terça-feira, 22 de abril de 2008

O bem e a promoção da vida

É preciso, sim, olhar-se para o umbigo, pois a introspecção nos traz, por certo, grandes respostas. O que pode parecer um mistério ou uma realidade inatingível, na verdade não o é, e o universo individual encerra um cosmos privado repleto de soluções ao homems e não todas elas a um menor ou a um maior esforço. Em outras palavras, as forças e as respostas necessárias a todos os questionamentos ao nosso trânsito terreno nos são intrínsicas.
A nível prático pessoal, pois, pode-se dizer que uma vida mal sucedida está por trás do desconhecimento deste precioso cabedal. Por outro lado, que o seu manejo mais assíduo e destro pode conduzir à felicidade e à realização. A observação simples nos coloca frente a algumas pessoas que, mesmo sem aprendizado específico, tornam-se melhor sucedidas, despontando e diferenciando-se da maioria de seus pares, quase sempre tendo encontrado, junto, um viver feliz. É assim, mesmo quando, muitas vezes, trata-se daquelas cujo ambiente, nosso grande substrato e poderosa influência na formação social das individualidades, é adverso, é penoso e com barreiras aparentemente intransponíveis. Basta uma observação, por superficial que seja, para verificar que a história que se ocupa dos bem sucedidos, notáveis ou até ignotos, mas bem realizados, está repleta de quem fez bom uso do seu próprio íntimo. Ou seja, no seio de uma família, no bairro, nas sociedades, das mais simples às mais elaboradas, encontraremos aqueles cujo segredo muitos creditam à singeleza da sorte; quando a realidade é bem outra.
O uso destas forças íntimas é uma prática que pode ser aprendida, basta que algumas virtudes, entre elas o bem conhecer-se, a acuidade, a disciplina, o saber da vida e a determinação façam parte do arsenal pessoal. E a prospecção e os resultados serão bem sucedidos. É notável, entretanto, observar que algumas pessoas já nascem com esta capacidade, ou a desenvolvem com espontaneidade, o que chamamos de aptidão, como na arte. E o esgrimar estas potencialidades de forma mais intensa e acurada, ou até desordenada, é o que cria, conduz e qualifica o destino do homem, seja bom ou mau.
À observação da alma humana é facil perceber que o bem e o mal, filosoficamente, formam a base destas forças íntimas, as quais povoam o nosso universo pessoal. Em cuja opção e uso nos foi permitido ser livre; nascendo desta batalha ancetral, a mais remota e difícil delas todas, a principal essência da vida humana. Sendo cristalino o entendimento que, se o mal, em todas as suas formas, é nocivo e até incompatível com a perpetuação da vida, o bem, suas nuances e a sua principal prática, a bondade, a promovem e a mantém de forma indefinida. Assim, é possível afirmar que, se o mal fosse sempre e historicamente bem sucedido, a vida como a entendemos estaria extinta. E, ocasionalmente, é assim; e que a continuidade dela é prova cabal de que o bem quase sempre se sai melhor da disputa. Aliás, o que trás um alívio ao observador.
Cumprindo uma natural transcendência, este bem buscado do íntimo se transmite a outras áreas da atuação humana. A criação inteligente é uma das forças virtuosas destas entranhas, a qual é acionada pela tendência da batalha ancestral subjacente, entretanto, podendo seu fruto adquirir qualquer dos nortes. No entanto, tendo o bem a prevalência clássica, assim vem sendo e sempre será com a sua transmissão à criatividade humana. Temos, então, que o bem, extraído do homem, pode ser aplicado nas mais variadas formas e atividades com destinação humanística coletiva; a ciência é uma delas. E, embora os extravios de objetivos, o século XX, e,prosseguindo no XXI, um século dos maiores avanços, foi pródigo em desenvolver uma atividade científica que, destarte as mortandades, acabou por promover a vida em qualidade e duração, concedendo-lhe maiores garantias.
Assim, o avanço do conhecimento humano contemporâneo, através das ciências biológicas e a da tecnologia associada e além destas, chegou a níveis luminares em muitas áreas. As descobertas da alma humana, cujo domínio desvendou a origem dos milagres e de obscuros mistérios, permitindo a análise da mente em toda a sua profundidade, propiciou um conhecimento basal ao autoconhecimento e à felicidade; novas teorias nos inseriram de forma real no funcionamento do universo e na exploração objetiva dos espaços cósmicos; inumeráveis avanços, sempre além da imaginação, trouxeram maior conforto ao homem; e o que ele pode, então, quando entra no reino das comunicações, este um movimento crescente e contínuo, sem estática!? Enfim, muito mais há por vir e o nosso destino é o infinito.
Pois, analisando-se o que ocorreu com a arte de prevenir e de curar males do corpo, cujo conhecimento dos últimos 60 anos já foi todo revisto e substituido, vê-se que, por mais que os nossos gênios do passado pudessem idealizar, veremos que suas projeções não poderiam emparelhar com o grau, a especialização e o conseqüente benefício à humanidade atingidos pela canalização que o bem, voltado ao homem, que temos nos dias atuais.