terça-feira, 22 de abril de 2008

Tempos depois do crash em Nova York

No dia da atentado em New York, em 11 de setembro de 2001, fui argüido da minha impressão sobre tudo aquilo; as coisas ainda estavam transcorrendo, muitas emoções em jogo, achei que qualquer coisa que dissesse seria diferente do que pensaria a respeito no dia seguinte, dias e tempos depois. O pânico de uns, a supresa de outros, os desejos de revide que afloraram, o desepero, a tristeza, o medo, a dor e a aflição são emoções que empanam o julgamento e a visão clara daquilo que é e foi real, bem como o entendimento das entrelinhas.
O sábio tempo e seus efeitos nestas horas é muito útil; o próprio discurso do presidente americano, que teve um tom pela manhã, naquele dia, com promessas de revide de nível belicoso, teve um outro mais moderado, na noite de então
Entender tudo era o desejado, desde os fatos e os símbolos, até as causas e suas evidências. A verdade é que os Estados Unidos, que participaram de duas guerras mundiais, nunca foram vítimas de uma espoleta se quer que rebentasse em solo americano. Este desábito pelo risco, associado aos repetidos sucessos em campanhas bélicas, fizeram do povo americano uma gente desacostumada ao que significa um conflito direto, uma agressão à sua integridade territorial, especialmente com derrotas. Além do que, ser cidadão em um país líder mundial em produção, economia e avanço tecnológico, de uma nação bem armada, de um império de muitos braços, incluindo os direcionados ao universo cósmico, mas, sobremodo, de uma nação rica e, por tal, poderosa, fez do americano um indivíduo portentoso, indiferente ao mundo externo que de regra culturalmente sempre ignorou, um arrogante circusntacial com explicado orgulho.
Pois, foi exatamente no orgulho onde o eficiente terrorismo, condenado pelo horror gerado por sua covardia, mirou e acertou. Principalmente, por ser aquela uma nação onde o emblema da sua soberania bélica passou a ser a possibilidade do programado e discutivel programa antimíssil, preconizado pelo atual presidente, naqueles dias.
Pois, um país com tal status defensivo foi atingido, sem aviso e sem defesa, aos olhos do mundo, em seu perfil carismático: nas torres gêmeas. Símbolo do progresso econômico do mundo moderno, localizadas em uma cidade considerada o umbigo cultural do ocidente, por um grupo alucinado de suicídas modestamente armados de facas e estilites. E usando os aviões nacionais transformados em armas mortais, matando muitos civís à bordo e milhares em terra. E em outro local, naquele que deveria ser a área mais segura da terra , o Pentágono, foi atingido com extrema facilidade. Em outras palavras, fosse aquele mapa americano um organismo vivo, teria tido rompida a silhueta da sua cara, bem como a imunidade física teria sido posta em grave risco.
Baseado no quê, passadas as emoções, e anos mais tarde, a primeira coisa que os americanos pensam, hoje e daqui em diante será a constatação de que a sua suposta invulnerabilidade não existe. E, sem dúvida, concluirão que existe um mundo com alguns loucos, é verdade, além dos limites americanos, mormente, de seus limites culturais que carecem de algum tipo de consideração mais igualitária, principalmente com melhor distribuição do ser, do ter e do saber.
Ouve-se, outrossim, com frequência e com justeza, que os terroristas atingiram preferentemente populações civís. Sei que os atingidos são nossos aliados econômicos e até culturais, mas por acaso não foram os americanos que semearam exemplos neste particular quando bombardearam duas cidades japonesas? E as bombas de napalm sobre aldeias civís, no Vietnã? E as escolas com crianças, no Iraque? E no Sudão, uma fábrica. Atos que a TV não mostrou. E é claro, depois, em todas as vezes, foram pedidas desculpas....
Nada justifica se o que houve naquela ocasião foi revide, mas talvez o passado explique. Existem antecedentes que devem vir ao campo da análise da consciência nacional, com humildade, para a boa reformulação que deverá haver da alma americana, em inevitável recomeço; antes de tudo, uma mea culpa é um gesto de honestidade. Primeiro, é preciso que seja esclarecida uma pergunta: porque aqueles atentados foram perpetrados contra aquele país e não contra um outro? Salvo insânia e fanatismo, não existe ação, mesmo cumulativa, sem reação e quase tudo tem motivo. E há que buscá-los além do que parece! Para começar, nenhum país com características imperiais fica muito rico sem que outros envolvidos não tenham alteradas para pior suas condições de crescer, até de forma grave e até gerando miséria humana. Sendo que, no caso, os americanos comuns, por óbvia alienação, disso nada sabem. Acrescente-se, aqui, que a maioria do povo americano não conhece o mapa do mundo. E estas tem sido ações que em alguns países podem gerar pequena insatisfação, em outros não geram reação alguma ou, então, o fazem de forma cruenta.
Some-se como agravante, neste caso, que seu presidente assustou e atiçou o mundo com suas ações iniciais, como no caso da reativação da corrida nuclear, a negativa de proteger o ambiente ao não firmar o protocolo de Kioto, gerando repulsa universal, e uma retirada do seu país, na companhia de Israel, da conferência antiracista, que naqueles dias transcorria.
Por outor lado, tem-se como boas constatações que, ao longo da história, o homem vem evoluindo no avanço de sua condição de civilização e no aprimoramento do convívio internacional, sempre respaldado no bem, pretensão maior da humanidade, salvo exceções. E que, embora proporcionalmente à densidade demográfica, existam cada vez menos conflitos, muitos avanços humanos fizeram-se às custas e em meio a estremecimentos, inclusive cruentos.
Desta forma, com esta assertiva, no infortúnio daqueles dias em Nova York, foram criadas condições dolorosas para mudanças, as quais deveriam começar pelo povo americano ao perguntar-se sobre todas os questionamentos sugeridos pela dor que sentiram, mesmo que indo de encontro o seu próprio cerne. E que uma alternativa de guerra naquele momento iria empanar este amadurecimento. Pois, deu no que deu, os americanos estão novamente em um outro Vietnã, do qual não sabem como sair. Como já se pensava imediatamente ao atentado: aquele país nosso irmão nunca mais vai ser mais o mesmo. Pelo menos, não deveria! Mas, será que mudou alguma coisa?