como ficou uma querela entre cristãos ortodoxos e muçulmanos sobre o posse e utilidade do templo, Attaturk a transformou em museu, assim podendo ser usada por todas as religiões. Das ruas brotam extensas muralhas de diferentes datas, desde Bizâncio, em muitos pontos da cidade; existem tantos escombros de valor histórico, que o metrô foi feito de superfície, para não bulir com as relíquias do passado enterradas em seus subterrâneos. Anda-se em uma das suas principais vias, perto da Universidade de Istambul, que data do ano 425 d.C, e encontra-se restos de um arco em homenagem ao Imperador Theodósius, do ano 395 d.C. Outro ponto de visita obrigatória é o Palácio de Topkapi, residência do Sultão Ahmet, quase uma cidade, onde só a cama do seu habitante mais ilustre mede 3 por 4 metros(12 metros quadrados), com vasta habitação para seu harém, intangível e inexpugnável. Mas quem decidia quem dormia com ele era a sua mãe(hehehehehe!). Aliás, em outro castelo, o de verão do Sultão Abdul Aziz , a mãe do sultão tinha seu quarto em situação estratégica, também para controlar as “noras”.... Como se vê, mãe é mãe em todo o lugar... e, da mesma forma, sogra é sogra.
O Bósforo é um canal que liga o Mar de Mármara ao Mar negro, o qual separa as duas metades da cidade de Istambul, metade na Ásia, outra metade na Europa. Sua travessia antigamente era feita por balsas e desde 1978 foram construídas duas pontes entre os continentes. À propósito, com a queda de Constantinopla e o fechamento do Canal do Bósforo pelos turcos, os ocidentais europeus se obrigaram a buscar novos caminhos para o oriente, o que propiciou a Colombo e Cabral a nos acharem......
Em relação ao povo, alguns detalhes chamam especial atenção: o caos organizado de seu trânsito, onde a vaga para estacionar, mas principalmente, para passar e seguir em frente, é sempre de quem bota o bico primeiro, mas ninguém bate seu carro e muito menos se xingam. Outro detalhe é a capacidade de trabalho de todos, tudo é comércio, dia e noite, revezando-se entre o trabalho formal e o informal, o dia inteiro e a noite inteira. Tanto que a tradicional reza nas mesquitas, cinco vezes por dia, foi substituída pelos cânticos religiosos que emanam dos alto-falantes dos minaretes, já que a imensa maioria não pode parar para rezar de maneira formal.
Encantados por vender, o freguês sempre tem que sair de suas tendas levando algo, não interessa que seja até por menos da metade do preço inicial. E se for uma mulher bonita, então, herança do espírito do sultanato, os vendedores se desdobram em gentilezas, sempre dentro de um absoluto respeito, mas a freguesa tem sair satisfeita. Exemplos notáveis tivemos, desse tipo de proceder gentil e galanteador, num local chamado de “Gran Bazaar”, uma espécie de (super)mercado persa, com 4.400 lojas enfileiradas, uma verdadeira babilônia, luzente de tanto ouro, um verdadeiro fartão aos olhos..... e ao bolso!
Você quer saber mais, na verdade tem muito mais; pois, dê uma chegada em Istambul, vale a viagem; parece longe, mas não é. Você volta outra pessoa!
sábado, 29 de novembro de 2008
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