terça-feira, 22 de abril de 2008

As ferramentas do homem

Eu sou um ”cromagnone” sentado em frente à minha caverna, onde habito com a tribo. Doem-me as costas devido aos últimos esforços: ---"Aquela pedra era muito grande", penso eu. "De mais a mais, já estou com muito tempo de vida e até hoje, desde criancinha, o trabalho é sempre o mesmo. Tem que existir uma maneira de facilitar as coisas quando se precisa mover pedras daquele tamanho!!".
Assim ele sentia o despertar das descobertas, a necessidade e a dúvida, era o perceber que não sabia algo, era o início dos quesitos necessários à criação e à ciência.
O mesmo pensou o seu antepassado e outros um pouco mais para trás, que traziam, à cada geração, um amadurecimento cerebral que redundou em que, daquela data em diante, depois de ver aliviada sua dor lombar e voltando ao trabalho, o "cromagnone inventasse a alavanca, ao tentar mover um obstáculo com a ajuda de um pedaço de madeira. E, mais adiante, um filho seu descobriu o apoio para a alavanca do pai e então patentearam o fabuloso invento, que reduzia o trabalho, anulando uma de suas principais forças, a resistência, multiplicando a sua própria força, a motriz. Um verdadeiro espanto. Depois veio o macete, inicialmente de pedra e mais tarde de ferro. A pinça, a roda, esta fantástica descoberta que aliviava os animais depois de domesticados e que de sua parte já haviam aliviado outros homens. Inventaram a roldana, outro fantástico redutor de resistência e de esforço; depois veio o emprego dos ventos para impulsionar a vela no seu uso pela navegação, eliminando ou reforçando os remos. Tudo isso havia sido descoberto até 6000 ou 7000 anos atrás.
Mas, observe bem, desde as descobertas iniciais do "cromagnone" e seus sucessores, todas foram imitações da natureza. Pois nós temos em nossos braços duas naturais alavancas, que se apoiam nos nossos pés através da coluna vertebral; temos macetes nos nossos punhos e temos pinças, que são os nossos dedo indicador e polegar em situação de preensão e que auxiliaram valiosamente na evolução, não é verdade?
Mas, todas as invenções do homem, mesmo as mais antigas, foram inventadas com intenção de diminuir o trabalho; observe, desde a alavanca. E que culminou com a máquina a vapor, pouco mais de 200 anos atrás, marco inicial da revolução industrial, economizando tanto trabalho a ponto de economizar também homens nas minas de carvão da Inglaterra, uso inicial da palavra desemprego.
Há que se observar-se, no entanto, que, historicamente, alguns inventos do homem, a maioria deles, são produto da necessidade da sociedade e da racionalidade de seus inventores, sucedendo-se à essas circunstancias no ambiente do homem. E este, quando do seu advento, já possui uma certa adaptação prévia, uma filosofia de convívio com os efeitos do invento, sanadas todas as arestas envolvidas na sua implantação. Pois, com a automação atual, embora ela tenha sido lançada há mais de 40 anos, ainda não se criou completamente uma filosofia de convívio capaz de absorver o seu impacto. Confia-se que o breve tempo devolverá ao homem a inspiração e criatividade, movido pela necessidade ou algo assim, semelhante ao sábio princípio da homeopatia," simila, simílibus, curantur". Do qual ele possa lançar mão para anular os malefícios, mas, menores que os benefícios, e resolver o desemprego causado pela automação na sociedade.