Quando falamos de civilizações no sentido dos diferentes povos que já existiram no mundo, e o produto de sua criação inteligente, falamos da cultura que os mesmos desenvolveram e desfrutaram, algumas já totalmente conhecidas, outras até inimaginadas. Ao seu tempo, o que uma determinada civilização possuia, traduzido em patrimônio transmissível e perene, era o que o conjunto de seus membros conhecia, associado à forma de imprimir de alguma forma este conhecimento para transpor o tempo. Em outras palavras, de modo a ser perpetrado tão longe quanto pudesse ser a resistência ao esquecimento. Dependendo do quanto esta ou aquela cultura fosse importante às culturas seguintes, fazia-se uma continuidade quase que material, um transporte ancestral do conjunto de sabedorias à civilização que se seguia, do que, no caso da lingua latina, nós e outros povos somos um exemplo. Não havendo a transmissão por alguma forma de continuidade, quando da sucumbência de determinada civilização as características culturais eram soterradas ou obscurecidas. E a transmissão do conjunto de conhecimentos, então, passava mais tarde a ser iluminada pela luz da determinação em buscas arqueológicas, paleontológicas, espelológicas, historiográficas, antropológicas etc.
E, da mesma maneira que encontramos vínculos no exemplo da ligação linguística, estas ciências vêm sabendo decifrar e até interligar outras formas de comunicação deixadas por seus autores. Assim, através destas armas do homem atual, movidas, principalmente, pela vocação da curiosidade, em associação com um conhecimento técnico todo particular, vem sendo exposta uma gradação cultural do homem através dos tempos, desde as cavernas e grutas onde viveu há milênios como em sítios arquelógicos disseminados onde deixou incrustrado o seu saber e a sua cultura, nas mais variadas formas, desde riscos, rabiscos e desenhos rudimentares, aparentemente, sem significado, a majestosos templos e obras ainda enigmáticas, mas não menos belas.
Que, ao analisá-los nos, convencemos que neste tema tão valioso e, sobremodo, tão significativo para a história da humanidade é que o homem, através das mais variadas formas de simbologia, mostrou como ele era e o limite onde chegava o saber da sua civilização a cada tempo. Todas elas, as civilizações, cujas informações nos chegaram e nos chegam a cada dia um pouco mais, deixaram à mostra aquilo que despontava ao longo do seu tempo como o ápice de suas culturas, incluindo seus valores morais. Visto que, por certo, usavam seus conhecimentos para o bom uso e o bom convívio de sua sociedade e suas castas, sendo que a maioria delas foram soberanas na sua geografia, durante séculos e milênios. Como foi o caso da civilização egípcia, cujos dados descobertos remontam 7 mil anos antes da nossa era.
E, tendo sido tão superiores, é de se perguntar por que motivo, gradativamente e num momento dado, cada uma destas civilizações foi desaparecendo? Genericamente, poderia-se-ia dizer que todas desapareceram, ou por problemas de modificação do ambiente, onde viscejavam o misto de fantasia e a realidade, representado pela submersa Atlântida, que estaria aqui enquadrada, como também aquelas um dia localizadas no Oriente Médio, pela aridez em que se transformou aquela região. Bem como a sua participação em guerras, as conquistas e os massacres a que foram condenadas outras civilizações dizimadas, como ocorreu com os incas no Perú, nas mãos de Francisco Pizarro e com os aztecas do México, nas mãos de Hernan Cortez; e outros motivos específicos que ocosionaram os circusntanciais declínios.
Neste particular, o das características ambientais, é de se comentar que houve um tempo que deve ter sido um verdadeiro paraíso a região onde, parece, foi o berço da humanidade, no Oriente Médio. Onde se conhece por Mesus Potamus ou Mesopotâmia, entre o Tibre e o Eufrates e seus arredores, tendo sido o berço propício a que muitas civilizações seculares ali se desenvolvessem. Os sumérios, os assírios, os fenícios, não nesta ordem no tempo, ali floresceram, tendo, inclusive, estes últimos, desenvolvido um alfabeto que mais tarde foi a base do alfabeto grego, com o qual ainda nos comunicamos e do que, ainda, nos valemos, mesmo que escassamente. E, observa-se também que, estas e outras mais, invariavelmente, foram civilizações ricas; este um detalhe quase sempre presentes em suas existências nos quatro cantos do mundo. Sim, por que tivemos povos evoluídos, onde a exploração do trabalho braçal era marcante, alguns com um patrimônio ainda em fase de descobrimento por nós. Como é o caso, também, no norte da China, no norte da Europa, na Indochina, onde hoje é o Vietnã, na Malásia, na Tailândia e por aí a fora.
A verdade é que, embora existam causas genéricas e/ou específicas a cada uma, para seus declínios e sucumbências, existe uma causa que é comum a todas as civilizações e que independe de qualquer outra causa, que é a filosófica transitoriedade e finitude dos atos terrenos ligados ao homem; excetuando-se, até aqui, a sua permanência sobre a terra. Assim, obedecendo ao ciclo da existência humana e universal, que a tudo alterna e levando-se em conta que o tempo em sua constância implacável faz com que, em relação à existência, um milênio seja igual a um fragmento, é inevitável concluir-se que, o que somos hoje, a civilização ocidental que nos é próxima, será tornada arcaica pela ação do tempo e estará envolta em meio a um variável obscurantismo. E um dia será estudada pela curiosidade quem sabe de um novo Champolion, encobertos que estaremos por uma crosta espessa que só o tempo dirá de que.
E então, fruto da verdade de que a ciência é, sempre foi e sempre será, alimentada pela ignorância que é posta às claras a cada descoberta, seguindo o axioma de "quanto mais sabemos, menos sabemos" tivemos, a cada descobrimento, acelerado mais e mais a sua própria sede de saber. E daqui a mil anos será constatado pelos descobridores de nossas ruínas que o século XX, e agora o XXI, foi o período mais luminoso da história do mundo até então em matéria de conhecimento e avanço científico e tecnológico da humanidade, ainda que não em seu todo geográfico, mas desde os seus primeiros passos, mesmo que tenha sido também o século mais mortal.
E aqui cabe um exercício de imaginação: no futuro, entre as possíveis dunas ou, quem sabe, entre as densas matas que cobrirão todo o planalto central da terra brasileira (sujeito à consulta, por que é possível que Brasil assim não mais se chame), depois que os arqueólogos e seus trabalhadores levarem anos escavando, será exposto, afinal, uma obra monumental que fora conhecido à sua época como "praça do três poderes". Em cujo interior, depois de penetrarem em suas entranhas, encontrarão algo que poderá ser considerado como um banco de memória daquele povo não bem conhecido. E, entre "papirus" e disquetes decodificados, encontrarão informações suficientes para afirmar que aquela civilização, apesar da adiantada situação tecnológica e científica que desfrutava, sem evoluir em suas almas, possuia os mesmos defeitos morais descritos em documentos semelhantes, de cinco ou dez mil anos antes. É o homem.
terça-feira, 22 de abril de 2008
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